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sábado, 3 de março de 2018

Questões


Quando parar?
Quando nadar?
Quando te amar?

Por que foges?

Nessas linhas tão difíceis de escrever
Porque é tão difícil se doar
Eu me entrego a você
Mas você foge!
Esperar é tudo que posso fazer
Que meu anjo me ajude
Pois se em você me perco
É também em você que me salvo
Às vezes protagonista, às vezes clandestina
Mas sempre sua, sempre aqui
Para salvá-lo todos os dias
De você e de mim.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Um discurso

Parênteses:
eu sei que faz muito tempo que não escrevo. Mas a vida estar corrida. Então, se tem alguém que acompanha o blog e ficou esperando, me desculpe. Volto hoje com esse texto, no entanto não sei quando será o próximo; e com isso quero dizer que as postagens serão mesmo esporádicas.






Oi gente,

quis dividir essa experiência com quem está aí do outro lado para evar um mensagem de esperança.
Eu queria muito que no dia do casamento eu e meu marido tivéssemos feito aqueles votos pessoais, em que a pessoa escreve um teto lindo. Como casamos na igreja, que já possui votos no rito (lindíssimos por sinal), decidi que faríamos na pequena recepção que fizemos na sequencia, no lugar do discurso.

O que aconteceu foi que na hora meu marido virou e falou no meu ouvido que não ía fazer porque estava com vergonha. Eu insisti um pouco, mas aquele dia foi um turbilhão e nem pensei muito no assunto. Como não ía ler meu votos sozinha agradeci a presença das pessoas e falei algumas poucas palavras.

Onde está a mensagem de esperança?

Se você tem um sonho, não desista! Porque ele pode acontecer mesmo que não seja do jeito que você tinha pensado.

Quando fizemos um ano de casados fiz um lancha aqui em casa para poucas pessoas. e na hora de cortármos o bolo meu marido fez um discurso para me homenagear.

Como o texto é lindo  vem a seguir, e também para servir de inspiração.




Boa tarde meus amigos,

Hoje faz exatamente um ano que deu meu sim a uma das muitas coisas na vida que não há volta, decidi dizer sim a minha mulher e às minhas novas responsabilidades.

Não foi das decisões mais fáceis ou mais seguras, mas sempre me pareceu a mais correta, e hoje posso me certificar que ao menos nisso acertei!

Em todos esses 365 dias surgiram desafios, tristezaas, conflitos e dificuldades que pareciam que o mundo ía desabar e tudo ser em vão; mas também foram constantes as alegrias, a superação e o perdão, que me possibilitou vencer todos esses medos.

Posso dizer sem sombra de dúvidaque deste ano saí com saldo positivo; de desempregado a trabalhador que cresce na empresa; de gastador incontrolado a poupador focado; de jovem irresponsável a homem provedor.

A tudo isso tenho muito que agradecer a Deus e todas as suas benésses, pois sempre que algo pareceia irremediávelmente sem solução, Ele nos provia. Mas além do óbvio, devo minha gratidão a uma pessoa muito especial: minha esposa.

Durante esse ano nosso carinho e dedicação evoluíram e amadureeram, por mais dedicação dela que minha... Sempre esforçada em seu trabalho, em casa ou no consultório; ela me inspiraa seguir em frente, mesmo quando as coisas não parecem correr como gostaria.

Este dia eu dedico a você, meu amor, a fundação de nossa família, e se minhas breves palavras não lhe podem fazer jús, que ao menos o velho ditado possa, pois "por trás de todo grande homem há sempre uma grande mulher."


terça-feira, 22 de julho de 2014

As coisas nunca são como se pensa







Lembro quando noivei, uma senhora (já quase idosa), amiga minha, mãe de cinco filhos, casada a vida inteira com o mesmo marido, veio me parabenizar e dirigir alguns palavras. Ela me perguntou se eu estava preparada e prontamente respondi que sim; já sabia o que enfrentaríamos, mas que mesmo assim desejava ter uma família, que essa era a vontade de Deus para nós, etc. E ela me disse, pois bem, case. Mas gostaria de lhe dizer duas coisas: primeiro que nunca deixe de rezar e colocar Deus como o alicerce de sua família, pois se não for assim ela não durará; e, saiba, o casamento nunca é difícil pelos motivos que a gente pensa.

O primeiro conselho eu já sabia e era isso mesmo que pretendia fazer, mas o segundo me deixou especialmente intrigada. Por que jovem tem a mania de achar que sabe tudo, né?A gente sempre acha que está pronto, maduro, preparado. Considero que o primeiro passo para a verdadeira maturidade e sabedria é reconhecer humildimente nossa inesperiência e ignorância. Por isso, coloquei em suspenso o meu "estou pronta" e busqueiaproveitar cada momento antes do casamento para me melhorar, aprender, rezar... Claro que nem sempre esse era meu estado de espírito, mas era um esforço constante.

Casei.Lua-de-mel. Primeiros meses. Me aproximo do primeiro ano.
Sei que ainda somos recém-casados, e um ano perto de uma vida interia que queremos passar juntos não é nada, mas acho que começo a enteder a pofundidade daquele conselho.

Nada no casamento é como você pensa que será. Nem os afazeres domésticos, nem sua relação com sua sogra, nem sua relação com o seu marido... Certamente porque cada casamento é único, pois é a junção de duas pessoas únicas; e os exemplos que vemos por aí são apenas uma vaga ideia. E talvez por isso mesmo é algo que só se sabe vivendo.

Uma das coisas mais elucidativas sobre isso é a solidão.Talvez porque para mim foi a mais surpreendente. Pois tanto para mim quanto para Luís, quando falavamos em casar era o mesmo que falar "vamos estar sempre juntinhos" (fisicamente, espiritualmente...)

É importante dizer que eu sempre gostei de passar um tempo sozinha, para meditar, ler, escrever, etc. Pensava que ao casar iríamos ter dificuldade quanto a isso, posto que agora sempre estaria acompanhada do meu marido. Mas desde que casei, com frequência experimento a solidão do lar enquanto meu marido está fora. Nunca passou pela minha cabeça me sentir sozinha. Isso também porque já morei só, e quando passava grande parte do dia sozinha esse tipo de sentimento não me acometia.

Pensando sobre isso, acho que me sinto só porque na verdade não estou de fato sozinha. Durante todo o  meu dia lembro do meu marido, e quase tudo o que faço é orientado para ele. Na hora que escolho o que vou cozinhar, penso no que ele gostaria de comer; quando limpo a casa, penso em como ele se sentirá confortável de chegar e encontrar tudo limpo, quando encontro algo que ele deixou fora do lugar, lembro dele com raiva por ter feito isso (rsrs); quando leio algo legal em uma livro, gostaria que ele estivesse perto para dividir isso com ele; quando tomo banho e me arrumo porque está perto da hora dele chegar. Em tudo ele se faz presente no meu dia, e talvez por isso mesmo eu me sinta só, porque ele se faz presente sem de fato estar, e aí acabo sentindo a falta dele.

Claro que acho ruim me sentir sozinha, mas fico feliz que as coisas sejam assim. Acho que foi o tempero especial que Deus deixou para os recém-casados. Pois isso faz  com que cada momento juntos tenha seu interesse, faz a gente querer aproveitar, mesmo já estando casado.

Penso nessa horas como é difícil para mulher moderna (e aqui me refiro a todas nós que recebemos a educação padrão de nosso tempo) lidar com isso, porque além de de ser um trabalho doméstico árduo e escondido exige muito crescimento interior. Assim, varias vezes me peguei pensando em como seria mais facil trabalhar fora. E aqui o primeiro conselho volta a gritar na minha mente: "DEUS NO CENTRO DE TODAS AS COISAS!", que prevaleça a vontade de Deus, que é todo Amor e Sabedoria, e não a minha vontade humana cheia de orgulho e vaidade. O caminho mais santo nunca é o mais fácil. Não se deixe abaater e não queira desistir se nada sair como o esperado, porque mesmo o inusitado faz parte dos planos de Deus.

Talvez quando passarem-se muitos e muitos anos as coisas mudem, e tudo isso nçao tenha uma dimensão relevante ou que talvez lembre com carinho pelo crescimento pelo qual passei. Mas por hora, estou na batalha para ser um esposa melhor, uma cristã melhor, uma pessoa melhor; e que dividindo essa experiências possa ajudar alguém pelo menos a saber que não está nessa batalha sozinha.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O efeito protetor de ser um casal







O efeito protetor do casal é avaliado pela expectativa de vida mais longa dos casados, a quantidade de doenças físicas e de depressões bem menor nos casais estáveis. Entrevistas estruturadas e testes psicológicos mostram que a higiene de vida é melhor e que as angústias se apaziguam rapidamente nesses canais.

Pode-se detalhar essa contribuição dizendo que a estabilidade do casal cria um sentimento de familiaridade tranquilizador, que a confiabilidade do outro dá autoconfiança: ”Posso contar com ela.”; “Ele sempre esteve presente quando precisei dele.”. Esse entendimento alivia a angústia e permite que esforços sejam dedicados à aventura social. O ferido recupera com seu cônjuge a figura de apego primária que, na sua infância, deu-lhe segurança e o fortaleceu. Quando essa base de segurança falhou, o carente ganha uma segunda chance e, na sua relação de casal, adquire a força e a tranquilidade que até então lhe faltaram.

Com a ressalva de que “estabilidade do casal” nem sempre quer dizer “qualidade de vínculo”. Sentindo-se melhor perto do cônjuge confiável, o ferido se apega a ele, ainda que a relação seja difícil e custosa: “É verdade que ele quer que eu desista de uma parte de minha aventura social. Gostaria de ser jornalista, mas essa é uma profissão que exige muitas viagens, o que poderia estragar a vida em família de que preciso. Por tanto, vou desistir dessa vida de aventuras e aceitar entrar numa rotina com ele. Essa renúncia me custa caro, mas sem meu marido desmorono”.

Nos casais estáveis é comum ver se instalar lentamente o vínculo de apego seguro que tinha sido destroçado (...). Em geral, o cônjuge bem desenvolvido sente prazer em ajudar o ferido, sente-se bem ao fazer o bem. Em contato implícito cria um casal estável, apaziguador, fortalecedor, em que o desenvolvimento de um apego segura cria um vínculo leve (o que não quer dizer superficial) em que um fortalece o outro sem encerrá-lo num prisão afetiva.



