I.
Não
há fórmulas mesmo. Sempre relativize concelhos.
Gostaria de começar lhe dizendo isso. Por mais bem sucedido
que seja um casamento não há fórmulas que possam ser dadas. Cada pessoa é de um
jeito e cada casal tem a sua história. Sei que é um pouco clichê, mas mesmo
sabendo disso tão bem, muitas vezes me peguei querendo fazer meu casamento
funcionar conforme “dicas”. Isso nunca é bom, porque, primeiro gera uma
artificialidade na relação, uma vez que
tira a naturalidade e espontaneidade das pessoas, e segundo porque aquela
“dica” pode realmente não servir para vocês. Então quero que inclusive o que
vou dizer seja relativizado, e visto como um compartilhamento de experiências e
não “dicas” de como ter um bom casamento, ou algo assim.
II.
Não queira conversar demais sobre tudo. Isso é
querer fazer de cada pequena coisa um problema relevante.
Todos sabem que homens e mulheres são diferentes, e que
mulher ama conversar. De fato, ter um bom fluxo de diálogo entre os cônjuges é
necessário e saudável. Mas não queira conversar sobre cada coisinha que lhe
aborrece com o seu marido, os homens se cansam disso. Se conforme com o fato de que haverão dias em que seu marido não estará com a menor paciência de lhe ouvir, enquanto você
procura entender as causas de ele deixar a toalha molhada em cima da cama ou os
sapatos jogados no meio da sala. Ele pode conviver com o fato de você sempre pedir
para ele arrumar essas coisas, mas não de você querer analisar o porquê
disso – com ele!
III.
Não
queira ter razão, queira ser feliz.
Discussões acontecem. Faz parte da vida a dois. Mas quando a
discussão é séria, normalmente os dois se chateiam e os dois se magoam. Então
não fique esperando o outro lhe procurar e lhe agradar buscando o perdão; mesmo
que para você haja mil motivos para se considerar certa, e assim ser obrigação
do outro que errou buscar a reconciliação. Não queira estar certa queira ser
feliz! Sei que é uma coisa difícil de fazer, mas certamente tem efeitos enormes
no dia-a-dia de vocês. É melhor passar meia hora brigado do que o dia todo.
IV.
Se
humilhe. Isso mesmo! Se você conseguir amar mais a outra pessoa que a si mesmo,
você será conforme a vontade de Deus.
Isso tem relação com o ponto anterior. Quase todos nós somos
muito orgulhosos. Se você pensa estar certo durante uma discussão, será
certamente uma humilhação buscar a reconciliação, pedir desculpas. Se você
pensa merecer reconhecimento por algo que fez e não recebe, se sente humilhado,
como por exemplo, se arrumar toda e não ouvir uma palavra de elogio do seu marido. Nessas
horas lembre-se de Nosso Senhor Jesus, que tantos nos amou e se humilhou por
nós; morreu por nós, para nos dar o Céu, que é a maior alegria que existe, e
quantas e quantas vezes somos ingratos, não O louvamos e até O ofendemos. Se
você pensa assim, não será tão difícil se humilhar e pedir perdão primeiro, mesmo que o erro do
outro seja mais grave que o seu.
V.
Suporte
os defeitos, veja que você também erra.
Às vezes quando vemos o defeito do outro nos esquecemos dos
nossos. Por isso, Nosso Senhor disse que olhamos o cisco no olho do outro e
esquecemos a trava que está no nosso. Eu sempre reclamava de pequenas coisas
que o meu marido fazia e que me irritavam (como deixar coisas jogadas em cima
do sofá), até que um dia ele sem paciência disse: você também faz um monte de
coisas que me irritam e não encho o seu saco por isso. É comum nós mulheres
pensarmos que o homem tem mais defeitos que nós simplesmente porque nós falamos
mais sobre o defeito deles enquanto que eles se calam em relação aos nossos. O
que eu fiz à respeito? Pedi desculpa, e disse que ele poderia sim, me dizer
coisas que eu fazia e o incomodava, e iria procurar melhorar em relação a isso,
do mesmo modo que esperava que ele melhorasse; e também que deixaria de falar
tanto sobre isso (que tem haver com o que eu falei no tópico II).
VI.
Se
doe sempre. Procure sempre pensar em como fazer o seu cônjuge mais feliz.
