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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dor e sentido

Fui fazer minha sobrancelha para o casamento e a moça sugeriu-me fazer também o buço (coisa que não só não faço, como nunca fiz). Como é para uma ocasião mais que especial decidi fazer.

Meu Deus! que negócio para doer! Parecia que meu lábio iria ser arrancado no puxavante seguinte.

Pensando sobre essa experiência e tentado dar a ela mais algum sentido além de mero sofrimento estético percebi algumas coisas.

Primeiro que nós mulheres temos um disposição especial para suportar a dor, se essa para nós faz sentido. Por isso somos nós, e não os homens, que parimos. Claro que podemos desperdiçar esse dom de Deus com tratamentos estéticos (eu não pretendo depilar o buço nunca mais!) e dietas da sopa, da lua, do gelo e um monte de outras coisas que só alimentam nossa insegurança. Mas podemos direcionar isso para algo grande e realmente especial: ser mãe, esposa e dona-de-casa!

Esse foi um pequeno sofrimento estético na minha vida de noiva. Mas passei por muitos outros sofrimentos: sociais, econômicos, psicológicos, emocionais e espirituais. Quanta fortaleza é necessária! Como é difícil manter o foco! Em meio a tanta coisa nunca esquecer o propósito de formar uma família verdadeiramente cristã.

Lá no salão, enquanto comentava a minha dor (estética), vi alusões a dores do parto como uma dor horrível e absurda. E que paradoxal, pessoas que tiveram um único filho e fazerem depilação completa na cera todo mês! 

Como disse no início do post, essa reflexão é para tentar extrair algo de mais útil e duradouro da dor sentida. Então esse texto não é algo realmente elaborado, são na verdade elucubrações.

Certamente ninguém gosta de sofrer. Mas todos sofremos, uns mais outros menos. E ainda assim, qualquer um é capaz de suportar a dor sofrida, pode ser perder o chaveiro que você tanto gosta ou perder sua mãe.

A gente suporta porque há um sentido, não só para a dor sofrida, mas principalmente para seguir em frente. Para mim (e talvez para qualquer católico) o sentido maior de passar por tudo isso que é a vida é ir para o Céu. Mas não simplesmente passar, mas viver a vida como ela merece ser vivida; honrar o motivo pelo o qual Deus lhe deu a vida.

Ontem, 15 de outubro fizemos memória de Santa Teresa D'Ávila, e ela disse algo que tocou profundamente meu coração: "Comparada ao Céu, esta vida é uma noite mal dormida em uma estalagem ruim"

Assumir a responsabilidade de um casamento cristão, me trará muitas alegrias, mas certamente me trará sofrimentos. É a certeza de que não é apenas por isso aqui que me cerca a finalidade das coisas que faz com que eu siga em frente confiante. Pois não passarei por nada sozinha (Deus estará comigo), pois não passarei por nada em vão.

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