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terça-feira, 18 de junho de 2013

Chárraiá: o convite.

Oiê!
Faz um tempinho que queria fazer esse post, mas acabou demorando um pouquinho, então aí vai!


Gostaria de dividir com vocês o meu xodó de tudo que preparei para o meu chá de panelas: meu convite!
Pensando no que faria, tive uma enorme inspiração e escrevi um cordel! ^^
Fiquei feliz de ter conseguido escrever - e de ter gostado do resultado -, porque queria uma coisa bem a cara do nordeste. Antes tinha pensado em imprimir o convite em papel de embrulho (é aqueles papéis pardos, como os de envelopes só que mais grosso) e enrolar um pedaço de rapadura (óbvio que previamente embrulhado com papel filme) amarrado com corda de sisal. Achei a ideia boa, mas como rolou a inspiração, mudei de imediato meus planos.





Etapas criativas:


- Primeiro, numas inspiração assombrosa escrevi o texto. E depois digitei. rs


- Aí veio a parte mais chata de todas. Eu entendo quase nada de informática/computador/tecnologia. Comigo é só o feijão com arroz, e-mail e twitter (Não, eu não tenho Facebook. Não, eu não sou um E.T. Sim, talvez você me ache hipster. Mas eu, na verdade, só tenho opinião própria). Então fiz tudo no Word mesmo. Provavelmente há um jeito muito mais fácil de fazer isso, but...
Isso me lembra as provas de física , em que eu esquecia as fórmulas principais ficava fazendo cálculos homéricos para chegar a respostas que num cálculo três incógnitas eu acharia.
Devaneios à parte, voltando ao assunto: Finalmente, consegui formatar o texto de um modo que desse para imprimir no tamanho que queria (a página tendo o tamanho de 1/4 de folha A4). UFA! Até de contar já me cansei de novo. 
Porque além disso tinha o problema das páginas: elas não podiam estar em sequência, tinham que  ser alternas para quando cortasse e organizasse para grampear as páginas ficassem corretinhas.



VEJAM. Essa era uma face da folha, ela foi dividida em quatro quadrantes (uma em branco, a capa, a página 2 e a penúltima página). E no verso da mesma folha estão (na sequência) as páginas 1, 6, 3 e 4. Ficou tudo em uma folha A4, imprimida frente e verso.

- Etapa seguinte: Achar uma figura em estilo xilogravura. Xilogravura é um estilo artístico de se fazer desenhos, tradicionalmente os cordéis são ilustrados nesse estilo. Como só sei desenhar boneco de palitinho, o jeito foi achar a figura da capa na net mesmo. Achei essa da igreja (capa), e gostei. ^^
Depois meu noivo achou uma imagem de dois noivos que gostou muito, aí acrescentamo-lá no final. 

- Imprimi.

- Foi necessário fazer apenas um corte horizontal ao meio. Uma dica: se você não tem muita habilidade de cortar as coisas bem retinhas (like me), há duas opções: usar um cortador (que não é muito acessível) ou usar uma tesoura daquelas maiores (bem mais acessível), porque elas dão mais apoio para a mão e também porque dependendo do tamanho do que será cortado, é só posicionar a mão e tchum!  ^^  Serviço feito!


























Depois é só dobrar cada pedaço no meio e encaixar as folhas, fazendo um livrinho.



- Grampear: Tem uma técnica para grampear 'tipo como se fosse um livro' que aprendi com uma revistinha infantil (tipo a Recreio) quando tinha sei lá quantos anos.


Você precisará de um grampeador e um borracha.

Posicione a borracha na dobra do papel, bem ao centro.

Vire o papel com a borracha posicionada no mesmo lugar. Posicione o grampeador em cima da borracha (só que do outro lado da folha)

Ao posicionar, é só apertar. O ideal é que esteja sobre uma superfície dura (como uma mesa), porque se tem mais apoio na hora de grampear.


Depois de grampear tire a borracha com cuidado para não rasgar o papel. Ficará como na foto, com  as pontas do grampo retas.


Com os dedos empurre as pontas do grampo para o centro. Ficando, assim, como quando se grampeia normalmente.


