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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Uma confissão

Oi, você aí que está lendo esse texto.

 devido a ausência e esporacidade de posts sei que não tenho nada que possa se chamar de público. Mas o registro de visitação continua, então sei que vez ou outra passa alguém por aqui.

Eu criei esse blog num momento de solidão, mas no qual eu queria encontrar pessoas com quem eu pudesse compartilhar minhas ideias, mudanças... minha fé. Era 2013 e para mim foi um gesto de grande ousadia me expor. Eu não tinha nenhuma audiência, mas me sentia falando para o mundo.

Lembro a euforia de fazer o primeiro post e ao voltar no blog dois dias depois ver que ele tinha 9 visualizações. Isso mesmo, nove! Diante dos números dos grandes blogs e afins parece até ridículo; mas pensar que nove pessoas leram o que escrevi foi emocionante.

Naquela época eu sentia que tinha tanto a aprender. Eu estava noiva, organizando sozinha meu próprio casamento. Eu tinha me convertido ao catolicismo a pouco tempo. Eu não sabia quase nada sobre como cuidar de uma casa, ou mesmo ter uma família. Eu queria muito aprender e achei que compartilhar novas descobertas era a melhorar maneira de fazer essa experiência interessante.

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Os dois primeiros anos de casada foram particularmente difíceis - por vários motivos. Adaptar-se um ao outro, nova rotina, problemas financeiros, profissionais, de saúde e até espirituais. Sentia que estava tudo acontecendo de uma vez. E nesse momento eu quis me fechar, me guardar. Pois só assim poderia ser forte e adquirir sabedoria para lidar com meus problemas. Compartilhar problemas geralmente os aumenta e não resolve-os.

Me afastei do blog. Ensaiei um retorno, mas fiquei apenas postando poesias esporádicas. Criei outro blog (www.diasradiantes.blogspot.com.br) que fala sobre livros. E acho que agora me sinto realmente pronta para voltar.

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Agora quero retomar esse blog e acho interessante porque estou novamente passando por uma transformação em minha vida. Estou com 30 anos e decidi mudar de profissão. Sou psicóloga e quero fazer letras. Quero ser professora e o que mais a área tiver para oferecer. Eu amo a psicologia, mas eu e ela não combinamos.

Estou estudando para fazer Enem esse ano e, se Deus quiser!, entrar na faculdade ano que vem. Se for compartilhar algo sobre estudo será no outro blog.

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Aqui vou falar de mim. Voltarei com os posts sobre casa, família, vida doméstica; também sobre santos, orações e religião. As poesias vão continuar na medida em que a inspiração deixar.

Não vou prometer frequência, porque como disse minha vida está mudando. Estou tentando criar e me adaptar a uma nova rotina.

A você que passou por aqui: seja bem-vindo! E volte sempre! Vou ficar aqui esperando.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Mãos à obra: meu aniversário

Olá,

sei que está um pouquinho atrasado, mas trouxe algumas fotos do meu aniversário para vocês verem. Foi uma comemoração bem simples, na minhacasa mesmo, mas foi bem legal.Algumas pessoas tem receio de fazer festa em casa por acharem que não tem louça sulficiente, que os convidados não vão ficar bem acomodados ou que vão gastar muito. Geralmente festa em casa são para pessoas mais intímas que conhecem aquele espaço e certamente ficaram à vontade; e não há dúvidas de que recebem em casa é mais barato do que receber em qualquer outro lugar.

Abaixo eu trouxe algumas fotos para vocês verem como foi:



Essa era a mesa do aniversário. Dealhe que eu esqueci de tirar as fotos no cmoço da feste, e aí já está quase tudo comido. rs 
De um lado tinha torradinhas e patês, e do outro pastelzinho e salgadinho. No meio tinha essa pequena cestinha com balinha, e duas petisqueiras com amedoim e castanhas.


 Eu fiz esses cartões e pendurei no teto com uma linha comum. De um lado era essa figura das casas de passarinhos e do outro era uma poesia. 
A torre de beijinhos e pipoca.


Bicho de pé e docinho rosa. Meus livros preferidos fizeram parte da decoração.
Dois vasinhos com flores artificiais; e duas taças com mais balinhas. 


Amanda e Janólia.


 Tuanne (minha irmã), Eu com Gabriel (meu sobrinho) no colo, Daniela com Pedro na barriga e Bruno (seu esposo).

Tatianne (minha irmã caçula), Eu e minha mãe Silvana.


Ana Teresa (minha sogra), eu e Luís.


Kleiton e Aluízio

Apagando as velinhas.


Dando o primeiro pedaço de bolo para o meu amor.


Fazer uma festa em casa tem vantagens e desvantagens. As desvantagens é que dá um pouquinho mais de trabalho, porque você tem que arrumar tudo e limpar depois, e no meu caso, também preparei todos os alimentos que foram servidos; além de dependendo do tamanho da sua casa a quantidade de pessoas que você pode convidar é restrita. As vantagens são que se fica mais à vontade, é beeem mais econômico, você pode fazer sua festa do jeito que quiser (a maioria dos espaços tem suas restrinções), o tempo da festa quem diz é você, e quando terminar voc~e já vai estar em casa.


terça-feira, 22 de julho de 2014

As coisas nunca são como se pensa







Lembro quando noivei, uma senhora (já quase idosa), amiga minha, mãe de cinco filhos, casada a vida inteira com o mesmo marido, veio me parabenizar e dirigir alguns palavras. Ela me perguntou se eu estava preparada e prontamente respondi que sim; já sabia o que enfrentaríamos, mas que mesmo assim desejava ter uma família, que essa era a vontade de Deus para nós, etc. E ela me disse, pois bem, case. Mas gostaria de lhe dizer duas coisas: primeiro que nunca deixe de rezar e colocar Deus como o alicerce de sua família, pois se não for assim ela não durará; e, saiba, o casamento nunca é difícil pelos motivos que a gente pensa.

O primeiro conselho eu já sabia e era isso mesmo que pretendia fazer, mas o segundo me deixou especialmente intrigada. Por que jovem tem a mania de achar que sabe tudo, né?A gente sempre acha que está pronto, maduro, preparado. Considero que o primeiro passo para a verdadeira maturidade e sabedria é reconhecer humildimente nossa inesperiência e ignorância. Por isso, coloquei em suspenso o meu "estou pronta" e busqueiaproveitar cada momento antes do casamento para me melhorar, aprender, rezar... Claro que nem sempre esse era meu estado de espírito, mas era um esforço constante.

Casei.Lua-de-mel. Primeiros meses. Me aproximo do primeiro ano.
Sei que ainda somos recém-casados, e um ano perto de uma vida interia que queremos passar juntos não é nada, mas acho que começo a enteder a pofundidade daquele conselho.

