Eu, como noiva católica, procurei pensar em cada coisa do meu casamento tendo em vista três coisas: o que há de melhor no mercado, o que eu posso consumir de acordo com as minhas finanças, e o que convém a um católico ou o que agradaria mais a Deus.
Quando comecei a entrar no "mundo do casamento" vi que há muito luxo e ostentação. Eu não tenho nada contra o luxo, pelo contrário gosto bastante, mesmo não possuindo muito dinheiro. O que me incomoda é esse modo de sufocar as noivas com uma lista extensa de "tem que ter", e consumir fotografo fulano, recepção tal e qual, festa para n convidados, lua de mel em não sei aonde e por aí vai.
Cada um tem o casamente que quer e pode! É meio surreal um cara que ganha salário mínimo bater o pé que quer ter um Mercedes. Porque que eu tenho que ter um casamento totalmente fora do meu padrão de vida?
A sensação que tenho é que o sentido espiritual do casamento foi totalmente esvaziado, e para preencher esse buraco colocaram um monte de burocracia (casamento civil) e um montão de produtos (casamento "religioso").
Sempre quis casar de manhã. O dia me passa uma ideia de luz, calor, energia, muita coisa pela frente... além de que, como sei que vou morrer de ansiedade, não queria passar o dia esperando para casar. rs ^^
Depois que comecei a procurar informações sobre casamento descobri que casamento pela manhã é bem mais em conta. Para mim foi perfeito! Mas tive que escutar "seu casamento é de manhã? Aff... Ah, mas é porque você não tá com muito dinheiro para festa, né?". No começo eu perdia meu tempo explicando, agora só respondo "é!".
Meu noivo Luís definitivamente não faz o estilo 'amo festa', então desde sempre pensamos em fazer algo pequeno. Até mesmo para mim que amo gente, conversar, festa, dançar, essas "big produções casamentísticas" se tornam um pouco assustadoras. Se estivéssemos com dinheiro sobrando (porque temos que montar nossa casinha) faríamos uma almoço para todos; como não estamos, vai ser bolo com espumante mesmo! ^^
Ouvi de algumas pessoas (e eu mesma me questionei a respeito) que era até falta de educação fazer isso. Porque como o casamento é de manhã os convidados iriam ficar com fome. Foi um dos momentos mais difíceis. Fazia mil e uma contas, apertava daqui e dali; mas enfim me conformei que não ía dar certo. Depois de muito chorar e rezar, percebi - ou Nossa Senhora me fez ver - que casamento não é feito de comida! Parece óbvio, mas não é. Ninguém pergunta se você está preparada para perdoar seu futuro marido quando ele errar, ou para pedir desculpas quando você errar. Lhe perguntam qual o cardápio, qual o recheio do bem-casado, se vai ser docinhos finos ou gourmet, se vai ser guaraná ou kuat.
A noiva é soterrada por esse mundo de uma maneira que acaba esquecendo/deixando de lado quem ela realmente é, e o que ela sempre sonhou para o seu casamento.
Então, parei.
E voltei ao começo. Quem sou eu? Do que eu gosto? O que me faria feliz nesse dia? Qual a opinião do meu noivo a respeito desse assunto?
Vi muitas e muitas vezes (pessoas, blogs, profissionais do ramos) coisas como "esse é o SEU grande dia", "você é a ÚNICA estrela", "a diva é VOCÊ". Nessas horas me perguntava: e o noivo??
E a família, que muitas vezes também sonha junto?
Eu sou uma pessoas simples. Quando eu era criança era comum se fazerem Questionários [uma caderninho com uma pergunta em cada folha, que era passado entre as colegas para ser respondido, e depois era lido para todas. Várias meninas criavam seus questionários, e era a maior disputa para quem pensava no mais interessante]. Duas perguntas que sempre tinham: qual o seu signo e o que não pode faltar no seu casamento. Lembro que sempre respondia: o noivo!
Sempre pensei que se encontrasse alguém com quem eu estivesse disposta a passar a vida inteira junto, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, essa coisa toda, seria algo tão grande e maravilhoso que todo o resto seria realmente secundário.
Hoje sinto um grande amor por Deus e Nossa Senhora. É um elemento novo. Que leva a plenitude esse pensamento. Pois nós não estaremos fechados em nós mesmos, estaremos mergulhados no Amor de Deus, que é grande grande, abertos ao maior milagre que possa existir - a vida!
Então hoje, meu questionário seria: o noivo e o padre (ministro da Igreja, sinal visível de Deus no mundo).
Sendo assim, alguém que fosse ao meu casamento apenas pensando em não sair de barriga vazia, não entendeu nada; e por isso a opinião não conta.
Mergulhei profundamente no milagre das bodas de Caná - primeiro milagre de Jesus. Meditei muitas coisas a respeito desse acontecimento. Mas quero dividir uma em especial.
Faltou vinho. Os padres sempre explicam nas homilias que isso era um grande sinal de desonra (porque além de não haver fartura era tido com sinal de infortúnio para o casal). Jesus estava lá, com sua Mãe e seus primeiros discípulos. Penso que quem convidou Jesus não convidou seus discípulos pois eles haviam se conhecido a pouco. Num casamento moderno o cerimonial não deixaria entrar, porque o buffet é por pessoa, e eles não teriam senhas individuais. Mas penso também que as pessoas viam essa celebração com grande alegria, e grandes alegrias se quer dividir com todos, então tudo bem mais alguns convidados.
Nossa Senhora nota a falta de vinho. Que Mãe zelosa! Não deixe de colocar tudo nas mãos d'Ela! Eu já fiz isso quando me consagrei pelo método de São Luís Maria Monfort - sou escrava por Amor, entreguei a esta doce Senhora tudo que sou e possuo, no passado, no presente, e no futuro.
Ela intercede junto a Jesus. E Ele atende. O mestre de cerimônia comenta que nunca provara vinho como aquele. Eis o milagre!
E eis que entendi! Se houver Jesus, mesmo os bens materiais eu terei. Mas mesmo que não os tenha, terei o principal: terei-O, teria uma Mãezinha no Céu que cuida de mim sempre, terei um casamente cheio de amor e alegria verdadeira, terei muitas bençãos para a vida nova que se inicia.
Dói no coração quando eu ouço alguém dizer que não casa na igreja por causa de dinheiro. Se você é católico e vai casar, dê sua linda festa seja ela para 30 ou 300 convidados; seja ela servido camarão, frango ou só bolo; seja durante o dia ou a noite; seja com cobertura completa ou fotos tiradas na câmera digital do seu primo; seja na catedral ou na capelinha mais simples; sejam com coral completo ou sem música.
O que faz um casamento católico não é o luxo ou a oposição a ele, o que faz dele católico é o coração dos noivos - que se amam e amam a Deus!