Fonte: Dizer é morrer: A vergonha - Boris Cyrulnik [Ed. Wmfmartinsfontes, 2012]


P.S.: Quando o autor usa a expressão "ferido" ele quer se referir a qualquer tipo de problema que gere sofrimente, seja ele físico, psicológico e social.

sábado, 24 de maio de 2014

Meu casamento: a igreja

P.S.: Esse post foi originalmente escrito em agosto de 2013. Vi que a foto que usei no post tinha sumido e quis atualizar colocando outra foto. Aí o post veio para o dia de hoje como se tivesse sido postado agora. Não tem como desfazer. Desculpem a confusão. =]




Essa é a igreja onde assisto a Santa Missa todos os domingos e onde irei me casar (e se Deus quiser batizar e crismar meus filhos!).

Eu e meu meu noivo temos um carinho muito especial por ela - tanto pela sua estrutura física e História como pessoas pessoas que conhecemos e nos relacionamos lá.

Eu sei que muitas enfrentam situações ruins nas suas paróquias como fofocas ou coisas assim, mas aqui nos sentimos em casa e acredito que é um sentimento geral. Claro, que onde há pessoas, por mais semelhanças que hajam, é necessário diplomacia e respeito. Só que no final das contas o que prevalece é um sentimento de união e fraternidade. Não vou dizer que as pessoas de lá são como família, porque família é família. As pessoas de lá são para nós como irmão na Fé. Se sentir irmanado a alguém pelo Pai do Céu que nos une é algo que se você viveu vai saber exatamente do que estou falando, se você não viveu, acredito que não vale muito á pena explicar.

E a construção em si, tem uma história toda especial.
Ao longo do período colonial a Igreja Católica no Brasil  também se voltou aos escravos brasileiro, principalmente em estados que tinham grande número de escravizados (como Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro), onde se difundiam irmandades e devoções.
No Rio grande do Norte, apesar do pequeno número de escravos essas devoções também se fizeram presentes.

Entre 1713 e 1714 foi finalizada a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Nossa Senhora do Rosário era a padroeira protetora dos escravos). Eu gosto sempre de frisar o fato de que a igreja foi construída por escravos no período escravocrata (ou seja, ainda não existira a abolição da escravatura). E me comove muito pensar o que a fé, o que a Igreja é capaz de fazer. Escravos, pessoas que nem eram vistas como pessoas construíram uma igreja! Para isso precisaram de tempo livre para dedicar a obra, de dinheiro para comprar material... Vez ou outra me pego pensando em como será que que fizeram isso. E me pergunto: E o preconceito? E o racismo? Provavelmente era deixado de lado porque era uma igreja que se estava construído! Penso num negro, escravo, no século XVIII entrando em uma loja cheia de homens brancos, com vendedores brancos e comprando tijolos, e saído da loja com os tijolos. Bom, isso não é História, são apenas devaneios da minha cabeça. Posso dizer que ele saiu com tijolos porque a igreja está lá de pé, mas o resto é especulação. Mas penso nisso sempre... Primeiro uma situação de desconforto e mal-estar, até que um nome irrompe o ar "Nossa Senhora do Rosário", "Igreja", as caras sisudas se desfazem (pelo menos em sua maioria) e surge aquele ar de fraternidade (o mesmo que falei um pouco acima).

E o que me deixa mais abismada é que Natal era uma cidade tão pequenina, quase uma vila de pescadores. Não tinha muitos escravos, porque também, na verdade, não tinha muita gente. E mesmo assim, a segunda igreja a ser construída foi a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
A igreja foi tombada em 1988, quando também foi reformada assumindo sua arquitetura original.


Na frente da igreja há também um cruzeiro (construído junto com a igreja) e um mirante (construído na reforma) que fornece uma bela vista para o rio Potengi, a ponte Nilton Navarro e o mar.

Escolhi um ótimo cenário para meu casamento, não?

Ah! Uma outra coisa muito legal sobre a minha igreja (porque ela minha também, e gosto muito de chamá-la assim) é que foi nela que abrigou-se num primeiro momento a imagem de Nossa Senhora da Apresentação (imagem que apareceu nas água dos rio Potengi). Mas essa é outra história, que vai ficar para depois.


Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Considerações sobre o casamento


Há poucos dias completei três meses de casada. A meu ver até parece mais. Embora realmente sinta como se estivesse casada a mais tempo, ainda me pego sem acreditar que meu noivo é meu marido (!). Tantas coisas aconteceram até agora que gostaria de dividir algumas coisas que aprendi sobre o casamente neste tão breve período de tempo, apenas porque relatos assim me foram tão uteis.






I.                 Não há fórmulas mesmo. Sempre relativize concelhos.
Gostaria de começar lhe dizendo isso. Por mais bem sucedido que seja um casamento não há fórmulas que possam ser dadas. Cada pessoa é de um jeito e cada casal tem a sua história. Sei que é um pouco clichê, mas mesmo sabendo disso tão bem, muitas vezes me peguei querendo fazer meu casamento funcionar conforme “dicas”. Isso nunca é bom, porque, primeiro gera uma artificialidade na relação,  uma vez que tira a naturalidade e espontaneidade das pessoas, e segundo porque aquela “dica” pode realmente não servir para vocês. Então quero que inclusive o que vou dizer seja relativizado, e visto como um compartilhamento de experiências e não “dicas” de como ter um bom casamento, ou algo assim.


II.                Não queira conversar demais sobre tudo. Isso é querer fazer de cada pequena coisa um problema relevante.
Todos sabem que homens e mulheres são diferentes, e que mulher ama conversar. De fato, ter um bom fluxo de diálogo entre os cônjuges é necessário e saudável. Mas não queira conversar sobre cada coisinha que lhe aborrece com o seu marido, os homens se cansam disso. Se conforme com o fato de que haverão dias em que seu marido não estará com a menor paciência de lhe ouvir, enquanto você procura entender as causas de ele deixar a toalha molhada em cima da cama ou os sapatos jogados no meio da sala. Ele pode conviver com o fato de você sempre pedir para ele arrumar essas coisas, mas não de você querer analisar o porquê disso – com ele!


III.              Não queira ter razão, queira ser feliz.
Discussões acontecem. Faz parte da vida a dois. Mas quando a discussão é séria, normalmente os dois se chateiam e os dois se magoam. Então não fique esperando o outro lhe procurar e lhe agradar buscando o perdão; mesmo que para você haja mil motivos para se considerar certa, e assim ser obrigação do outro que errou buscar a reconciliação. Não queira estar certa queira ser feliz! Sei que é uma coisa difícil de fazer, mas certamente tem efeitos enormes no dia-a-dia de vocês. É melhor passar meia hora brigado do que o dia todo.



IV.             Se humilhe. Isso mesmo! Se você conseguir amar mais a outra pessoa que a si mesmo, você será conforme a vontade de Deus.
Isso tem relação com o ponto anterior. Quase todos nós somos muito orgulhosos. Se você pensa estar certo durante uma discussão, será certamente uma humilhação buscar a reconciliação, pedir desculpas. Se você pensa merecer reconhecimento por algo que fez e não recebe, se sente humilhado, como por exemplo, se arrumar toda e não ouvir uma palavra de elogio do seu marido. Nessas horas lembre-se de Nosso Senhor Jesus, que tantos nos amou e se humilhou por nós; morreu por nós, para nos dar o Céu, que é a maior alegria que existe, e quantas e quantas vezes somos ingratos, não O louvamos e até O ofendemos. Se você pensa assim, não será tão difícil se humilhar  e pedir perdão primeiro, mesmo que o erro do outro seja mais grave que o seu.



V.               Suporte os defeitos, veja que você também erra.
Às vezes quando vemos o defeito do outro nos esquecemos dos nossos. Por isso, Nosso Senhor disse que olhamos o cisco no olho do outro e esquecemos a trava que está no nosso. Eu sempre reclamava de pequenas coisas que o meu marido fazia e que me irritavam (como deixar coisas jogadas em cima do sofá), até que um dia ele sem paciência disse: você também faz um monte de coisas que me irritam e não encho o seu saco por isso. É comum nós mulheres pensarmos que o homem tem mais defeitos que nós simplesmente porque nós falamos mais sobre o defeito deles enquanto que eles se calam em relação aos nossos. O que eu fiz à respeito? Pedi desculpa, e disse que ele poderia sim, me dizer coisas que eu fazia e o incomodava, e iria procurar melhorar em relação a isso, do mesmo modo que esperava que ele melhorasse; e também que deixaria de falar tanto sobre isso (que tem haver com o que eu falei no tópico II).



VI.             Se doe sempre. Procure sempre pensar em como fazer o seu cônjuge mais feliz.
Casamento é entrega e doação. Procure não entrar na lógica, “você não me faz feliz!”. Pense sempre no que você poderia fazer pelo seu cônjuge. Agindo assim você dá um testemunho cristão, realiza verdadeiramente o objetivo do matrimônio e incentiva seu marido a fazer o mesmo, pois se ele estiver feliz certamente vai querer que o mesmo aconteça para você. Já se a relação se baseia em acusações e cobranças a tendência é vocês se tornarem cada vez mais distantes.



VII.            Sempre que for criticar algo tente ser verdadeiramente sincero e gentil.
Certamente haverão momentos que se fazem necessárias as críticas. Ninguém é perfeito, e quando um cônjuge erra (de maneira grave) cabe ao outro corrigi-lo e incentivá-lo a fazer o correto. Mas o faça com verdade, não faça drama. Não diga coisa do tipo “Você nunca faz isso!”, “Jamais será capaz!”, “Impossível!”, etc. O mais comum é que frases desse tipo venham carregadas de emoções do que realmente de fatos. Procure dizer a verdade e não carregar a crítica de hipérboles. Além disso, tecer uma crítica não é gritar nem ofender. Procure sempre ser gentil.



VIII.          Não se fechem em si mesmos. A presença de bons amigos é sempre tão proveitosa.
Eu costumo ver casais que se fecham em si mesmos e se afastam dos amigos. Claro que devemos selecionar nossas amizades, especialmente as mais próximas, que participarão da intimidade do nosso lar. Mas a presença de bons amigos traz grande proveito. São pessoas que, além da nossa família, nos ajudam nas dificuldades, aconselham e nos fazer ver que não é só a gente. Penso sempre quando ao conversar com algumas amigas minhas que são casadas vejo que não é que eu tenho um marido desligado e insensível, é apenas que eu tenho um marido que é homem, igual a todos os homens.