Nada no casamento é como você pensa que será. Nem os afazeres domésticos, nem sua relação com sua sogra, nem sua relação com o seu marido... Certamente porque cada casamento é único, pois é a junção de duas pessoas únicas; e os exemplos que vemos por aí são apenas uma vaga ideia. E talvez por isso mesmo é algo que só se sabe vivendo.

Uma das coisas mais elucidativas sobre isso é a solidão.Talvez porque para mim foi a mais surpreendente. Pois tanto para mim quanto para Luís, quando falavamos em casar era o mesmo que falar "vamos estar sempre juntinhos" (fisicamente, espiritualmente...)

É importante dizer que eu sempre gostei de passar um tempo sozinha, para meditar, ler, escrever, etc. Pensava que ao casar iríamos ter dificuldade quanto a isso, posto que agora sempre estaria acompanhada do meu marido. Mas desde que casei, com frequência experimento a solidão do lar enquanto meu marido está fora. Nunca passou pela minha cabeça me sentir sozinha. Isso também porque já morei só, e quando passava grande parte do dia sozinha esse tipo de sentimento não me acometia.

Pensando sobre isso, acho que me sinto só porque na verdade não estou de fato sozinha. Durante todo o  meu dia lembro do meu marido, e quase tudo o que faço é orientado para ele. Na hora que escolho o que vou cozinhar, penso no que ele gostaria de comer; quando limpo a casa, penso em como ele se sentirá confortável de chegar e encontrar tudo limpo, quando encontro algo que ele deixou fora do lugar, lembro dele com raiva por ter feito isso (rsrs); quando leio algo legal em uma livro, gostaria que ele estivesse perto para dividir isso com ele; quando tomo banho e me arrumo porque está perto da hora dele chegar. Em tudo ele se faz presente no meu dia, e talvez por isso mesmo eu me sinta só, porque ele se faz presente sem de fato estar, e aí acabo sentindo a falta dele.

Claro que acho ruim me sentir sozinha, mas fico feliz que as coisas sejam assim. Acho que foi o tempero especial que Deus deixou para os recém-casados. Pois isso faz  com que cada momento juntos tenha seu interesse, faz a gente querer aproveitar, mesmo já estando casado.

Penso nessa horas como é difícil para mulher moderna (e aqui me refiro a todas nós que recebemos a educação padrão de nosso tempo) lidar com isso, porque além de de ser um trabalho doméstico árduo e escondido exige muito crescimento interior. Assim, varias vezes me peguei pensando em como seria mais facil trabalhar fora. E aqui o primeiro conselho volta a gritar na minha mente: "DEUS NO CENTRO DE TODAS AS COISAS!", que prevaleça a vontade de Deus, que é todo Amor e Sabedoria, e não a minha vontade humana cheia de orgulho e vaidade. O caminho mais santo nunca é o mais fácil. Não se deixe abaater e não queira desistir se nada sair como o esperado, porque mesmo o inusitado faz parte dos planos de Deus.

Talvez quando passarem-se muitos e muitos anos as coisas mudem, e tudo isso nçao tenha uma dimensão relevante ou que talvez lembre com carinho pelo crescimento pelo qual passei. Mas por hora, estou na batalha para ser um esposa melhor, uma cristã melhor, uma pessoa melhor; e que dividindo essa experiências possa ajudar alguém pelo menos a saber que não está nessa batalha sozinha.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O efeito protetor de ser um casal







O efeito protetor do casal é avaliado pela expectativa de vida mais longa dos casados, a quantidade de doenças físicas e de depressões bem menor nos casais estáveis. Entrevistas estruturadas e testes psicológicos mostram que a higiene de vida é melhor e que as angústias se apaziguam rapidamente nesses canais.

Pode-se detalhar essa contribuição dizendo que a estabilidade do casal cria um sentimento de familiaridade tranquilizador, que a confiabilidade do outro dá autoconfiança: ”Posso contar com ela.”; “Ele sempre esteve presente quando precisei dele.”. Esse entendimento alivia a angústia e permite que esforços sejam dedicados à aventura social. O ferido recupera com seu cônjuge a figura de apego primária que, na sua infância, deu-lhe segurança e o fortaleceu. Quando essa base de segurança falhou, o carente ganha uma segunda chance e, na sua relação de casal, adquire a força e a tranquilidade que até então lhe faltaram.

Com a ressalva de que “estabilidade do casal” nem sempre quer dizer “qualidade de vínculo”. Sentindo-se melhor perto do cônjuge confiável, o ferido se apega a ele, ainda que a relação seja difícil e custosa: “É verdade que ele quer que eu desista de uma parte de minha aventura social. Gostaria de ser jornalista, mas essa é uma profissão que exige muitas viagens, o que poderia estragar a vida em família de que preciso. Por tanto, vou desistir dessa vida de aventuras e aceitar entrar numa rotina com ele. Essa renúncia me custa caro, mas sem meu marido desmorono”.

Nos casais estáveis é comum ver se instalar lentamente o vínculo de apego seguro que tinha sido destroçado (...). Em geral, o cônjuge bem desenvolvido sente prazer em ajudar o ferido, sente-se bem ao fazer o bem. Em contato implícito cria um casal estável, apaziguador, fortalecedor, em que o desenvolvimento de um apego segura cria um vínculo leve (o que não quer dizer superficial) em que um fortalece o outro sem encerrá-lo num prisão afetiva.



Fonte: Dizer é morrer: A vergonha - Boris Cyrulnik [Ed. Wmfmartinsfontes, 2012]


P.S.: Quando o autor usa a expressão "ferido" ele quer se referir a qualquer tipo de problema que gere sofrimente, seja ele físico, psicológico e social.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Causos do Gabriel I




Olá!
Vamos dar inicio ao nosso papo por aqui?!


E pra começar nada melhor que um causo de muitos do meu filhote traquina de apenas 2 anos. Gabriel, como muitas crianças da idade dele gosta muito de assistir desenhos, e eu como mamãe e dona de casa utilizo dessa ótima vantagem pra conseguir realizar algumas tarefas (Mas sem exageros gente. Nunca deixo ele assistir mais de uma hora por dia). Estava na cozinha preparando o almoço e deixei Gabriel no quarto assistindo “Pororô”, depois de aproximadamente 20 minutos fui verificar se o motivo do silêncio era mesmo o tal desenho, quando entro no quarto me deparo com Gabriel sentado no chão e meu notebook ligado a sua frente e ele “digitando".
Eu: “O que tá acontecendo aqui?”
Ele: “Escrevendo mainha, a historinha!”.
Quase explodo de felicidade e penso na mesma hora em registrar aquele momento em que meu filho com 2 anos e um mês quer escrever uma historinha, mas aí lembrei que ele já havia quebrado meu netbook e na mesma hora pego o computador e desligo.
No fim, sentei com ele ainda “nas nuvens” pra assistir o desenho.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Passeio de Domingo [de Pentecostes]

Esse último domingo a Igreja celebrou a festa de Pentecostes, e para comemorar, decidimos fazer uma piquenique; que para mim é uma das formas mais agradáveis e econômicas de lazer .

