Como vocês devem ter notado, tenho estado muito por aqui nos últimos dias.
Tenho sentido tanta coisa, e o desejo de se expressar é grande.
No blog, ao mesmo tempo em que posso estar falando para um milhão de pessoas, não estou falando com ninguém - o que para mim é a forma ideal de comunicar meus sentimentos, pois falo com um interlocutor real que pode ser do modo que queira; e também me isenta das críticas (a não ser que deixe um comentário rsrs).
Além disso tive mais tempo esses dias. Tempo que criei para esse momento, pois queria viver os últimos de que falei no outro post bem calmamente. No entanto, mesmo passando esse dias calmamente sou tomada pelo desejo de que passe logo.
Quando eu era criança meu avô tinha uma casa na praia, e quando íamos chegando próximo a essa praia tinha uma grande ladeira que o carro precisava subir, e lá do alto da ladeira a gente podia ver uma pequena faixa de mar, quando ainda faltava poucos quilômetros para de fato chegarmos à praia. Sempre meu avô puxava a brincadeira de quem iria ver o mar primeiro. Só meu avô fazia isso, então eu e minha irmã sempre pedíamos para ir no carro com ele. Ao se aproximar da ladeira já nos preparávamos: primeiro corria o aviso geral, em seguida eretas no banco nos esticávamos ao máximo, e então irropia o grito de alguém "Eu vi! Eu vi primeiro!". Se houvesse controvérsias, ou se dizia, "Viram juntas" ou "Então, a outra tomará banho de mar primeiro".
Parece uma grande bobagem, no entanto eu cresci, a brincadeira acabou (porque eu já era grande de mais, madura demais, chata demais para brincar com o meu vovô) e ainda levaram-se anos para perceber que todos só poderíamos ver ao mesmo tempo, já que estávamos no mesmo ponto. Meu avô me fez uma criança feliz, me fez uma criança sábia, me fez uma criança ingênua e pura o quanto pode (Obrigado, vô!); pena que só vi esse tesouro agora.
Isso tudo para amenizar a ansiedade de chegar o veraneio e ir para a casa de praia com todos os meus primos e tios, sem dever de casa, como banho de mar e muita areia.
Como eu queria uma ladeira antes do casamento! Para dar uma espiada no que virar. Uma espiada com meus próprios olhos.
O casamento está logo ali. Mas esse será um veraneio sem volta; e isso me assusta um pouco. Eu sei que essa não é uma coisa muito "bonita" de dizer. Ninguém espera ouvir uma noiva dizer que tem medo - não ao menos se ela ama o noivo e desejou por longos quatro anos e seis meses de namoro ficar com ele definitivamente (tá, tudo bem, foi menos que isso. Porque afinal levou um tempo para eu saber se era ele mesmo).
Mas é que eu estou entre a ansiedade para o grande dia e já com saudade da minha casa, da minha família, da minha rotina (de solteira). Minha mãe se consola dizendo que nada vai mudar, que eu vou só me mudar para logo ali. Mas não é verdade! Tudo vai mudar, inclusive eu. E não tem ladeira do casamento. O que há é uma montanha de expectativas e uma esquina a dobrar.
Essa não era a praia que eu ía, mas a visão era mais ou menos assim.

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