IX.              Aceite o amor que a pessoa pode lhe dar. Não espere que as pessoas lhe amem a seu modo.
É tão libertador entender que cada pessoa ama a seu modo! Muitas vezes nos entristecemos ao pensar que alguém não nos ama, no entanto o que ocorre é que esperamos que uma pessoa demonstre amor de uma determinada maneira e ela não o faz; mas não porque não nos ama, mas porque seu modo de demonstrar é diferente. E perdemos tanto tempo querendo que a pessoa faça isso ou aquilo que deixamos de aprender a enxergar as provas de amor que ela nos tem a oferecer. Quando choro, por qualquer motivo, meu marido nunca me consola. E isso me entristecia tanto, pois pensava que ele não se importava e assim, não me amava. Perguntava a ele o porquê, ao que dizia que quando acontecia de eu chorar (que realmente não é coisa comum) ele ficava sem saber o que fazer e acabava por não fazer nada. A mim custava a acreditar, pois como você pode ver alguém que você ama chorando e não fazer nada!? Até que entendi que EU amo assim, ele não. Então tive que aprender a ver como ele me amava, e vi que às vezes meu marido para e fica me olhando um tempão sem que eu esteja vendo, só percebo muito tempo depois. E é por isso que sei que ele me ama.



X.               Pense em Deus. Se possível reze.
Por fim, gostaria de lhe dizer que pense sempre em Deus, na Virgem Maria e nos santos. O testemunho de suas vidas vão lhe dar foças para fazer sempre mais e melhor seus afazeres, a superar as dificuldades e a perdoar (esta última tão importante na vida a dois). Não vou dizer reze sempre. Porque sei que essa não é a realidade de muita gente (inclusive minha, que rezo muito pouco). Para ter uma vida de oração digna é preciso vontade e disciplina, o que muitas vezes não temos. Por isso lhe peço (e exijo de mim) algo mais simples: lembre-se Deus, do quanto Ele lhe ama; de como Ele gostaria que fosse a sua vida, a sua família; das bênçãos que Ele derrama sobre você; e de que o menor gesto feito com amor não ficará sem recompensa. Se Deus estiver sempre presente em sua mente, uma hora ou outra você vai querer uma conversa mais demorada, um momento a sós – e aí sim, será oração.







sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Para meu noivo

 Entre guloseimas e fricotes escolhi presenteá-lo nesses últimos 
instantes de solteiro com minha alma, através dessas palavras.
 Ah, tantas coisas a serem ditas, e ao mesmo tempo não as acho
dignas de dizê-las no momento crucial em que cruzamos a linha
de ser dois para ser um. Então, direi apenas o que num grito o 
coração desvelar e todo o mais será dito com um olhar quando
 à porta da igreja nos encontrarmos.



Véspera

Como vocês devem ter notado, tenho estado muito por aqui nos últimos dias. 
Tenho sentido tanta coisa, e o desejo de se expressar é grande.
No blog, ao mesmo tempo em que posso estar falando para um milhão de pessoas, não estou falando com ninguém - o que para mim é a forma ideal de comunicar meus sentimentos, pois falo com um interlocutor real que pode ser do modo que queira; e também me isenta das críticas (a não ser que deixe um comentário rsrs).

Além disso tive mais tempo esses dias. Tempo que criei para esse momento, pois queria viver os últimos de que falei no outro post bem calmamente. No entanto, mesmo passando esse dias calmamente sou tomada pelo desejo de que passe logo. 



Quando eu era criança meu avô tinha uma casa na praia, e quando íamos chegando próximo a essa praia tinha uma grande ladeira que o carro precisava subir, e lá do alto da ladeira a gente podia ver uma pequena faixa de mar, quando ainda faltava poucos quilômetros para de fato chegarmos à praia. Sempre meu avô puxava a brincadeira de quem iria ver o mar primeiro. Só meu avô fazia isso, então eu e minha irmã sempre pedíamos para ir no carro com ele. Ao se aproximar da ladeira já nos preparávamos: primeiro corria o aviso geral, em seguida eretas no banco nos esticávamos ao máximo, e então irropia o grito de alguém "Eu vi! Eu vi primeiro!". Se houvesse controvérsias, ou se dizia, "Viram juntas" ou "Então, a outra tomará banho de mar primeiro".

Parece uma grande bobagem, no entanto eu cresci, a brincadeira acabou (porque eu já era grande de mais, madura demais, chata demais para brincar com o meu vovô) e ainda levaram-se anos para perceber que todos só poderíamos ver ao mesmo tempo, já que estávamos no mesmo ponto. Meu avô me fez uma criança feliz, me fez uma criança sábia, me fez uma criança ingênua e pura o quanto pode (Obrigado, vô!); pena que só vi esse tesouro agora.
Isso tudo para amenizar a ansiedade de chegar o veraneio e ir para a casa de praia com todos os meus primos e tios, sem dever de casa, como banho de mar e muita areia.

Como eu queria uma ladeira antes do casamento! Para dar uma espiada no que virar. Uma espiada com meus próprios olhos.

O casamento está logo ali. Mas esse será um veraneio sem volta; e isso me assusta um pouco. Eu sei que essa não é uma coisa muito "bonita" de dizer. Ninguém espera ouvir uma noiva dizer que tem medo - não ao menos se ela ama o noivo e desejou por longos quatro anos e seis meses de namoro ficar com ele definitivamente (tá, tudo bem, foi menos que isso. Porque afinal levou um tempo para eu saber se era ele mesmo).

Mas é que eu estou entre a ansiedade para o grande dia e já com saudade da minha casa, da minha família, da minha rotina (de solteira). Minha mãe se consola dizendo que nada vai mudar, que eu vou só me mudar para logo ali. Mas não é verdade! Tudo vai mudar, inclusive eu. E não tem ladeira do casamento. O que há é uma montanha de expectativas e uma esquina a dobrar.


Essa não era a praia que eu ía, mas a visão era mais ou menos assim.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Natureza da União Conjugal




A união conjugal é, pois, acima de tudo, um acordo mais estreito que o dos corpos; não é um atrativo sensível nem uma inclinação dos corações o que a determina, mas uma decisão deliberada e firme das vontades: e desta conjunção dos espíritos, por determinação de Deus, nasce um vínculo sagrado e inviolável.
Esta natureza própria e especial do contrato o torna irredutivelmente diferente das relações que têm entre si os simples animais, sob o único impulso de um cego instinto natural, em que não existe nenhuma razão nem vontade deliberada; torna-o totalmente diferente, também, dessas uniões humanas irregulares, realizadas fora de qualquer vinculo verdadeiro e honesto por vontades destituídas de qualquer direito de convívio doméstico.


Fonte: Encíclica Casti Connubii (Papa Pio XI)

Dor e sentido

Fui fazer minha sobrancelha para o casamento e a moça sugeriu-me fazer também o buço (coisa que não só não faço, como nunca fiz). Como é para uma ocasião mais que especial decidi fazer.

Meu Deus! que negócio para doer! Parecia que meu lábio iria ser arrancado no puxavante seguinte.

Pensando sobre essa experiência e tentado dar a ela mais algum sentido além de mero sofrimento estético percebi algumas coisas.

Primeiro que nós mulheres temos um disposição especial para suportar a dor, se essa para nós faz sentido. Por isso somos nós, e não os homens, que parimos. Claro que podemos desperdiçar esse dom de Deus com tratamentos estéticos (eu não pretendo depilar o buço nunca mais!) e dietas da sopa, da lua, do gelo e um monte de outras coisas que só alimentam nossa insegurança. Mas podemos direcionar isso para algo grande e realmente especial: ser mãe, esposa e dona-de-casa!

Esse foi um pequeno sofrimento estético na minha vida de noiva. Mas passei por muitos outros sofrimentos: sociais, econômicos, psicológicos, emocionais e espirituais. Quanta fortaleza é necessária! Como é difícil manter o foco! Em meio a tanta coisa nunca esquecer o propósito de formar uma família verdadeiramente cristã.

Lá no salão, enquanto comentava a minha dor (estética), vi alusões a dores do parto como uma dor horrível e absurda. E que paradoxal, pessoas que tiveram um único filho e fazerem depilação completa na cera todo mês! 

Como disse no início do post, essa reflexão é para tentar extrair algo de mais útil e duradouro da dor sentida. Então esse texto não é algo realmente elaborado, são na verdade elucubrações.

Certamente ninguém gosta de sofrer. Mas todos sofremos, uns mais outros menos. E ainda assim, qualquer um é capaz de suportar a dor sofrida, pode ser perder o chaveiro que você tanto gosta ou perder sua mãe.

A gente suporta porque há um sentido, não só para a dor sofrida, mas principalmente para seguir em frente. Para mim (e talvez para qualquer católico) o sentido maior de passar por tudo isso que é a vida é ir para o Céu. Mas não simplesmente passar, mas viver a vida como ela merece ser vivida; honrar o motivo pelo o qual Deus lhe deu a vida.

Ontem, 15 de outubro fizemos memória de Santa Teresa D'Ávila, e ela disse algo que tocou profundamente meu coração: "Comparada ao Céu, esta vida é uma noite mal dormida em uma estalagem ruim"

Assumir a responsabilidade de um casamento cristão, me trará muitas alegrias, mas certamente me trará sofrimentos. É a certeza de que não é apenas por isso aqui que me cerca a finalidade das coisas que faz com que eu siga em frente confiante. Pois não passarei por nada sozinha (Deus estará comigo), pois não passarei por nada em vão.

Último

Estou a três dias do casamento e tantos sentimentos me ocorrem.

Desde que a semana se iniciou com a Missa dominical (caso vocês não lembrem, o domingo é o primeiro dia da semana) estou vivendo as minhas últimas coisas de solteira.

Tive minha última Missa de solteira, com o véu branco pela última vez. Tive meu último almoço de domingo com meu noivo e amigos no shopping. Tive a última vez que forneci meu endereço atual. A última vez que meu noivo me viu pegar o ônibus e voltar para casa. E ainda terei a última noite na minha cama de solteira. Meu último telefonema de boa noite para o meu noivo. Meu último acordar sozinha. e o último dia que não serei eu a responsável pelo almoço.

E certamento estou vivendo muitos outros "últimos", que só perceberei que foram últimos quando tiverem passado e me der falta.