Pela manhã fomos à Santa Missa, e no início da tarde fomos ao Parque das Dunas. Lá é muito bonito, toda mata é preservada com os animais naturais de lá, então há saguis (macacos),pássaros,répteis (lagartos/lagartixa),uma lago com peixes... De estrutura há parquinhos (balanços, escorregos, gangorrars, etc), pista para corrida/caminhada, um xadrez gigante, mesas para piqueniques, baquinhos, mesas de jogos,um anfiteátro, há trilhas (só que é preciso se inscrever com antecedência).

Foi muito divertido, então para animá-los trouxe algumas fotos para inspirar vocês a fazerem o mesmo.


Minha irmã Tuanne, meu sobrinho Gabriel e meu marido Luís. Levamos para lanche bolo de maçã e canela, romeu e julieta (o famoso queijo com goiabada),espetinho de frutas (com melão e uva), pão integral, brioche com queijo cremoso,um pizza de creme cracker (é uma receita super simples que se monta uma pizza num biscoito creme cracker). Para beber levamos água e suco de maracujá.

Transpostamos as comidas em vasilhas (como vocês podem ver na foto) e colocamos em uma ecobag. As bebidas levamos num isopor; mas só porque fiz questão de beber gelada, quem não liga de beber em temperatura ambiente pode economizar esse trabalho.






No caminho para as mesinhas de piquenique vimos vários saguis (esse macaquinho da foto), eles estavam brincando, pulando de galho em galho, catando piolho e comendo frutinhas. Quando viram a gente alguns foram embora e outros foram para galhos bem altos, mas teve um que era todo saliente e venho bem pertinho da gente (acho que na foto da para notar o quão perto estávamos). Gabriel ficou encantado, só fazia dizer "Mainha, macaco, quer pegar!"
























Depois de lanchamos Gabriel foi andar um pouquinho pelo parque com o tio e eu e minha irmã ficamos jogando jogo de tabuleiro. Por fim fomos em um dos parquinhos que tem lé. E Gabriel desceu pela primeira vez de escorrego (ele tem 2 anos). Foi engraçado porque a primeira descida era tuane segurando em um braço, eu no outro e o tio na frete esperando ele descer. hehe  Depois de algunas decidas fomos tirando o apoio gradativamente até que ele desceu só, sendo que eu e Tuanne ficamos uma de cada lado do escorrego para não ter perigo de ele cair.




No caminho para casa vimos um por-do-sol lindo, pena que a foto não prestou.  Então fica essa minha e do meu amor saíndo do parque. rs
Foi um ótimo dia e espero não só mais vezes, mas ter inspirado alguém a fazer também.

sábado, 24 de maio de 2014

Jovens



A adolescência é a fase em que os piores e os melhores impulsos da alma humana lutam entre si para ganhar terreno (G. Stanley Hall)









Isso que a ciência psicológica ensina, a Igreja já conhece há dois mil anos, de modo que até para o senso comum não é difícil perceber a veracidade da afirmação.

A juventude, ou adolescência - para usar um termo mais atual, é uma fase de experiências intensas; de mudanças físicas, psicológicas e sociais. A criança tem essa fase de aproximadamente dez anos para sair da infância à fase adulta. E nesse caminho consolidar ou rejeitar os ensinamentos que recebeu dos pais.

É bem verdade que a entrada na vida adulta não é o ponto final; mas mudanças, principalmente de caráter, nessa fase são mais difíceis, mais sofridas, por assim dizer.

Não é por acaso que correntes ideológicas revolucionárias sempre dão especial atenção aos jovens. Não porque historicamente essa tenha sido uma fatia da população que tivesse grande poder de decisão na sociedade, mas porque aderindo a elas na juventude, uma adesão na vida adulta era quase certa.

Como disse, historicamente essa não era uma parte tão relevante na sociedade - eu disse "era". Cada vez mais nossa sociedade entra numa idolatria da juventude, e os sacerdotes desse deus são os jovens, com suas gírias, suas roupas, seu comportamento, etc. (Esse assunto vai longe e fica para outro dia)

O que estive pensando (e o que quero falar aqui) é que muitas vezes esses jovens se veem sozinhos, sem algum adulto que os ensine e direcione; e jogados à própria sorte, muitas vezes tomam os piores caminhos. E quando digo adulto, não me refiro a uma referência cronológica, mas alguém com responsabilidade e maturidade.

A Igreja ensina:


O que se costuma chamar de permissividade dos costumes se apóia na concepção errônea da liberdade humana; para se edificar, esta última tem necessidade de se deixar educar previamente pela lei moral. Convém exigir dos responsáveis pela educação que deem à juventude um ensino respeitoso da verdade, das qualidades do coração e da dignidade moral e espiritual do homem (CIC, 2526)


Infelizmente, o mais comum é pais que não respeitam nem a sua própria autoridade de pais, preferindo agirem e serem tratados como "amiguinhos". E olhe que falo isso do ponto de vista meramente humano, pois se levarmos em consideração o plano espiritual a situação é ainda pior! 

E antes que se pensem em escusas e justificativas diante da religiosidade de cada um, fato é que nenhuma, eu disse nenhuma criança nasce sem que seja esse o desejo do coração do próprio Deus. E Ele confia essa criança a um pai e uma mãe, que ao menos por uma única noite se fizeram uma só carne para que essa criança pudesse existir.

Eu desconheço o projeto de Deus para a vida de cada um, mas sei três coisas:
1. Deus quer que sejamos felizes. E mais felizes seremos quanto mais próximos da vontade de Deus estivermos.
2. Cada criança é um bem precioso! E foi o próprio Jesus Cristo quem disse: "Deixai as criancinhas e não as impeçais de vir a mim, pois delas é o reino do Céus". (Mt 19, 14)
3. Cada pai e mãe terá que no dia do juízo prestar conta de suas faltas, em especial para com seus filhos. Pois foi Jesus também que disse: "Caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em mim, melhor seria que lhe pendurassem ao pescoço uma pesada mó e fosse precipitado nas profundezas do mar". (Mt 18, 6)


Quantas crianças e jovens não tem sua inocência, sua pureza, sua fé, roubadas por negligências, descuidos e até mesmo incentivo dos seus responsáveis. Nosso Senhor disse o que espera de nós, se o amor e o zêlo não os anima, que anime o medo do juízo.