Assim!


Fica assim. Parecendo um livrinho.


Eu escrevi na parte de trás do convite o nome da pessoa e entreguei assim mesmo, como se fosse um cordel que se ganha ou compra.  ^^


Abaixo coloco o texto do meu cordel.

Um jeca e uma matuta
Vão ao padre abençoá
A união de uma vida toda
Qui logo vai começá

A matuta vem à frente
Emposta a voz pra falá
Cum licença minhas amigas
Sua ajuda vim pedi
Prá montá minha cunzinha
Peço a você si decidi
Uma toalha ou um copo

O que importa é você vir

A dinda abriu a casa
Quem quisé pode chegá
Tem pamonha, tem canjica,
Tem milho: é arraiá!

A matuta facera
feliz que ela só
O jeca abriu a cartera
Ficou liso que deu dó
A festa é simplesinha
Mas bunita quisó

Peço também sua oração
Pra não ser só união
De dois corpo e coração
Seja almas que se amam
E juntinha até a morte ficarão

Qui do casório venham filhos
Qui Graça só presta muita
Quatro ou cinco minininhos
Qui é pra com quem brincá
Com papais muito contentes
E o povo dizendo: ‘quando vão pará?’

Venha, venha mermo
Coma, coma até duê
Traga sua lembrancinha
E um sorriso prá valê

A data é dia 22
Essa aí da prá lembrá
A hora também é fácil
16h, sem atrasá
O endereço vai vir depois
Porque a rima foi de lascá

A casa é da Jô
É lá que vô te esperá
E por aqui eu me despeço
Qualquer coisa é só liga
9674-1796, esse é da Tainá

Para a vida facilitá
Uma lista deixá
Na loja qui escolhi
O nome é Le Biscuit
Ela fica acolá
Bem facinho de achá
Escolha o qui quisé
Só compre o qui pudé
Porque só vale a intenção
Qui está no coração
Lá a lista qui deixei
Tem tudo muito bem dito
A cor é branco ou estampado
Porquê gosto de florido
E o presente só me entregue

No dia que foi prometido

Aos maridos e namorados:
Caso vocês desejem acompanhar suas esposas/namoradas, Luís – o Noivo pensou em uma programação especial para vocês. Porque o chá da matuta é só para mulé.

Gradecida pela compreensão.




Espero que tenho gostado! Inspirem-se a por as mãos na massa, é prazeroso e dá um outro sentido as festas (quaisquer que sejam), porque dá aquele gostinho de dividir um pouquinho de si com quem se gosta.

Agradecimento especial a minha irmã Tuanne, que me ajudou com as fotos.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Santo Antônio

Hoje, 13 de junho é o dia litúrgico de Santo Antônio, e durante  muito tempo tive uma antipatia por Santo Antônio devido as famigeradas simpatias para conseguir marido. Mas, um dia decidi conhecê-lo um pouco melhor, ao invés de julgá-lo pela superstição dos outros.



Infelizmente por hodiernamente ter sua imagem cerda de folclore pouco se conhece desse grande santo, que foi beatificado pouco tempo depois da sua morte ( 13 de junho de 1231) e proclamado Doutor da Igreja em 1946.

Santo Antônio é conhecido no Brasil como Santo Antônio de Pádua (por causa da cidade italiana de Padova, onde vivia quando se tornou mais conhecido), mas na verdade ele é de Lisboa.

Por quê a confusão?
Português, nascido e criado em Portugal, viveu também na França e Itália, passando por várias cidades; tendo suas atividades de maior destaque na cidade de Padova, onde ficou até falecer – eis aí a confusão. Mas ele é mesmo Santo Antônio de Lisboa, que foi a cidade de onde ele veio.

O santo viveu entre o séc. XII e XIII. Teólogo, místico, asceta. Foi um grande orador, suas pregações comovia as multidões e os clérigos mais doutos. Grande intelectual, de cultura invulgar lecionou em universidades.

Primeiramente foi frade agostiniano, e em 1221 entrou para a Ordem Geral de Assis a pedido do próprio São Francisco.