Tento fazer com que o dia siga normal, e que as coisas aconteçam como devam ser, mas a verdade é que nesta última semana, parece que a única coisa que faço é matar o tempo para ver sábado chegar. E ao mesmo tempo parece que não chegará nunca. 

Talvez seja mesmo o que se chama ambiguidade de sentimentos. Aquela grande coisa que queremos, mas talvez não agora, não ainda. Porque afinal nunca estaremos prontos o suficientes para o desconhecido.

Quero desfrutar das minhas últimas coisas, mas sem alvoroço. Porque, na verdade, as coisas não são as últimas, eu é que não serei mais a mesma.

domingo, 6 de outubro de 2013

Vestido para casamento

Oi!

Se você foi convidada para ser madrinha de um casamento talvez esse post possa lhe interessar. Se o casamento do qual será madrinha terá cerimônia religiosa é de bom tom estar atenta as normas da religião.

Algumas noivas definem o modelo, outras apenas a cor; mas de qualquer forma é sempre bom conversar com a noiva para saber o que ela tem em mente, para estar em sintonia com o estilo do casamento e da noiva (mesmo tendo a liberdade de se vestir dentro do seu próprio gosto).
Importante também saber que se a noiva expressa um desejo, como por exemplo estarem todas com tons claros, não vá se fazer de desentendida e aparecer no dia de uma maneira diferente da qual ela pediu. E não conta muito fazer comentários com a noiva do tipo, "ah, talvez não dê certo ir do jeito que você pediu", "não estou achando nada adequado dentro da proposta", "não achei muito boa suas sugestões, vou um pouquinho diferente", muitas noivas vão dizer que tudo bem mesmo não estando. Se coloque no lugar da noiva, seria bom se você pudesse contribuir para o dia estar do jeito que ela deseja, e não do seu. 
Se ela propor algo que você realmente não usaria de modo algum, converse com ela, explique seus motivos e veja o que é possível ser feito, decidido em conjunto com vocês duas, ao invés de decidir por você mesma.

Bom, depois de dito isso, à seguir trago algumas sugestões de vestidos para madrinhas (tendo em vista ser casamento religioso).




















terça-feira, 24 de setembro de 2013

Meu casamento: Bolo com champagne

Como falei anteriormente aqui, meu casamento será na igreja e logo após será servido bolo e champagne (na verdade espumante).





Falando um pouquinho mais sobre esse tipo de festa:

Características:

Celebração rápida e discreta; com participação rápida dos convidados.

Não precisa ser realizada em salões, pode ocorrer na casa de um dos noivos.

Não há mesas ou lugares marcados. 

Recomenda-se que a celebração ocorra até as 17h.

Recomenda-se que não se tenha um número extenso de convidados.


Como organizar:

Não há messa no estilo jantar, mas deve haver algumas mesas de apoio, e claro, cadeiras para os convidados; mas em em número menor do que o número de convidados, pois nesse formato de festa o normal é permanecer em pé, já que será uma recepção rápida.

Simples não quer dizer desarrumado. Escolha uma bonita toalha para a mesa. Se possível coloque alguns arranjos de flores naturais. Se não der, há muitas formas criativas de decorar de forma econômica.

Pode haver músicos. Se você fizer celebração religiosa pode tentar fechar um pacote para os músicos tocarem nos dois momentos. Se não está no seu orçamento, faça uma seleção de músicas que você e seu noivo gostam e coloque num sonzinho em volume ambiente.

Você pode alugar a louça ou usar descartáveis de luxo. Para quem não conhece é um descartável mais firme, tipo acrílico, que imita louça e é bem bonito (no meu casamento usaremos desse), além de ter de tudo, copo, prato, taça de todos os tipos, potinhos, etc.

Se a parede que fará fundo para o bolo estiver "meio caidinha" providencie biombos ou tecidos para embelezar o local e render lindas fotos.

Não é necessário contratar garçom. Mas se possível, contratar um ajuda na hora de servir, será bom. No caso do meu casamento serão minhas madrinhas que me ajudarão a servir. ^^

O espumante será servido no momento de partir o bolo; que deve acontecer sem muitas delongas. Caso você queria bater um milhão de fotos, faça depois do brinde; não é nada elegante deixar seu convidados esperando para comer um pedaço de bolo. (rs)

Depois de servir o bolo é hora de jogar o buquê! Para mim esse é o momento da festa mais emocionante. Espero que todas as mulheres se encaminhem para pegar meu buquê. hehe

E por fim, a noiva pode entregar pessoalmente as lembrancinhas do casamento. Uma boa (e tradicional) sugestão é o bem-casado, que é uma lembrancinha e comida, tudo ao mesmo tempo. (rs) Se você não quiser distribuir pode deixar dispostos em uma mesa próximo a saída para cada um pegar o seu. Calcule uma lembrancinha para cada convidado e mais vinte por cento do valor total (tipo, se são 100 convidados, você fará 120 lembrancinhas), isso porque sempre tem alguém que leva mais de um. hehe

O que servir:

Bolo e espumante!  (kkk)

O bolo é a estrela, então além de bonito deve ser gostoso. Para saber o tamanho necessário, calcule aproximadamente 150g por pessoa.

O espumante deve ser servido entre 6º e 8ºC. Procure por espumante Moscatel, que são adocicados e de boa acidez, combinando bem com bolo. Calcule uma garrafa para cada 6 pessoas.

Podem ser servido docinhos. Calcule de 6 a 8 por pessoa. Mas neste caso, a proporção do bolo fica sendo 100g por pessoa.

Lembre-se que nem todo mundo consome bebida alcoólica, então é preciso providenciar ao menos água; mas também pode ser servido refrigerante. Não é necessário haver vários tipos de refrigerante, comumente se serve um sabor cola e guaraná. Geralmente se calcula-se 400ml de refrigerante por pessoa e 200ml de água.

Há cada duas crianças você conta uma pessoa no buffet.


Bom, espero ter ajudado. É uma opção simples, econômica e elegante de festa.



          Falando de vinhos






Meu casamento: e a festa (?)


Já falei em alguns posts sobre meu casamento. E cá estou eu de novo.  ^^



Sempre pensei em quando noivasse já noivaria com data, porque a finalidade do noivado é ser o tempo de preparação para o casamento. Mas assim que noivamos ainda tínhamos algumas incertezas ligadas a questões financeiras. Passados alguns meses, fomos percebendo que a nossa decisão de casar tinha que estar ligada a uma resolução pessoal e espiritual e não financeira. E confiantes na Providência marcamos a data.

Namorávamos há quase quatro anos e estávamos noivos há quase um. Então em janeiro deste anos marcamos a data para outubro. Já tínhamos uma pequena economia própria e que ao noivarmos empenhamo-nos mais em aumentá-la para poder montar a casa e fazer o casamento.

Todos os meses ao invés de sairmos para algum lugar ou comprarmos alguma coisas que queríamos, mas que não era essencial, comprávamos algo para a nossa futura casa; e assim fomos fazendo nosso enxoval.

Infelizmente, não contamos com o apoio de muitas pessoas, especialmente assim que tomamos nossa decisão [atualmente, ou porque aceitaram ou porque não tem mais jeito nossa família encara bem (rs)]. Então era com o nosso pouco e suado dinheiro que teríamos que fazer tudo!

Nós temos duas grandes prioridades em relação ao nosso casamento: casar na igreja e montar nossa casa.
Festa, lua-de-mel, bem-casado, fotos... Tudo seria secundário.

Quando se começa a pesquisar valores, você cai para trás. No mundo dos casamentos tudo é muito glamouroso e caro! Se você diz que vai casar na igreja então!? Só pode ser rica! Porque pobre casa no civil e olhe lá! Porque deveria mesmo era só "se juntar".

É cômico e trágico.

Depois de falar com o padre, reservar a igreja e providenciar o meu vestido e o terno do noivo fomos pensar na nossa casa. Vimos o que seria o mínimo para ter numa casa e o que sobrasse seria para incrementar o casamento.

Pois é, mas aí não sobrou muita coisa.

Foi difícil eu aceitar o fato de que simplesmente eu não podia ter uma festa. Nem mesmo uma pequenininha, simplesinha.
Aperta aqui e ali, e mais um pouco e... será que vai dar? Não, não vai.

O único serviço que contratamos foi a decoração da igreja, e essa ainda assim bem simples. A decoradora foi um amor e super compreensiva [eu indico muito: Kiart Flores], fechamos com ela.

Quanto aos convites, eu criei o convite no [word mesmo], compramos folhas vergé (uma folha tamanho A4 só que mais durinha) e envelopes; achamos na internet sinetes e cera, para fechar o envelope com um selo estilo medieval. Chique, né? Mas por ter sido nós mesmos que fizemos saiu por menos da metade do preço do que se tivéssemos encomendado.
O mesmo fizemos com o missal (mais conhecida como folhinha da Missa): fizemos no Word, imprimimos e tiramos xérox, montamos nós mesmos em formato de livrinho.

Foi aqui que a Providência agiu no meu casamento. Minha avó pagou um bolo e deu mais um dinheiro para ajudar a comprar a bebida (e nós inteiramos o restante). 
ÊBA! Vai ter bolo! ^^
E minha sogra pagou o fotografo. =]

O bolo com espumante será servido no salão da igreja, e o padre não cobrou nada a mais pelo uso do salão. A moça da decoração cobrou apenas uma taxinha pequena para também decorar a mesa do bolo e o salão.



Depois que tudo se encaminhou, depois de muita angústia e lágrimas, depois de tanto aperto, olho com muito carinho para como será o meu casamento.
Às vezes somos tentados a pensar que Deus só age na nossa vida quando acontece um grande milagre, mas vejo muito a mão de Deus em tudo que aconteceu.
Meu casamento não terá festa, mas será na igreja - como queria tanto. Terá o bolo com espumante para ser um momento para conversarmos com nossos convidados e prolongar mais um pouquinho esse momento tão especial.
Claro que gostaria de dar um big almoço que se extendesse por toda a tarde para os meus convidados, mas vejo que esse é um casamento mais coerente e simples. E onde há simplicidade o que é realmente importante pode se destacar.




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Meu casamento: Liturgia





Eu e o meu noivo frequentamos a Santa Missa no Rito Gregoriano (mais conhecido como Missa Tridentina). E não poderia ser diferente, nosso casamento, que será casamento com Missa, será celebrado na Forma Extraordinária.