Nos animemos! Não só aqueles que são pais, mas todo aquele que convive com crianças a ser um exemplo, um testemunho de adulto responsável, com princípios morais e virtudes. E quando possível sigamos o conselho da Santa Madre Igreja para uma catequese mais clara, mais viva, mais próxima.
A catequese das crianças, jovens e adultos procura fazer com que a palavra de Deus seja meditada na oração pessoal, atualizada na oração litúrgica e interiorizada em todo tempo, a fim de produzir seu fruto numa vida nova. A catequese é também o momento em que a piedade pode ser avaliada e educada. A memorização de oração fundamentais oferece um apoio indispensável à vida de oração, mas importa grandemente fazer com que saboreie o sentido das mesmas. (CIC, 2588)

Como ensina a ciência psicológica, a adolescência é a fase em que os piores e os melhores impulsos da alma humana lutam entre si para ganhar terreno. Quais impulsos vamos deixar ganhar espaço no coração dos nossos jovens?






Fontes: Bíblia de Jerusalém
           O Livro da Psicologia
           Catecismo da Igreja Católica (CIC)
           Imagens: busca Google.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Indicação de leitura: A sociedade dos filhos órfãos

Acabei de ler um livro excelente; tanto na fluidez da leitura, quanto no conteúdo pertinente, lucido e atual.

Recomendo a todos que são pais, aos que querem ser, àqueles que tem algum convívio com crianças, ou ainda aos que querem ser adultos minimamente responsáveis.

O livro é esse:




Do que fala o livro:

Nesse livro o autor falará de como os adultos da nossa sociedade querem cada vez menos crescer, se tornar responsáveis, se comprometer. E os pais não são diferentes disso. Preferem ser coleguinhas de seus filhos e lhe encher de bens materiais que nossa sociedade consumista convence-nos ser necessidades, enquanto deixam sua formação psicológica, moral e espiritual de lado; não sendo tão incomum a negligencia até mesmo no desenvolvimento biológico.
Crianças e adolescentes obesos e desnutridos, ansiosos e deprimidos, com QIs cada vez mais elevados e o numero crescente em envolvimento com transgressões a lei.
Onde estão os pais dessas crianças? Onde estão os adultos dessa sociedade que veem suas crianças se perdendo e ao invés de salvá-las querem juntar-se a elas?


Alguns trechos:

"Os filhos não são rolhas que tapam buracos. (...) Um filho não merece vir para se transformar no troféu que o narcisismo de uma mulher ou de um homem reclama."

"Quando desertamos da consciência, do compromisso, da responsabilidade e do amor implícitos à concepção de uma vida, acidente tem como resultado a orfandade. A orfandade, entendida a partir de seu aspecto mais devastador, deixa os filhos sem amor, sem referência, sem alimento emocional, sem orientação ética, sem modelos existenciais, sem nutriente espirituais."

"Para serem verdadeiros pais, os adultos que escolhem ou escolheram ter filhos devem começar já a deixar de serem filhos de uma sociedade egoísta, desumanizada, espiritualmente predadora."

"As funções materna e paterna são distintas e complementares, não basta que apenas um deles se encarregue das próprias e, além do mais, nenhuma mãe pode fazer o papel de pai no que é específico deste e nem um pai pode ser mãe."


Boa leitura!


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Aniversário

O post está vindo atrasado, mas acho que ainda vale á pena.
Neste mês de março meu marido fez aniversário (e também dia do seu batismo; que foi realizado quando ele tinha um ano). Como caiu em dia de semana e ele tinha que trabalhar fizemos algo bem simples. Acredito que mesmo na correria do dia-a-dia não podemos deixar passar em branco certas datas, que são verdadeiras oportunidades de ouro de mostrarmos o nosso amor pelas pessoas próximas.

Almoçamos nós dois, os pais e irmão dele num restaurante que ele frequenta desde a infância e gosta muito. Depois comemos o bolo que eu fiz. Na verdade só eu, ele e minha sogra, porque meu sogro teve que sair para trabalhar e o irmão dele tinha que ir para a aula.

Meu marido é monarquista e decidi fazer o Bolo Imperial (esse é o nome do bolo) e decorá-lo de acordo com o tema (verde e amarelo com a bandeira do Império). Gostaria de ter fotografado o preparo e ter feito um "mãos à obra", mas foi muito corrido o dia e acabou não dando certo.

À seguir imagens do bolo para vocês verem como ficou.  =]


Como vocês podem ver eu não consegui deixar a cobertura no ponto certo. Mas ficou bem gostoso!

 

quarta-feira, 19 de março de 2014

São José - Padroeiro de toda a Igreja






Hoje é dia desse grandiosíssimo santo, pai nutrício de Jesus, e que teve o privilégio de ser durante muitos anos o esposo fiel, protetor e casto da Santíssima Virgem.

Como chefe da Sagrada Família é sem dúvida um modelo para o qual devemos olhar com mais carinho e atenção. Os homens e rapazes para se espelharem em sua masculinidade, fidelidade, respeito e honra; e nós mulheres para sabermos o que quer dizer "homem de verdade", e não esperar nada menos que isso.


Ladainha de São José

Kyrie, eléison
Christie, eléison
Kyrie, eléison
Chiste, audi nos
Chiste,  exáude nos
Pater de caelis, Deus, miserére nobis
Filii, Redemptor mundi, Deus, miserére nobis
Spíritus Sancte, Deus, miserére nobis
Sancta Trinitas, unus Deus, miserére nobis
Sancta Maria, ora pro nobis
Sancte Joseph, ora pro nobis
Proles David inclyta, ora pro nobis
Lumen Patriarchárum, ora pro nobis
Dei Genitrícis sponse, ora pro nobis
Custos pudíce Virginid, ora pro nobis
Fílii Dei nutrície, ora pro nobis
Christi defénsor sédule, ora pro nobis
Almae Famíliae praeses, ora pro nobis
Joseph justíssime, ora pro nobis
Joseph castíssime, ora pro nobis
Joseph prudentíssime, ora pro nobis
Joseph fortíssime, ora pro nobis
Joseph obedientíssime, ora pro nobis
Joseph fidelíssime, ora pro nobis
Joseph patiéntiae, ora pro nobis
Amátor paupertátis, ora pro nobis
Exémplar opíficum, ora pro nobis
Domésticae vitae decus, ora pro nobis
Custos vírginum, ora pro nobis
Familiárum cólumen, ora pro nobis
Solátium miserórum, ora pro nobis
Patróne moriéntium, ora pro nobis
Terror daemonum, ora pro nobis
Prptéctor sanctae Ecclésiae, ora pro nobis
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, parce nobis, Dómine
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, exáudi nos, Dómine
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, miserére nobis

Constituit eum dóminum domus seae, Et principem omnis possessiónis suae.
Oremus:
Deus, qui ineffábili providéntia beátum Joseph  sanctíssimae Genitrícis tuae sponsum elígere dignátus es: praesta, quaesumus; ut, quem protectórem venerámur in terris, inntercessórem habere mereámur in caelis: Qui vivis et regnas.





segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Novena do Natal

Hoje se inicia a Novena do Natal. 