Casamento é entrega e doação. Procure não entrar na lógica,
“você não me faz feliz!”. Pense sempre no que você poderia fazer pelo seu
cônjuge. Agindo assim você dá um testemunho cristão, realiza verdadeiramente o
objetivo do matrimônio e incentiva seu marido a fazer o mesmo, pois se ele
estiver feliz certamente vai querer que o mesmo aconteça para você. Já se a
relação se baseia em acusações e cobranças a tendência é vocês se tornarem cada
vez mais distantes.
VII.
Sempre
que for criticar algo tente ser verdadeiramente sincero e gentil.
Certamente haverão momentos que se fazem necessárias as
críticas. Ninguém é perfeito, e quando um cônjuge erra (de maneira grave) cabe
ao outro corrigi-lo e incentivá-lo a fazer o correto. Mas o faça com verdade,
não faça drama. Não diga coisa do tipo “Você nunca faz isso!”, “Jamais será
capaz!”, “Impossível!”, etc. O mais comum é que frases desse tipo venham
carregadas de emoções do que realmente de fatos. Procure dizer a verdade e não
carregar a crítica de hipérboles. Além disso, tecer uma crítica não é gritar
nem ofender. Procure sempre ser gentil.
VIII.
Não
se fechem em si mesmos. A presença de bons amigos é sempre tão proveitosa.
Eu costumo ver casais que se fecham em si mesmos e se afastam
dos amigos. Claro que devemos selecionar nossas amizades, especialmente as mais
próximas, que participarão da intimidade do nosso lar. Mas a presença de bons
amigos traz grande proveito. São pessoas que, além da nossa família, nos ajudam
nas dificuldades, aconselham e nos fazer ver que não é só a gente. Penso sempre
quando ao conversar com algumas amigas minhas que são casadas vejo que não é
que eu tenho um marido desligado e insensível, é apenas que eu tenho um marido
que é homem, igual a todos os homens.
IX.
Aceite
o amor que a pessoa pode lhe dar. Não espere que as pessoas lhe amem a seu
modo.
É tão libertador entender que cada pessoa ama a seu modo!
Muitas vezes nos entristecemos ao pensar que alguém não nos ama, no entanto o
que ocorre é que esperamos que uma pessoa demonstre amor de uma determinada
maneira e ela não o faz; mas não porque não nos ama, mas porque seu modo de
demonstrar é diferente. E perdemos tanto tempo querendo que a pessoa faça isso
ou aquilo que deixamos de aprender a enxergar as provas de amor que ela nos tem
a oferecer. Quando choro, por qualquer motivo, meu marido nunca me consola. E
isso me entristecia tanto, pois pensava que ele não se importava e assim, não
me amava. Perguntava a ele o porquê, ao que dizia que quando acontecia de eu
chorar (que realmente não é coisa comum) ele ficava sem saber o que fazer e
acabava por não fazer nada. A mim custava a acreditar, pois como você pode ver
alguém que você ama chorando e não fazer nada!? Até que entendi que EU amo
assim, ele não. Então tive que aprender a ver como ele me amava, e vi que às
vezes meu marido para e fica me olhando um tempão sem que eu esteja vendo, só
percebo muito tempo depois. E é por isso que sei que ele me ama.
X.
Pense
em Deus. Se possível reze.
Por fim, gostaria de lhe dizer que pense sempre em Deus, na
Virgem Maria e nos santos. O testemunho de suas vidas vão lhe dar foças para
fazer sempre mais e melhor seus afazeres, a superar as dificuldades e a perdoar
(esta última tão importante na vida a dois). Não vou dizer reze sempre. Porque
sei que essa não é a realidade de muita gente (inclusive minha, que rezo muito
pouco). Para ter uma vida de oração digna é preciso vontade e disciplina, o que
muitas vezes não temos. Por isso lhe peço (e exijo de mim) algo mais simples:
lembre-se Deus, do quanto Ele lhe ama; de como Ele gostaria que fosse a sua
vida, a sua família; das bênçãos que Ele derrama sobre você; e de que o menor
gesto feito com amor não ficará sem recompensa. Se Deus estiver sempre presente
em sua mente, uma hora ou outra você vai querer uma conversa mais demorada, um
momento a sós – e aí sim, será oração.


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