Embora essa decisão parece muito natural, apenas nós dois de toda a nossa família somos tradicionais. Há pessoas que são simpáticas (bem poucas), há pessoas indiferente e há pessoas hostis ao rito antigo. Então, mesmo sendo essa a nossa vontade desde o princípio tivemos que pesar e ponderar muitas coisa antes de bater o pé perante toda a família.

Sei que muitas pessoas dizem (embora nem sempre sigam) que o casamento é dos noivos, que ninguém deve se meter e que eles devem fazer da maneira que quiser (especialmente quando são eles próprio que pagam tudo). Bom, eu não penso assim.

O casamento é dos noivos, mas é também das família, que agora iram se unir, que também celebrará junto, que sonhou com esse dia desde o nosso nascimento. Além disso, que vale convidar pessoas queridas para um grande dia se elas comparecerão contrariadas?

Como isso era algo muito importante para nós, decidimos conversar com a família sobre o valor que tinha para nós casar no rito antigo. Claro que não com toda família, na verdade, com nossos pais, irmão e avós.

Passada essa etapa, firmado o compromisso. Agora era ver toda a questão litúrgica.

A igreja que frequentamos [no final do texto há informações detalhadas] possui a Missa Tridentina desde 2007, mas até hoje nunca houve um sacramento ministrado nesse rito. Um rapaz lá da igreja viajou a Portugal e a gentileza de trazer para nós um Missal de 62 (numa versão para leigos, o que seria o equivalente as folhinhas da Missa, mas apenas com a parte que os fiéis acompanham, não é como o Missal do sacerdote), que também continha uma parte referente aos sacramentos para fazer a folhinha do dia. E o padre precisou consultar o Missal e ver como o casamento precisava ser celebrado.

Depois de visto isso, precisávamos escolher as músicas e os músicos. A música nem foi tão difícil, pois decidimos utilizar as que já eram cantadas comumente na igreja [mas se você que uma ajudinha ou inspiração, dê uma olhada nesse link]. O problema maior foram acha músicos dispostos a aprender músicas com letras em latim e estilo gregoriano (digo estilo, porque não precisava ser o gregorianos mesmo, mas apenas seguir os arranjos e melodias das músicas), quando era possível custava um valor muito (mas muito) acima do nosso orçamento. Já estávamos desanimados e sem saber o que fazer.

Foi aí que descobrimos o Grupo Tróveres. Pessoas legais, atenciosas, disponíveis e com um preço super acessível. Como só no Céu há perfeição, queríamos muito que fosse piano e voz masculina; mas o grupo é de cordas com voz feminina. Tivemos que lidar com essa frustração, mas ficamos confiantes ao ver a disponibilidade deles de pegar todas as músicas, de estudar canto gregoriano... Ficamos realmente felizes com a escolha (dentro do que foi possível fazermos).

Quanto a Liturgia, foi mais ou menos isso que passamos. Depois posto aqui o nosso missal de casamento (a folhinha da Missa). Os textos são belíssimos!



Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos


Informações:
A igreja onde assistimos Missa e onde será o nosso casamento é a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos; localizada na Travessa Gonçalves Dias, s/n - Cidade Alta (próximo ao TRE), na cidade de Natal/RN.

O Celebrante (da Missa Tridentina e do casamento) é Monsenhor Lucilo Alves Machado.

sábado, 14 de setembro de 2013

Noivas inspiradoras

Você pode estar linda no dia do seu casamento sem precisar apelar para decotes, transparências e vestidos super colados.
A seguir noivas muito inspiradoras.



































sábado, 7 de setembro de 2013

Montando a casa nova

Olá!

Como vocês sabem irei casar-me esse ano. Às vezes acabamos nos prendendo tanto aos preparativos com a cerimônia e a festa de casamento que a casa nova vai ficando um pouco de lado, lembrando dela só quando estamos bem mais perto da data, pois todos os preparativos do casamento estão organizados e começamos arrumar nossas malas rumo a casa nova.



Embora, eu mesma não vá ter uma big festa, percebi que isso também aconteceu um pouco comigo. E tive verdadeiramente um susto quando percebi que teria que fazer minhas malas e organizar uma mudança pouco tempo antes do casamento. Perdida entre "rendas e cetins" até esqueci que ía deixar minha cama de solteira, meu guarda-roupa de solteira, meu nome de solteira para trás. Uau! É uma grande mudança! Então devemos procurar estar preparadas para todas essas mudanças da melhor maneira.

A seguir trago algumas dicas que fui recebendo (e percebendo) ao longo desse tempo de preparativos quanto a mobiliar a casa nova.

Dicas para montar a casa nova:

# A primeira e mais importante dica é que a sua casa tem que ter o seu estilo; então qualquer dica/opinião/sugestão a seguir tem que ser vista de acordo com o seu perfil, o tamanho da casa e a condição financeira dos moradores.

# Defina o que serão os espaços da casa. Haverá sala de jantar? Se houver um segundo quarto, qual finalidade terá? (quarto para visitas, escritório, sala de tv, etc.)

# Se houver algum reparo ou reforma a ser feita, deve ser feita antes de começar a comprar os móveis, afim de ter mais comodidade e também para não danificar os móveis durante a reforma. Nesse tempo, se for possível ir fazendo uma reserva de dinheiro para comprar os móveis à vista, melhor ainda, pois assim você poderá conseguir bons descontos.

# Comece pelo quarto. Porque é o comodo que tem os móveis mais caros e importantes, já que a sala pode ir sendo montada aos poucos e há mais peças decorativas, e a cozinha, a exceção dos armários, geralmente se ganha de presente de casamento as peças que a montarão (eletrodomésticos, louças, pano-de-prato, toalhas, etc.). 

# Na hora de comprar os móveis pesquise bastante os preços, e dê um espaço de tempo nas compras (de pelo menos um mês), porque assim você pode aproveitar promoções. Á vista é sempre mais fácil de conseguir bons descontos, mas se você não pode comprar à vista, não desanime! Negocie, negocie, negocie! Se valer à pena, compre mais de um móvel na mesma loja (por exemplo, cama e guarda-roupa ou geladeira e fogão), porque assim também é possível conseguir um desconto maior.

# Como hodiernamente as salas são sempre pequenas, essa dica vai especialmente para elas. Tenha em mãos as medidas dos cômodos e na hora de comprar os móveis cheque a metragem, assim você evita problemas posteriores, que vão desde pouco espaço para a locomoção à não caber os móveis que você comprou. Pode ser que você ache o móvel lindo, mas se não cabe, não cabe; continue procurando que uma hora você vai achar.

# Alguns móveis podem ser deixados para serem comprados depois e aos poucos (depois que vocês se mudarem), como criados-mudos, mesa de centro, aparador, suporte de TV, tapetes e objetos decorativos (abajur, quadros, vasos, cortina, espelhos, almofadas, etc). Assim você pode concetrar o gasto inicial no que realmente fará falta no início.


Espero que essas dicas ajudem vocês a montarem a casa nova com mais organização e economia.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

As bodas de Caná

Há algum tempo mencionei as Bodas de Caná, e como refletir sobre essa passagem da vida de Jesus me ajudou a entender melhor como deve ser um casamento católico.
Recentemente, descobri esse texto no site da Monfort que foi publicado em 05 de dezembro de 2004. Leiam, eu gostei muito!  ^^


Autor: Olando Fedeli



‘Et die tertia nupciae factae sunt in Cana Galileae; et erat mater ejus ibi.’ (Jo II, 1)


Foi nas bodas de Caná que Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo seu comparecimento, estabeleceu o sacramento do matrimônio.


Repare-se que estas núpcias foram realizadas ‘in die tertia‘, no terceiro dia. Ora, conforme nos explica e ensina São Paulo na sua Epístola aos Efésios (V,32), o Matrimônio é símbolo de um sacramento muito mais alto: o das núpcias de Cristo com a Igreja: ‘Este mistério é grande, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja’. Pois assim como o marido e a mulher têm filhos segundo a carne, assim Cristo e a Igreja geram os filhos de Deus.
São Tomás de Aquino, em seus esplêndidos ‘Comentários sobre o Evangelho de São João’ (Tradução, notas e Prefácio de M.D. Philippe O P., Edição Les Amis de Saint Jean, Rimont – Buxy , 1977), repete o que diz São Paulo: ‘Em sentido místico, as núpcias significam a união de Cristo com a Igreja’ (Ed. Cit. Cap. II, Lição I, nº 338, vol. I , p. 338).
Ora, toda geração cristã legítima se faz através do matrimônio. Era, pois, muito conveniente Cristo, cabeça divina da Igreja e seu Esposo, principiasse sua ação apostólica, pela instituição do matrimônio. Daí ter ele comparecido a essas núpcias, em Caná, juntamente com seus Apóstolos e com sua Mãe Santíssima. ‘Et mater ejus ibi‘. E sua mãe estava aí.

Também era muito próprio que isto ocorresse ‘in tertia die‘, porque este era o terceiro dia em que Deus estabelecia uma união com os homens. Pois, no primeiro dia do homem, na manhã original da criação de Adão e Eva, Deus os abençoou e estabeleceu que eles deviam ‘crescer e multiplicar-se’ (Cfr.Gen. II, 28), a fim de que muitos participassem da vida e felicidade divinas. E esta foi, em certo sentido, a primeira aliança de Deus com o homem. E a esta primeira aliança o homem foi infiel quando cometeu o pecado original.
Num segundo dia, Deus firmou sua Aliança com Abraão (Gen. XII, 2-3), prometendo-lhe uma grande descendência, assim como a sua benção e proteção. Foi dessa aliança que nasceu o povo eleito, com o qual Deus firmou seu pacto no Sinai.
Agora, ‘in die tertia‘, Cristo instituía o sacramento do Matrimônio, imagem de suas núpcias eternas com a Santa Igreja.
E São Tomás, comentando essa expressão – ‘in die tertia‘ – diz que o primeiro dia foi o da lei natural; o segundo foi o da lei de Moisés; e o terceiro foi o dia da graça (Op. e ed. Cits. Cap. II Lição I, nº 338, p. 325).

Esta ação de Cristo se deu em Caná da Galiléia. Ora, Caná significa zelo, e o nome Galiléia tem raiz em Galut, que significa exílio. Porque, a Sabedoria divina exilando-se do céu, encarnou-se em Cristo, para , ardendo em zelo, vir a esta nossa terra de exílio, a fim de salvar os homens.