Acredito que fazer uma novena é se preparar de uma maneira melhor e ordeira para a grande festa que se aproxima - Deus feito homem!
Especial no que diz respeito ao Natal mais ainda uma oportunidade de reunir toda a família em algo tão proveitoso!

Que frutos maravilhosos Deus derramará sobre uma família que ao invés de sentar atônita frente a uma tv, se reunirá para rezar e se preparar para o Natal?! A família disposta na sala como bem lhe aprouver, o pai guiando as orações, os filhinhos achando meio penoso tantas ave-marias e se alegrando a cada cântico, a mãe tão tão feliz estará de ver todos próximos, juntos a ela. Se houver um vovô ou uma vovó, a alegria será sem fim de sair de um canto esquecido para uma roda de conversa. E depois disso não haverá ânimo para o barulho da tv ou para a distância a internet, porque talvez a conversa se anime e se estenda até a hora do sono.

Sei que para muitas família isso soará tão distante... Mas que a figura do Deus Menino num manjedoura lhe anime a fazer o convite. Não feche no seu quarto deixando sua família alheia ao que é importante para você. Reze em lugares da sua casa que outras pessoas circulem, organize uma "programação" que estimule os outros a participarem (e não escolhendo apenas o que você gosta).  Não aborde as pessoas como como se as convocassem a uma obrigação, e sim como que convida a grande celebração da salvação que se anuncia. Faça tudo isso, mas se não quiserem, se ninguém quiser, respeite as escolhas alheias; e reze sua novena também pela conversão da sua família. E assim você já estará dando um testemunho do amor cristão.

Aqui, segue o link para a novena que rezarei com a minha família.

Que a Sagrada Família lhe acompanhe nesses últimos dias de Advento!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Nossos pais

Eu não sei se vocês sabem do que vou falar: mas, alguns de nós ao entrar na adolescência começamos a perceber que eles não eram aquelas “superpessoas” que imaginávamos; e começamos a ver os erros que eles cometeram (e cometem) na vida, as falhas na educação que recebemos. E ainda assim são nossos pais, que em meio a decepção amamos. E isso é o tipo de coisa que sempre será difícil de lidar.

Então, começamos a olhar para nossos pais como pessoas que não tem nada a ver conosco – é engraçado como até apontar semelhanças físicas é uma espécie de ofensa –, porque sempre pensamos “são meus pais, mas não tenho nada deles! Nada!”. Você passa a admirar outras pessoas e a pensar como seus pais não são nada daquilo.  Assim, nos tornamos distantes, frios uns com os outros, e a vida deixa de ser dividida, passando a ser quase que estranhos.

Acho que exagero?
Um dia, há alguns anos quis dar um presente ao meu pai com algo que ele realmente gostasse; não uma agenda, ou uma camisa, mas algo realmente legal. E vi que não sabia que tipo de música ele gostava de ouvir, se ele tinha bandas preferidas; nem se ele tinha um estilo de livro preferido, ou autor que admirasse; não sabia que era o melhor amigo dele, ou o que ele fazia quando não tinha nada para fazer; não sabia qual o foi o melhor lugar para onde ele viajou; nem qual era o seu maior arrependimento na vida; não sabia nem o que ele esperava de mim, o que gostaria que fizesse da minha vida (claro que poderia dizer: que estude, tenha um bom emprego e seja feliz. Mas isso é tão vazio quanto não dizer nada).
E ele não sabia nada disso sobre mim também.

Depois você cresce mais um pouco e vê que talvez, um dia, você seja pai também. E pelo menos para mim, isso impôs uma carga de generosidade quanto ao que penso sobre meus pais. E ao imaginar-me do modo que sou, com meus defeitos, minhas limitações, meus medos e tendo em meus braços uma criança que é minha, e que em tudo depende de mim; pela qual eu dedique tudo, tudo, tudo, e ainda assim sei que vou falhar muitas e muitas vezes; e que um dia ela pode lançar sobre mim o mesmo olhar severo que lancei sobre meus pais, o olhar de quem fez 18 anos e acha que sabe tudo da vida, porque viu alguns filmes e livros e chorou no travesseiro algumas dezenas de vezes.

Certamente ainda sou jovem, e continuo não sabendo de muita coisa. Não sei o que é dizer não para um filho, não sei o que é vê-lo doente, não sei o que é não ter dinheiro para pagar as contas, não sei o que ter amigos que morreram, eu não sei o que é ter pais que morreram... Nesses 26 anos de vida, sei muito pouca coisa, sei apenas que não sei quase nada. Esse poucos anos (que é o que meus sogros tem de casamento) me impõe a humildade, pois sou ignorante da vida. E a humildade obriga a perdoar meus pais.


Não só pelo que fizeram, mas pelo muito que ainda farão que exigirá de mim perdão. Para perdoar meus filhos (que se Deus permitir um dia terei) quando eles não se encaixarem no que sonhei para eles, e para pedir perdão quando eu falhar, e falhar exatamente como meus pais.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Versas

Esses versos simples e bobos que lhe ofereço, quase infantis - eu diria -, demonstram o meu afeto.
E mais que afeto, dedicam a decisão de uma vida à dois.
Espero que essas rimas parcas que se seguem e meu sentimentalismo juvenil sejam deglutíveis, e quem sabe até você possa apreciar
Eu não diria que sacrificaria tudo por você, pois isso seria tão egoísta quanto sacrificar tudo por mim. Eu daria tudo por nós, pelo que somos juntos, pelo que construiremos. Darei meu tempo, meu afeto, minha atenção, meu carinho, meu português limitado, minha psicologia barata, meu jeito esquisito, meu amor de 1833, minha vida inteira unida a sua - até que a morte nos separe!


Véspera

Como vocês devem ter notado, tenho estado muito por aqui nos últimos dias. 
Tenho sentido tanta coisa, e o desejo de se expressar é grande.
No blog, ao mesmo tempo em que posso estar falando para um milhão de pessoas, não estou falando com ninguém - o que para mim é a forma ideal de comunicar meus sentimentos, pois falo com um interlocutor real que pode ser do modo que queira; e também me isenta das críticas (a não ser que deixe um comentário rsrs).

Além disso tive mais tempo esses dias. Tempo que criei para esse momento, pois queria viver os últimos de que falei no outro post bem calmamente. No entanto, mesmo passando esse dias calmamente sou tomada pelo desejo de que passe logo. 