Já em vida realizou grandes milagres. Um deles foi quando em disputa com um herege albigense sobre a presença real de Deus vivo na Eucaristia, foi desafiado pelo o herege que alegou que uma mula que tivesse passado três dias de fome não deixaria de comer ração de aveia para adorar a Hóstia. Assim foi feito, e a mula faminta ao ser liberta do seu curral desviou-se e se ajoelhou diante da Hóstia que Santo Antônio a apresentava.

Outro milagre digno de nota foi quando em um consistório, diante do Papa Gregório IX, vários cardeais e clérigos, discorrendo sobre questões dicadas da alta teologia, cada um teria ouvido a pregação em sua língua materna. Esse milagre casou grande assombro, mesmo no Santo Pontífice, que viram aí um novo Pentecostes. 



Depois que o conheci melhor admirei-o muito. Espero que este post tenha ajudado a vocês a também conhecê-lo  melhor e a também venerá-lo. Então, vamos aproveitar este ano, e a partir dele, para honrarmos este grande santo como bons católicos - rezando - e não fazendo simpatias! 




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Chárraiá: a escolha do tema

A palavra é esquisita mesmo. Eu própria a conheci a pouco tempo.
Ela é uma junção da palavra chá com arraiá.



Como vocês já sabem, vou casar-me. E todo mundo que casa faz chá de panelas [bom, não todo mundo, mas a maioria].
Eu estava pensando em como faria o meu, e por uma questão de organização decidi escolher primeiro a data. Sendo uma data de junho me ocorreu a ideia de fazê-lo em tema de festa junina.
Por quê?
Porque eu amo São João! (que é como normalmente se chama as festas juninas)
Amo todo o clima dessa época. Eu realmente, ao longo da minha vida, me tornei devota de todos os santos dessa festa: Santo Antônio, São João (Batista), São Pedro e São Paulo (o que muita gente não sabe é que o dia que se comemora São Pedro também é dia de São Paulo).
Eu amo comida típica. Que na verdade não tem esse caráter exótico porque é o que a gente come todo dia, mas não tudo de uma vez, como no São João. ^^  Embora, de fato, haja algumas que só se vê por essa época devido a colheita do milho (por exemplo a canjica).
Acho lindo fogueira, fogos de artifício, traques, chuveirinhos e chumbinhos. Gosto de todo ano fazer a produção vestido de chita + maquiagem com batom vermelho e pintinhas.
Amo todas as novenas e quermesses.
Amo famílias passeando pelas ruas, comprando pipoca, maça do amor, sorvete ou cachorro-quente.
E os parques? Aqueles de quatro ou cinco brinquedos?!
Acima de tudo amo - e me orgulho - esse povo valente, que enfrente a seca de frente. Povo honesto e trabalhador. Simples e de muita fé.
Não sei como é pelo mundo afora, pois como toda menina de interior não conheço muita coisa. Mas eu garanto que povo hospitaleiro mais que esse não tem. Pode até ter igual, mas mais não tem. ^^
Claro que nem todo mundo é gente boa. Tem velha fofoqueira (que não precisa ser velha, nova também serve), tem valentão, tem "menino peste". Mas isso tudo vira causo e motivo de riso - se assim você o faz.

Sou uma moça do interior que foi para a capital. E foi isso que fez com que eu percebesse o quanto "o interior" faz parte de mim, e o quanto eu gosto disso! Tanto que decidi resgatar um série de expressões que a minha avó usava e que já estavam se perdendo porque minha mãe já não diz, mas que são a cara do interior (e que sempre levam meu noivo ao riso).

Por tudo isso escusados mais argumentos para fazer um Chá de Panelas com tema de Festa Junina.

Quando contei para minha irmã ela achou o máximo e disse: Ah, Chárraiá é tudo de bom!
Achei o nome super legal! Mas só esclarecendo que a criação não foi dela (ela ouvi falar em outro lugar).

A partir daí pesquisei na internet sobre o Chárraiá, mas não achei muita coisa. Só que isso não foi problema, porque nascida e criada numa cidade do interior do Nordeste não há dificuldade de fazer de uma festa um grande um arraiá.

Nos próximos posts falarei sobre os preparativos do meu Chárraiá.