E Deus, Nosso Senhor, se encarnou para salvar a todos os homens, e não apenas os judeus. Por essa razão, Ele nasceu na Judéia, mas fez seu primeiro milagre e começou sua pregação na Galiléia. Ora, a Galiléia era mal vista pelos judeus, porque, depois do Cisma das Dez Tribos, ela pertencera ao Reino de Israel, e este Reino separara-se do culto oficial judaico no Templo de Jerusalém. Além disso, a Galiléia estava em próximo contato com as nações pagãs, sofrendo a influência dos fenícios idólatras. Por todas estas razões é que Natanael duvidou que o Messias pudesse vir de Nazareth, perguntando : ‘De Nazareth pode, porventura, sair coisa que seja boa ? ‘ ( Jo. I, 40).
E, entretanto, foi naquela que era chamada a ‘Galiléia das nações’, isto é, o exílio das nações, foi lá que cristo estabeleceu suas núpcias com a Igreja, porque, após a apostasia de Israel, Deus faria sua aliança com os gentios, no exílio.
Era, pois, entre os galileus, embora menos desprezados que os samaritanos pelos judeus, que Cristo ia iniciar a sua pregação. Queria Ele demonstrar assim que seu zelo não se limitava aos judeus, descendentes de Abraão, mas que Ele vinha, ao terceiro dia, para salvar todos os filhos de Adão.

Os noivos de Caná eram judeus, membros da Antiga Aliança, e suas núpcias se davam ainda de acordo com a Lei de Moisés e os costumes da Sinagoga. Eles representavam então as núpcias de Deus com a Sinagoga, que São Paulo comparou com as núpcias de Abraão com sua escrava Agar, e a de Jacó com Lia. Agar era a escrava e não a esposa legítima e primeira, e Lia tinha os olhos doentes e, por isso, não via bem. Assim, a Sinagoga foi a escrava e não a verdadeira esposa, e, quando chegou o Esposo, ela não o reconheceu, porque não viu nEle a realização das profecias, Ela ‘foi cega ao meio dia’, hora em que levantaram Cristo na cruz no Calvário. Pois, como o próprio Moisés profetizara, caso Israel fosse infiel: ‘ O Senhor te fira de loucura e de cegueira e de frenesi, de sorte que andes às apalpadelas ao meio dia, como um cego costuma andar às apalpadelas nas trevas, e não acertes os teus caminhos’ (Deut. XXVIII, 29). E Isaías confirmou isto ao profetizar: ‘Tira para fora o povo cego, apesar de ter olhos, o povo surdo, apesar de ter ouvidos’ ( Is. XLVII,8).
Mas Sara, a esposa legítima, foi abençoada, mesmo que seu filho tivesse nascido depois do filho da escrava. E Raquel, a segunda esposa de Jacó, mas que ele desejara ‘desde o Princípio’, Raquel tinha olhos claros e que viam bem, por isso o seu nome significa visão de Deus, e seu filho foi o preferido de seu esposo.

No Templo de Jerusalém, o povo da Antiga Aliança ofertava a Deus bois e cordeiros, o sangue e a gordura deles. Eram sacrifícios puramente materiais que faziam para reconhecer o senhorio de Deus sobre tudo o que possuíam. Estes sacrifícios simbolizavam o sacrifício que ia ser realizado no Calvário, e repetido no sacrifício da Missa sobre os altares da Igreja.

Os sacrifícios materiais dos judeus tinham pouco valor intrínseco. De fato, de que servem para Deus carneiros e bois imolados? Ademais, nem estes pobres sacrifícios materiais os judeus faziam de coração puro e com generosidade, e tinham se tornado cegos a seu significado.
Este vazio dos sacrifícios judaicos foi simbolizado no fato de que, em Caná, o vinho da festa de núpcias acabara nas urnas de pedra dos judeus. A incomparável superioridade do valor sacrifício de Cristo no Calvário e nas Missas – sacrifícios de valor infinito porque neles se imola o próprio Filho de Deus – é figurada na superioridade imensa do vinho feito miraculosamente por Cristo, em Caná, sobre o vinho que fora servido inicialmente aos convivas judeus.

Nas bodas de Caná, estavam presentes os Apóstolos de Cristo e sua Mãe Santíssima que eram membros do povo judeu, fiéis à revelação e à lei mosaica. Eles eram os restos fiéis do povo eleito, que sofriam com a decadência religiosa e moral dos filhos de Abraão, e com a cegueira dos sacerdotes, saduceus e fariseus.
Por essa razão, Nossa Senhora, cheia de zelo e de prestimosa caridade, é quem observa a Cristo: ‘Eles não têm mais vinho’ ( Jo, II, 3).

Falando da situação embaraçosa e humilhante em que se encontravam os pobres noivos de Caná, ela se referia, de fato e num plano superior, à situação lastimável do povo eleito, que já não tinha mais ‘vinho’ em seu coração, para ofertar a Deus no Templo. Era Israel como as virgens loucas da parábola, que já não tinham óleo em suas lâmpadas, quando chegou o esposo.

E que vinho era que faltava aos judeus?

São Tomás, no seu Comentário ao Evangelho de São João, que vimos citando, explica que aos judeus faltavam então três vinhos: 1º. o vinho da Justiça; 2º o vinho da Sabedoria; 3º o vinho da Caridade. Porque a Justiça dos judeus no Antigo Testamento era imperfeita, sua Sabedoria era em figura e não real, e sua Caridade não era filial, mas servil. (Cfr. São Tomás, Op. Cit. Cap. II, lição I, nº 347, vol. I, p. 332).

E por que estas virtudes foram comparadas por Cristo ao vinho?

O mesmo Aquinate no-lo explica dizendo: ‘ …o vinho é áspero, e é a esse título que a Justiça é chamada vinho(…) por outro lado, ‘o vinho alegra o coração do homem’ (Sl. CIII,15). É nisto que a Sabedoria é vinho, porque sua meditação traz a alegria mais viva (…) ‘Da mesma forma, o vinho inebria (…) por esta razão se diz que a caridade é um vinho(…) E a Caridade é dita ainda vinho em razão do ardor que ele produz’ ( São Tomás, Op. Cit. Cp. II, lição I, nº 347, Ed. Cit., Vol. I, pp. 331-332).
Quando Nossa Senhora disse a Cristo : ‘Eles não têm mais vinho’, a resposta de Nosso Senhor à sua Mãe, à primeira vista, pareceria dura àqueles que não possuem verdadeira compreensão da Sagrada Escritura. Disse Ele: ‘Quid mihi et tibi est, mulier? Nondum venit hora mea’ _ ‘mulher, que temos Eu e tu com isso? Ainda não chegou a minha hora’. ( Jo. II, 4).

Os protestantes se rejubilam, porque, segundo eles, Cristo teria dado uma resposta dura senão grosseira à sua Mãe, por chamá-la simplesmente de ‘mulher’ e não de Mãe. Na sua malícia esses protestantes nem se dão conta que, dizendo isso, estão acusando ao próprio Cristo Deus de faltar com a honra devida aos pais, como também de faltar com a virtude da mansidão.
Ora, examinando-se melhor a resposta de Cristo, se vê como ela é, de fato, elogiosa para com a Virgem Maria. Em primeiro lugar, convém lembrar que Ele a chamou de ‘mulher’, também no Calvário, dizendo do alto da Cruz: ‘Mulher, eis aí o teu filho’ ( Jo. XIX, 26).
Chamando-a de ‘Mulher’, Ele fala como Deus à sua criatura. Mas, ainda mais importante do que isso para compreender o texto, é que Cristo chama sua Mãe Santíssima de ‘Mulher’, para que todos reconheçam nela aquela ‘mulher’ que profetizou no Gênesis, quando amaldiçoou a serpente: ‘Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua raça e a dela, e ela mesma te esmagará a cabeça’ (Gen. III, 15).

Cristo, então, chama sua Mãe de mulher, para que todos reconheçam nela a mulher , aquela que esmagou a cabeça da serpente ao consentir na Encarnação do Verbo, ‘Semine ejus’, o Filho de Deus nascido de Maria Virgem. E assim como de Cristo se disse bem propriamente ‘Ecce Homo’ – Eis o Homem — , assim também é próprio dizer da Virgem Maria Mãe de Deus: ‘Ecce Mulier’ , Eis a Mulher, Mater et Virgo, aquela que possui as duas perfeições mais importantes da ‘Mulher’: ser Mãe e ser Virgem.
São Tomás comenta que Cristo chama Maria de mulher, para mostrar que Ele era Filho de Deus e de uma mulher, a fim de combater todas as heresias gnósticas, como a dos maniqueus e a dos cátaros, que condenavam a matéria como sendo má em si, e obra do deus do mal. Por isso, maniqueus e cátaros condenavam a mulher, o casamento e a procriação. Afirmando-se também como filho de uma mulher, Cristo condenava as heresias que negariam a sua humanidade, como iam fazer os eutiquianos, que afirmavam ter tido Ele apenas um corpo aparente e não verdadeiro.
Por tudo isso, convinha muito que o Evangelho salientasse que ela era ‘a mulher‘ e que afirmasse ser ela a mãe de Jesus: ‘E Mãe de Jesus estava aí’. Por isso também São Paulo afirma? ‘Deus enviou seu Filho, nascido de mulher’ (Gal. IV,4). Maria, pois, foi a mulher e a Mãe de Jesus.

Cristo afirma que nem Ele nem ela tinham qualquer responsabilidade pela falta de vinho, nas bodas de Caná. Não fora nem por causa de Deus, nem por causa dos justos de Israel que o povo eleito já não tinha nem o vinho da Justiça, nem a Sabedoria, nem a Caridade. Se a Sinagoga estava carente de vinho para as suas núpcias com Deus, isto era por culpa exclusiva dos maus judeus, principalmente de seus príncipes e doutores. Nem Cristo, nem a Virgem tinham qualquer participação na culpa da Sinagoga, da qual não compartilhavam nem da culpa e nem da decadência.

Não chegara ainda a hora de Cristo. Esta hora suprema a que Ele se referia chegaria na Páscoa Santa na qual Ele instituiria o sacrifício da Nova Aliança, na Santa Ceia do Cenáculo e, pouco depois, no Calvário. Agora, em Caná, foi o pedido da Virgem que fez Ele antecipar a hora dos milagres, pois este é o poder da oração: como que ‘forçar’ a vontade de Deus, tal qual Jacó forçou o anjo a abençoá-lo. O que lhe valeu o misterioso nome de Israel, isto é, ‘forte contra Deus’ (Gen. XXXII,28). Não que a oração mude a vontade de Deus, mas Deus condiciona a doação de suas graças e de seus planos providenciais à súplica dos homens.