Quando eu era criança meu avô tinha uma casa na praia, e quando íamos chegando próximo a essa praia tinha uma grande ladeira que o carro precisava subir, e lá do alto da ladeira a gente podia ver uma pequena faixa de mar, quando ainda faltava poucos quilômetros para de fato chegarmos à praia. Sempre meu avô puxava a brincadeira de quem iria ver o mar primeiro. Só meu avô fazia isso, então eu e minha irmã sempre pedíamos para ir no carro com ele. Ao se aproximar da ladeira já nos preparávamos: primeiro corria o aviso geral, em seguida eretas no banco nos esticávamos ao máximo, e então irropia o grito de alguém "Eu vi! Eu vi primeiro!". Se houvesse controvérsias, ou se dizia, "Viram juntas" ou "Então, a outra tomará banho de mar primeiro".

Parece uma grande bobagem, no entanto eu cresci, a brincadeira acabou (porque eu já era grande de mais, madura demais, chata demais para brincar com o meu vovô) e ainda levaram-se anos para perceber que todos só poderíamos ver ao mesmo tempo, já que estávamos no mesmo ponto. Meu avô me fez uma criança feliz, me fez uma criança sábia, me fez uma criança ingênua e pura o quanto pode (Obrigado, vô!); pena que só vi esse tesouro agora.
Isso tudo para amenizar a ansiedade de chegar o veraneio e ir para a casa de praia com todos os meus primos e tios, sem dever de casa, como banho de mar e muita areia.

Como eu queria uma ladeira antes do casamento! Para dar uma espiada no que virar. Uma espiada com meus próprios olhos.

O casamento está logo ali. Mas esse será um veraneio sem volta; e isso me assusta um pouco. Eu sei que essa não é uma coisa muito "bonita" de dizer. Ninguém espera ouvir uma noiva dizer que tem medo - não ao menos se ela ama o noivo e desejou por longos quatro anos e seis meses de namoro ficar com ele definitivamente (tá, tudo bem, foi menos que isso. Porque afinal levou um tempo para eu saber se era ele mesmo).

Mas é que eu estou entre a ansiedade para o grande dia e já com saudade da minha casa, da minha família, da minha rotina (de solteira). Minha mãe se consola dizendo que nada vai mudar, que eu vou só me mudar para logo ali. Mas não é verdade! Tudo vai mudar, inclusive eu. E não tem ladeira do casamento. O que há é uma montanha de expectativas e uma esquina a dobrar.


Essa não era a praia que eu ía, mas a visão era mais ou menos assim.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Natureza da União Conjugal




A união conjugal é, pois, acima de tudo, um acordo mais estreito que o dos corpos; não é um atrativo sensível nem uma inclinação dos corações o que a determina, mas uma decisão deliberada e firme das vontades: e desta conjunção dos espíritos, por determinação de Deus, nasce um vínculo sagrado e inviolável.
Esta natureza própria e especial do contrato o torna irredutivelmente diferente das relações que têm entre si os simples animais, sob o único impulso de um cego instinto natural, em que não existe nenhuma razão nem vontade deliberada; torna-o totalmente diferente, também, dessas uniões humanas irregulares, realizadas fora de qualquer vinculo verdadeiro e honesto por vontades destituídas de qualquer direito de convívio doméstico.


Fonte: Encíclica Casti Connubii (Papa Pio XI)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

As bodas de Caná

Há algum tempo mencionei as Bodas de Caná, e como refletir sobre essa passagem da vida de Jesus me ajudou a entender melhor como deve ser um casamento católico.
Recentemente, descobri esse texto no site da Monfort que foi publicado em 05 de dezembro de 2004. Leiam, eu gostei muito!  ^^


Autor: Olando Fedeli



‘Et die tertia nupciae factae sunt in Cana Galileae; et erat mater ejus ibi.’ (Jo II, 1)


Foi nas bodas de Caná que Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo seu comparecimento, estabeleceu o sacramento do matrimônio.


Repare-se que estas núpcias foram realizadas ‘in die tertia‘, no terceiro dia. Ora, conforme nos explica e ensina São Paulo na sua Epístola aos Efésios (V,32), o Matrimônio é símbolo de um sacramento muito mais alto: o das núpcias de Cristo com a Igreja: ‘Este mistério é grande, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja’. Pois assim como o marido e a mulher têm filhos segundo a carne, assim Cristo e a Igreja geram os filhos de Deus.
São Tomás de Aquino, em seus esplêndidos ‘Comentários sobre o Evangelho de São João’ (Tradução, notas e Prefácio de M.D. Philippe O P., Edição Les Amis de Saint Jean, Rimont – Buxy , 1977), repete o que diz São Paulo: ‘Em sentido místico, as núpcias significam a união de Cristo com a Igreja’ (Ed. Cit. Cap. II, Lição I, nº 338, vol. I , p. 338).
Ora, toda geração cristã legítima se faz através do matrimônio. Era, pois, muito conveniente Cristo, cabeça divina da Igreja e seu Esposo, principiasse sua ação apostólica, pela instituição do matrimônio. Daí ter ele comparecido a essas núpcias, em Caná, juntamente com seus Apóstolos e com sua Mãe Santíssima. ‘Et mater ejus ibi‘. E sua mãe estava aí.

Também era muito próprio que isto ocorresse ‘in tertia die‘, porque este era o terceiro dia em que Deus estabelecia uma união com os homens. Pois, no primeiro dia do homem, na manhã original da criação de Adão e Eva, Deus os abençoou e estabeleceu que eles deviam ‘crescer e multiplicar-se’ (Cfr.Gen. II, 28), a fim de que muitos participassem da vida e felicidade divinas. E esta foi, em certo sentido, a primeira aliança de Deus com o homem. E a esta primeira aliança o homem foi infiel quando cometeu o pecado original.
Num segundo dia, Deus firmou sua Aliança com Abraão (Gen. XII, 2-3), prometendo-lhe uma grande descendência, assim como a sua benção e proteção. Foi dessa aliança que nasceu o povo eleito, com o qual Deus firmou seu pacto no Sinai.
Agora, ‘in die tertia‘, Cristo instituía o sacramento do Matrimônio, imagem de suas núpcias eternas com a Santa Igreja.
E São Tomás, comentando essa expressão – ‘in die tertia‘ – diz que o primeiro dia foi o da lei natural; o segundo foi o da lei de Moisés; e o terceiro foi o dia da graça (Op. e ed. Cits. Cap. II Lição I, nº 338, p. 325).

Esta ação de Cristo se deu em Caná da Galiléia. Ora, Caná significa zelo, e o nome Galiléia tem raiz em Galut, que significa exílio. Porque, a Sabedoria divina exilando-se do céu, encarnou-se em Cristo, para , ardendo em zelo, vir a esta nossa terra de exílio, a fim de salvar os homens.

E Deus, Nosso Senhor, se encarnou para salvar a todos os homens, e não apenas os judeus. Por essa razão, Ele nasceu na Judéia, mas fez seu primeiro milagre e começou sua pregação na Galiléia. Ora, a Galiléia era mal vista pelos judeus, porque, depois do Cisma das Dez Tribos, ela pertencera ao Reino de Israel, e este Reino separara-se do culto oficial judaico no Templo de Jerusalém. Além disso, a Galiléia estava em próximo contato com as nações pagãs, sofrendo a influência dos fenícios idólatras. Por todas estas razões é que Natanael duvidou que o Messias pudesse vir de Nazareth, perguntando : ‘De Nazareth pode, porventura, sair coisa que seja boa ? ‘ ( Jo. I, 40).
E, entretanto, foi naquela que era chamada a ‘Galiléia das nações’, isto é, o exílio das nações, foi lá que cristo estabeleceu suas núpcias com a Igreja, porque, após a apostasia de Israel, Deus faria sua aliança com os gentios, no exílio.
Era, pois, entre os galileus, embora menos desprezados que os samaritanos pelos judeus, que Cristo ia iniciar a sua pregação. Queria Ele demonstrar assim que seu zelo não se limitava aos judeus, descendentes de Abraão, mas que Ele vinha, ao terceiro dia, para salvar todos os filhos de Adão.

Os noivos de Caná eram judeus, membros da Antiga Aliança, e suas núpcias se davam ainda de acordo com a Lei de Moisés e os costumes da Sinagoga. Eles representavam então as núpcias de Deus com a Sinagoga, que São Paulo comparou com as núpcias de Abraão com sua escrava Agar, e a de Jacó com Lia. Agar era a escrava e não a esposa legítima e primeira, e Lia tinha os olhos doentes e, por isso, não via bem. Assim, a Sinagoga foi a escrava e não a verdadeira esposa, e, quando chegou o Esposo, ela não o reconheceu, porque não viu nEle a realização das profecias, Ela ‘foi cega ao meio dia’, hora em que levantaram Cristo na cruz no Calvário. Pois, como o próprio Moisés profetizara, caso Israel fosse infiel: ‘ O Senhor te fira de loucura e de cegueira e de frenesi, de sorte que andes às apalpadelas ao meio dia, como um cego costuma andar às apalpadelas nas trevas, e não acertes os teus caminhos’ (Deut. XXVIII, 29). E Isaías confirmou isto ao profetizar: ‘Tira para fora o povo cego, apesar de ter olhos, o povo surdo, apesar de ter ouvidos’ ( Is. XLVII,8).
Mas Sara, a esposa legítima, foi abençoada, mesmo que seu filho tivesse nascido depois do filho da escrava. E Raquel, a segunda esposa de Jacó, mas que ele desejara ‘desde o Princípio’, Raquel tinha olhos claros e que viam bem, por isso o seu nome significa visão de Deus, e seu filho foi o preferido de seu esposo.

No Templo de Jerusalém, o povo da Antiga Aliança ofertava a Deus bois e cordeiros, o sangue e a gordura deles. Eram sacrifícios puramente materiais que faziam para reconhecer o senhorio de Deus sobre tudo o que possuíam. Estes sacrifícios simbolizavam o sacrifício que ia ser realizado no Calvário, e repetido no sacrifício da Missa sobre os altares da Igreja.

Os sacrifícios materiais dos judeus tinham pouco valor intrínseco. De fato, de que servem para Deus carneiros e bois imolados? Ademais, nem estes pobres sacrifícios materiais os judeus faziam de coração puro e com generosidade, e tinham se tornado cegos a seu significado.
Este vazio dos sacrifícios judaicos foi simbolizado no fato de que, em Caná, o vinho da festa de núpcias acabara nas urnas de pedra dos judeus. A incomparável superioridade do valor sacrifício de Cristo no Calvário e nas Missas – sacrifícios de valor infinito porque neles se imola o próprio Filho de Deus – é figurada na superioridade imensa do vinho feito miraculosamente por Cristo, em Caná, sobre o vinho que fora servido inicialmente aos convivas judeus.

Nas bodas de Caná, estavam presentes os Apóstolos de Cristo e sua Mãe Santíssima que eram membros do povo judeu, fiéis à revelação e à lei mosaica. Eles eram os restos fiéis do povo eleito, que sofriam com a decadência religiosa e moral dos filhos de Abraão, e com a cegueira dos sacerdotes, saduceus e fariseus.
Por essa razão, Nossa Senhora, cheia de zelo e de prestimosa caridade, é quem observa a Cristo: ‘Eles não têm mais vinho’ ( Jo, II, 3).

Falando da situação embaraçosa e humilhante em que se encontravam os pobres noivos de Caná, ela se referia, de fato e num plano superior, à situação lastimável do povo eleito, que já não tinha mais ‘vinho’ em seu coração, para ofertar a Deus no Templo. Era Israel como as virgens loucas da parábola, que já não tinham óleo em suas lâmpadas, quando chegou o esposo.

E que vinho era que faltava aos judeus?

São Tomás, no seu Comentário ao Evangelho de São João, que vimos citando, explica que aos judeus faltavam então três vinhos: 1º. o vinho da Justiça; 2º o vinho da Sabedoria; 3º o vinho da Caridade. Porque a Justiça dos judeus no Antigo Testamento era imperfeita, sua Sabedoria era em figura e não real, e sua Caridade não era filial, mas servil. (Cfr. São Tomás, Op. Cit. Cap. II, lição I, nº 347, vol. I, p. 332).

E por que estas virtudes foram comparadas por Cristo ao vinho?

O mesmo Aquinate no-lo explica dizendo: ‘ …o vinho é áspero, e é a esse título que a Justiça é chamada vinho(…) por outro lado, ‘o vinho alegra o coração do homem’ (Sl. CIII,15). É nisto que a Sabedoria é vinho, porque sua meditação traz a alegria mais viva (…) ‘Da mesma forma, o vinho inebria (…) por esta razão se diz que a caridade é um vinho(…) E a Caridade é dita ainda vinho em razão do ardor que ele produz’ ( São Tomás, Op. Cit. Cp. II, lição I, nº 347, Ed. Cit., Vol. I, pp. 331-332).
Quando Nossa Senhora disse a Cristo : ‘Eles não têm mais vinho’, a resposta de Nosso Senhor à sua Mãe, à primeira vista, pareceria dura àqueles que não possuem verdadeira compreensão da Sagrada Escritura. Disse Ele: ‘Quid mihi et tibi est, mulier? Nondum venit hora mea’ _ ‘mulher, que temos Eu e tu com isso? Ainda não chegou a minha hora’. ( Jo. II, 4).