Maior do que a força de Jacó arrancando a benção do anjo foi a força da petição de Maria arrancando de Cristo, seu divino Filho, a antecipação de sua hora. Por isso, mais do que Jacó ela merece o nome de Israel, ‘forte contra Deus’. Daí São Luís de Montfort, o grande Doutor mariano denominá-la de ‘omnipotência suplicante’. E mais do que a ninguém vale para ela o que Cristo disse dos violentos: ‘O Reino de Deus sofre violência, e todo dia os violentos o arrebatam’ (Mt. XI, 12).

Neste caso do milagre de Caná, Ele quis demonstrar que a transformação da água em vinho – primeiro de seus milagres públicos na ordem natural – se deu por causa das súplicas de sua Mãe a Virgem Maria.

Que importância tinha, em concreto, o ter acabado o vinho numa festa em Caná da Galiléia naqueles longínquos tempos ? Que era Caná, mísera aldeia de uma mísera província desprezada até pelos judeus ? Que era a Judéia, então ? E que eram aqueles pobres noivos de que não restou nem o nome, apesar do milagre enorme que por eles foi feito ?
O fato, de si, minúsculo da falta de vinho numa festa de casamento não tem qualquer importância aos olhos dos homens. Mesmo para os convivas, que importância maior teria o fato de terem que ir embora um pouco mais cedo porque o vinho acabara ? Que conseqüências haveria para o mundo e para a História, caso a festa de núpcias de um desconhecido e irrelevante casal de noivos, na irrelevante e desconhecida Caná se encerrasse antes da hora por falta de vinho ?
Nem a Galiléia, nem Caná, nem os noivos, nem a falta de vinho tinham de si qualquer importância. Mas. A delicada caridade e o afeto maternal de Maria se comoveram diante do embaraço daqueles pobres noivos que nada lhe pediram, mas a quem ela se apressou a socorrer, implorando a Cristo um milagre, ainda que fosse antecipando a hora providencialmente estabelecida.

E São Tomás, nos Comentários que dele estamos citando, nota que Nossa Senhora não esperou que necessidade dos noivos chegasse ao extremo. Quando viu que o vinho estava acabando, logo pediu a Cristo que desse remédio à situação ( São Tomás, op. Cit. Cap. II , Lição I, nº 345, Vol. I p. 330).
Foi essa caridade preventiva da Virgem Maria que levou Dante – sublime poeta a tantos títulos censurável – a escrever estes esplêndidos versos a respeito da bondade de Nossa Senhora:
‘Donna, sei tanto grande e tanto vali che qual vuol grazia ed a te non recorre sua disianza vuol volar sanz’ ali. La tua benignità non pur socorre a chi domanda, ma molte fiate liberalmente al dimandar precorre. In te, misericordia, in te pietate, in te magnificenza, in te s’adunna quantunque in creatura è di bontate’(Dante Allighieri, Divina Comedia, Paradiso, XXXIII,13-21).[Mulher, és tão grande e tanto vales que, quem graça e a ti não recorre, seu desejo é o de voar sem ter asas. A tua benignidade não só socorre a quem pede, mas muitas vezes, generosamente, ao pedir, precede. Em ti, misericórdia, em ti, piedade, em ti, magnificência, em ti se reúne tudo quanto na criatura há de bondade!']

Magníficos e verazes versos de um poeta que nem sempre foi veraz, porque mantinha uma ‘dottrina nascosta sotto il velame delli versi strani ‘ (Dante, Divina Comedia, Inferno, IX, 63).


Em seu Comentário ao Evangelho de São João , São Tomás nos diz que, a Virgem Maria, pedindo o milagre a Cristo em Caná, ‘representa nisto a Sinagoga, que é a mãe de Cristo: com efeito, os judeus têm o hábito de pedir milagres, como o diz São Paulo: ‘Os judeus pedem sinais’ (I Cor. I, 22).
Se Nossa Senhora pediu o milagre por caridade material, ela imediatamente dá aos servos do noivo um conselho que serve para todos nós: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Por este motivo também, não é então sem razão que a Igreja a chama de Mãe do Bom Conselho. Não só ela foi Mãe do Conselho de Deus Altíssimo, como é mãe que continuamente só nos comunica bons conselhos e aspirações.

Mostra então o Evangelho que Nossa Senhora pediu o milagre. Cristo o realizou, Os Apóstolos o testemunharam.
Prossegue o relato do evangelista dizendo que havia lá seis talhas de pedra preparadas para as purificações dos judeus, cada uma delas com duas ou três medidas, e que Cristo ordenou que as enchessem de água. É essa água que Jesus vai transformar em vinho.

São Tomás indaga por que Cristo quis usar água para fazer o milagre. Não poderia Ele ter feito o vinho do nada ? Claro que sim.
Portanto, se Ele usou a água foi por alguma sábia razão.
São Tomás excogita as seguintes razões para isso:
1ª Para demonstrar que a matéria é boa, ao contrário do que ensinariam os hereges gnósticos de todos os tempos ( maniqueus, cátaros e budistas); 2ª Para nos mostrar que, assim como Ele tinha poder de transformar a água em vinho, tinha também poder de transubstanciar o pão e o vinho em seu corpo, sangue, alma e divindade; 3ª Para nos fazer entender que Ele não vinha trazer uma doutrina nova, mas que o seu ensinamento era apenas o aperfeiçoamento do que Deus ensinara no Antigo Testamento. ( Cfr. São Tomás, Comentário…, Cap. II , Lição I, nº 358, ed. Cit. Vol. I, p.339).

Que símbolos contém a água ?

É certo que a água, de um lado simboliza a humildade, pois assim como a água escorre procurando sempre o lugar mais baixo, assim também quem é humilde busca sempre as posições mais baixas e nunca as mais altas. Se a água sobe aos céus é apenas em forma de vapor aquecida pelo Sol. Pois assim também, quem é humilde e busca os lugares mais baixos, é exaltado pelo ardor do amor de Deus que eleva os humildes acima das nuvens.
Por outro lado a água se adapta a todos os recipientes, simbolizando por isso as pessoas cordatas e mansas que não procuram impor-se mas que aceitam tudo o que lhes acontece como vontade de Deus.
E nossa irmã água – como poeticamente a chama São Francisco – ‘è umile ed utile, et pretiosa et casta’ (S. Francisco, Cântico das criaturas).

Todo símbolo, porém, é ambíguo. E São Tomás nos aponta outro símbolos postos por Deus na água. O Aquinate nos lembra que a água é um elemento frio e instável que, de si, corre sempre para os lugares mais baixos, até chegar no abismo do mar amargo. Ela representa, assim, os pecadores que friamente caem de pecado em pecado, de abismo em abismo, até se precipitarem, afinal, no amargo abismo do inferno.
As águas das talhas de Caná representam ainda os sacrifícios dos judeus no Antigo Testamento, que eram apenas imagens do Sacrifício do Novo Testamento. Os sacrifícios judaicos, eram ofertados por um povo que deixara a reta via, que matara os profetas e ia matar cristo o filho herdeiro da vinha. Essas águas representam então os pecados dos judeus que encheram até a borda os seus corações de pedra. Pois está dito que os servos dos noivos encheram as hidras até as bordas.

Por outro lado, foi Cristo que mandou encher as talhas. Portanto, elas estavam vazias. E essas hidras eram usadas, como dissemos, para as purificações judaicas. Elas estavam vazias, porque os judeus tinham seus corações de pedra vazios de qualquer arrependimento. Eram hidras vazias, porque as águas da purificação judaica eram mero símbolo das futuras águas do batismo que, elas sim, trazem a verdadeira e inteira purificação da culpa original.

Cristo mandou, então, encher as talhas de água, isto é, que os pecadores — de coração duro como pedra – enchessem esses corações , até a borda, com as lágrimas do arrependimento. E os servos seguiram o conselho da Virgem Maria e obedeceram a ordem do Verbo encarnado, e, por isso, lhes foi dado beberem o vinho excelente do milagre de nosso Senhor Jesus Cristo.
Eles eram servos, porque eram judeus, filhos da escrava, filhos da Sinagoga. Mas os aceitam serem purificados nas águas do batismo e nas lágrimas de um arrependimento sincero, estes serão chamados filhos, e eles beberão o sangue do Cordeiro celestial. Eles tomarão o cálice do sangue de Cristo, vinho da Nova Lei, vinho que aquece e que traz a alegria e o fervor do perdão, da graça e o ardor do amor de Deus, e o zelo pela virtude.

Eram seis as hidras de pedra em Caná. Seis, porque, ao criar o mundo, Deus usou seis dias e ao cabo desses seis dias, estabeleceu sua primeira aliança com os homens, e instituiu o primeiro casamento, ordenado a Adão e Eva que se multiplicassem.
Eram seis as hidras de pedra em Caná, e, comenta Hugo de São Victor que eram seis para representar também as seis idades do mundo, desde a origem até Cristo. E o grande São Tomás repete essa explicação do abade de São Victor, relacionando as seis talhas com as seis idades da história do homem.

Essa divisão da História em seis idades, desde Adão até o fim dos tempos — e que daremos a seguir – teve uma aplicação errônea nos escritos de Joaquim de Fiore, pai de tantas heresias milenaristas e escatológicas. Feitas, porém, as prudentes e necessárias ressalvas, de si, ela não é condenável, e, por isso, as citaremos na ordem e correspondência das idades do homem, conforme a exposição de Hugo de São Victor.

IDADES DO MUNDO
IDADES DO HOMEM
1ª De Adão até Noé
1ª Idade pueril do homem
2ª De Noé até Abraão
2ª Infância
3ª De Abraão a Daví
3ª Adolescência
4ª De Daví ao cativeiro de Babilônia
4ª Juventude
5ª Do cativeiro de Babilônia até Cristo
5ª Maturidade
6ª De Cristo até o fim do mundo
6ª Velhice
7ª A vida eterna
7ª O Reino dos Céus.

Foi no sexto dia que Deus criou Adão e Eva, revelou-se a eles, e ordenou que se multiplicassem, dando-lhes a lei que proibia comer o fruta da árvore do conhecimento do bem e do mal. Assim também, na sexta idade, o Filho de Deus se tornou homem, instituiu o matrimônio como sacramento, fundou a Igreja, dando-lhe a lei evangélica. Na sexta idade se deu a Redenção.
Convém salientar que, segundo esse esquema das idades da História – ao contrário do esquema joaquimita que era milenarista – a sétima idade, a do repouso, está além deste mundo, além da História. O Abade De San Giovanni in Fiore com todos os eus seguidores quiliásticos, pelo contrário, esperam um reino de Deus, religiosos político e social, ainda neste mundo . Hugo de São Victor afirma que a sexta idade vai até o fim do mundo, e que, portanto, não haverá um Reino de Deus neste mundo, porque Cristo afirmou: ‘Meu Reino não é deste mundo’ (Jo. XVIII, 36).

Conforme diz Hugo de São Victor, as seis hidras de pedra das bodas de Caná representam ainda os cinco sentidos corporais e o senso interior que unifica as informações dos cinco sentidos. As seis hidras da purificação continham as águas que purificavam os pecados de nossos seis sentidos.

Enfim, convém fazer referência ao fato de que as hidras eram seis porque, além do sacramento do matrimônio instituído então por Cristo, em Caná, Ele ia nos dar mais seis sacramentos, que conteriam o vinho da graça, capaz de nos dar o vigor, o calor e a doçura, para enfrentarmos as dificuldades morais nas várias situações e dificuldades de nossa vida espiritual. É possível interpretar também as seis hidras como seis sacramentos, sendo o sétimo, a Eucaristia, aquele que nos dá o próprio Cristo com seu corpo, sangue, alma e divindade, representado pela próprio Jesus Cristo, presente em Caná.

Está dito ainda no Evangelho que cada hidra continha duas ou três medidas, porque cada sacramento nos dá uma graça sacramental, própria de cada sacramento, além do aumento da vida da graça em nós, o que perfaz duas medidas. Mas, três sacramentos – Batismo, Crisma e Ordem – além da graça sacramental própria e do aumento da vida da graça santificaste, imprimem caráter em nossas almas, o que perfaz a terceira medida.

Hugo de São Victor ensina que as hidras tinham duas ou três medidas, porque elas estavam destinadas a conter as águas da purificação. Ora, nas tentações que nos podem levar a pecado, pode-se distinguir:
1º — A deleitação, na sugestão pecaminosa; 2º — O pleno conhecimento e pleno consentimento da vontade; 3º — A própria obra pecaminosa.

Ora, conforme falte gravidade da matéria de pecado, ou pleno conhecimento e pleno consentimento, o pecado será venial e não mortal. Por isso, o arrependimento deve também conter duas ou três medidas.
E as seis hidras eram de pedra, porque nossos sentidos são empedernidos por nossas culpas, e nós só as lavamos quando as enchemos com as lágrimas de nosso arrependimento e de compunção. E as águas são convertidas em vinho, porque o pranto da culpa é convertido pelo perdão na alegria trazida pelo vinho da graça.
Hidras de pedra – porque a Igreja é de Pedro e contém firmemente as graças do Vinho Eucarístico.

São Tomás de Aquino faz outro comentário ainda, e muito curioso, sobre o significado das seis urnas dos judeus, que Cristo ordenou que fossem cheias de água. Diz ele que ‘no sentido místico [ é preciso compreender que] nas núpcias espirituais, a Mãe de Jesus, a Virgem bem-aventurada, está presente na qualidade de conselheira das núpcias, porque é por sua intercessão que somos unidos a Cristo pela graça’ (Op. Cit. Cap. II , Lição I, , nº 343; ed. Cit. Vol I, p.328).

De outro lado, a pedra das hidras representaria os judeus enquanto as águas seriam os gentios. O vazio das hidras e seu preenchimento pela águas significaria a substituição dos judeus pelos gentios , no Novo Testamento.
E por que as águas, elemento líquido, seriam os gentios, e a pedra – ou a terra, o elemento sólido, os judeus ?

Várias passagens da Escritura indicam isto. Por exemplo, o nome de Moisés, significa ‘Salvo das águas’, não só porque ele foi salvo das águas do rio Nilo, como também porque ele foi salvo do egípcios que eram gentios.
Também, durante o êxodo, ao chegarem a Mara, os judeus só encontraram águas amargas, isto é, salobras e impróprias para saciarem a sede. Porém, quando Moisés lançou nelas o seu bastão de madeira, elas ficaram doces e potáveis. Por que isto ? Porque as águas – os gentios – que não eram ‘potáveis’ para Deus por causa de sua idolatria, tornaram-se doces e potáveis, quando nelas foi lançado o madeiro da cruz de Cristo. Por isso também, Cristo caminhou sobre as águas e ordenou a Pedro que fizesse o mesmo. E Pedro duvidou e começou a afundar, para representar que, em certo momento, ele duvidou da legitimidade do apostolado com os gentios e ‘judaizou’ na questão das carnes proibidas, e , por isso, foi repreendido por São Paulo.

O arquitriclínio experimentou o vinho miraculoso de Cristo e o julgou excelente. Não conhecendo ainda a sua origem miraculosa, falou de sua estranheza ao noivo, dizendo-lhe que, normalmente, os homens servem primeiro o vinho melhor, e depois que os convidados já estão satisfeitos, servem então o pior.

Evidentemente, servir o vinho pior no final da festa não pode ser a norma de Deus., porque envolve falta de generosidade e uma certa astúcia. A cias de Deus não são as vias dos homens. Deus nos dá primeiramente o vinho pior – as agruras e as cruzes da vida – para, depois, nos dar o vinho generoso e perfeito da festa celestial, por toda a eternidade. Antes, temos que tomar o caminho estreito e pedregoso, para, depois, recebermos nossa recompensa imensamente grande, que será o próprio Cristo. Antes, Ele deu aos judeus o vinho do Antigo Testamento, que era apenas um prenúncio do ‘vinho’ eucarístico, que é o próprio sangue de Cristo.

Desse ‘vinho’ melhor, o arquitriclínio não compreendeu a origem, pois não vira o milagre. Assim também, do Messias, os judeus ignoravam a sua origem, e, por isso, lhe perguntavam : ‘De onde vens Tu ? ‘ 
E Cristo lhes dizia: ‘Vós não sabeis de onde Eu venho’ ( Jo. VIII,14).

Desse modo os judeus não conheciam a origem divina do Verbo, por sua geração eterna no seio de Deus Pai, nem sua encarnação no seio virginal de Maria Santíssima. E, quando Ele a exprimiu, eles recusaram aceitá-la, e tomaram pedras para matá-Lo (Jo. 8, 59 ). Por isso os judeus, desconhecendo a origem divina do Messias não receberam, porque não quiseram, o vinho de sua graça.
Também os noivos de Caná não sabiam explicar ao arquitriclínio a origem do vinho superior, e porque ele fora servido só no final da festa.

Estes noivos representam a Sinagoga, que desconheceu a Cristo e o crucificou, porque inebriada pelo vinho inferior, desejou com zelo apenas o reino neste mundo, e preferiu permanecer no exílio da ‘Galiléia’ , que significa, como vimos, transmigração ou exílio acabado. A Sinagoga amou apenas a letra da lei, e não espírito. E assim como no vinho inferior só se busca o inebriamento do álcool, sem ter nenhuma doçura superior, assim também, a letra da lei mata, impedindo que o espírito das Escrituras seja conhecido e vivifique e inebrie a alma pela doçura da sua Sabedoria.

Pois Cristo veio ao mundo para que tivéssemos vida e saúde em abundância. Para isto, Ele veio fundar a Igreja, geradora dos filhos de Deus com Cristo, para a vida eterna. Igreja fundada na pedra, e na qual Cristo faz jorrar o vinho excelente de suas graças, enchendo até a borda os corações dos fiéis.

Finalmente, convém lembrar que as hidras eram de pedra e estavam vazias, porque o homem é feito de barro, e que a pedra é ‘barro’, isto é, mineral endurecido. Era Adão, o homem pecador que estava petrificado pelo pecado original, e vazio de graça e vida espiritual. Como já vimos, eram seis as hidras vazias, porque seis eram as idades do mundo, que haviam passado até Cristo vir para realizar suas núpcias com a sua Igreja.

A hidra vazia é, então, o homem morto pelo pecado ao qual Cristo devolveu a graça. A hidra vazia é também o homem santo e que morreu materialmente, para quem, no fim do mundo, Cristo ressuscitará com um corpo glorioso e tendo um nova vida, superior a que perdera.
A hidra vazia é, enfim, Cristo morto para pagar os nossos pecados, e que pela ressurreição, venceu a morte, e tornou a encher nossas almas de vida. ‘Et ressurrexit tertia die’. E, por isso, tudo isto que se fez em Caná aconteceu ‘in die tertia’

‘Tal foi o primeiro dos milagres de Cristo ‘, diz São João, a fim de condenar os falsos milagre atribuídos a Cristo, quando ainda menino, conforme contam mentirosamente os Evangelhos Apócrifos ( Cfr. São Tomás, op. Cit Cap. II Lição I, nº 364; ed. Cit. Vol I, p.343).
O milagre de Caná foi o início dos milagres de Cristo que culminaram com a sua gloriosa Ressurreição. Depois disto, Ele se manifestou gloriosamente a seus Apóstolos, que creram nEle. Por isso está escrito: ‘Por este modo deu Jesus princípio aos seus milagres em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nEle’.

Depois da Ressurreição e da Ascensão aos céus, os Apóstolos se espalharam pelo mundo, pregando a Cristo crucificado que ressuscitou dos mortos. A Igreja Católica – cuja cabeça é Cristo – iniciou sua trajetória de missões, martírios, de polêmicas e de cruzadas, levando o nome de Cristo Jesus até os confins da terra, sempre assistida pela Virgem Maria e pelas preces da Igreja triunfante, no céu.

Por isso, a narração do milagre de Caná conclui com as seguintes palavras:
‘Depois disto, foi para Cafarnaum, Ele e sua Mãe, seus irmãos e seus discípulos – toda a Igreja – mas não demoraram lá muitos dias’ ( Jo II,12).
Comparados com a eternidade, poucos são os dias da História entre a Ressurreição e o Juízo, entre ‘Tertia die’ ‘et novissima die’

Amen . Veni, Domine Jesu !