Os protestantes se rejubilam, porque, segundo eles, Cristo teria dado uma resposta dura senão grosseira à sua Mãe, por chamá-la simplesmente de ‘mulher’ e não de Mãe. Na sua malícia esses protestantes nem se dão conta que, dizendo isso, estão acusando ao próprio Cristo Deus de faltar com a honra devida aos pais, como também de faltar com a virtude da mansidão.
Ora, examinando-se melhor a resposta de Cristo, se vê como ela é, de fato, elogiosa para com a Virgem Maria. Em primeiro lugar, convém lembrar que Ele a chamou de ‘mulher’, também no Calvário, dizendo do alto da Cruz: ‘Mulher, eis aí o teu filho’ ( Jo. XIX, 26).
Chamando-a de ‘Mulher’, Ele fala como Deus à sua criatura. Mas, ainda mais importante do que isso para compreender o texto, é que Cristo chama sua Mãe Santíssima de ‘Mulher’, para que todos reconheçam nela aquela ‘mulher’ que profetizou no Gênesis, quando amaldiçoou a serpente: ‘Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua raça e a dela, e ela mesma te esmagará a cabeça’ (Gen. III, 15).

Cristo, então, chama sua Mãe de mulher, para que todos reconheçam nela a mulher , aquela que esmagou a cabeça da serpente ao consentir na Encarnação do Verbo, ‘Semine ejus’, o Filho de Deus nascido de Maria Virgem. E assim como de Cristo se disse bem propriamente ‘Ecce Homo’ – Eis o Homem — , assim também é próprio dizer da Virgem Maria Mãe de Deus: ‘Ecce Mulier’ , Eis a Mulher, Mater et Virgo, aquela que possui as duas perfeições mais importantes da ‘Mulher’: ser Mãe e ser Virgem.
São Tomás comenta que Cristo chama Maria de mulher, para mostrar que Ele era Filho de Deus e de uma mulher, a fim de combater todas as heresias gnósticas, como a dos maniqueus e a dos cátaros, que condenavam a matéria como sendo má em si, e obra do deus do mal. Por isso, maniqueus e cátaros condenavam a mulher, o casamento e a procriação. Afirmando-se também como filho de uma mulher, Cristo condenava as heresias que negariam a sua humanidade, como iam fazer os eutiquianos, que afirmavam ter tido Ele apenas um corpo aparente e não verdadeiro.
Por tudo isso, convinha muito que o Evangelho salientasse que ela era ‘a mulher‘ e que afirmasse ser ela a mãe de Jesus: ‘E Mãe de Jesus estava aí’. Por isso também São Paulo afirma? ‘Deus enviou seu Filho, nascido de mulher’ (Gal. IV,4). Maria, pois, foi a mulher e a Mãe de Jesus.

Cristo afirma que nem Ele nem ela tinham qualquer responsabilidade pela falta de vinho, nas bodas de Caná. Não fora nem por causa de Deus, nem por causa dos justos de Israel que o povo eleito já não tinha nem o vinho da Justiça, nem a Sabedoria, nem a Caridade. Se a Sinagoga estava carente de vinho para as suas núpcias com Deus, isto era por culpa exclusiva dos maus judeus, principalmente de seus príncipes e doutores. Nem Cristo, nem a Virgem tinham qualquer participação na culpa da Sinagoga, da qual não compartilhavam nem da culpa e nem da decadência.

Não chegara ainda a hora de Cristo. Esta hora suprema a que Ele se referia chegaria na Páscoa Santa na qual Ele instituiria o sacrifício da Nova Aliança, na Santa Ceia do Cenáculo e, pouco depois, no Calvário. Agora, em Caná, foi o pedido da Virgem que fez Ele antecipar a hora dos milagres, pois este é o poder da oração: como que ‘forçar’ a vontade de Deus, tal qual Jacó forçou o anjo a abençoá-lo. O que lhe valeu o misterioso nome de Israel, isto é, ‘forte contra Deus’ (Gen. XXXII,28). Não que a oração mude a vontade de Deus, mas Deus condiciona a doação de suas graças e de seus planos providenciais à súplica dos homens.

Maior do que a força de Jacó arrancando a benção do anjo foi a força da petição de Maria arrancando de Cristo, seu divino Filho, a antecipação de sua hora. Por isso, mais do que Jacó ela merece o nome de Israel, ‘forte contra Deus’. Daí São Luís de Montfort, o grande Doutor mariano denominá-la de ‘omnipotência suplicante’. E mais do que a ninguém vale para ela o que Cristo disse dos violentos: ‘O Reino de Deus sofre violência, e todo dia os violentos o arrebatam’ (Mt. XI, 12).

Neste caso do milagre de Caná, Ele quis demonstrar que a transformação da água em vinho – primeiro de seus milagres públicos na ordem natural – se deu por causa das súplicas de sua Mãe a Virgem Maria.

Que importância tinha, em concreto, o ter acabado o vinho numa festa em Caná da Galiléia naqueles longínquos tempos ? Que era Caná, mísera aldeia de uma mísera província desprezada até pelos judeus ? Que era a Judéia, então ? E que eram aqueles pobres noivos de que não restou nem o nome, apesar do milagre enorme que por eles foi feito ?
O fato, de si, minúsculo da falta de vinho numa festa de casamento não tem qualquer importância aos olhos dos homens. Mesmo para os convivas, que importância maior teria o fato de terem que ir embora um pouco mais cedo porque o vinho acabara ? Que conseqüências haveria para o mundo e para a História, caso a festa de núpcias de um desconhecido e irrelevante casal de noivos, na irrelevante e desconhecida Caná se encerrasse antes da hora por falta de vinho ?
Nem a Galiléia, nem Caná, nem os noivos, nem a falta de vinho tinham de si qualquer importância. Mas. A delicada caridade e o afeto maternal de Maria se comoveram diante do embaraço daqueles pobres noivos que nada lhe pediram, mas a quem ela se apressou a socorrer, implorando a Cristo um milagre, ainda que fosse antecipando a hora providencialmente estabelecida.

E São Tomás, nos Comentários que dele estamos citando, nota que Nossa Senhora não esperou que necessidade dos noivos chegasse ao extremo. Quando viu que o vinho estava acabando, logo pediu a Cristo que desse remédio à situação ( São Tomás, op. Cit. Cap. II , Lição I, nº 345, Vol. I p. 330).
Foi essa caridade preventiva da Virgem Maria que levou Dante – sublime poeta a tantos títulos censurável – a escrever estes esplêndidos versos a respeito da bondade de Nossa Senhora:
‘Donna, sei tanto grande e tanto vali che qual vuol grazia ed a te non recorre sua disianza vuol volar sanz’ ali. La tua benignità non pur socorre a chi domanda, ma molte fiate liberalmente al dimandar precorre. In te, misericordia, in te pietate, in te magnificenza, in te s’adunna quantunque in creatura è di bontate’(Dante Allighieri, Divina Comedia, Paradiso, XXXIII,13-21).[Mulher, és tão grande e tanto vales que, quem graça e a ti não recorre, seu desejo é o de voar sem ter asas. A tua benignidade não só socorre a quem pede, mas muitas vezes, generosamente, ao pedir, precede. Em ti, misericórdia, em ti, piedade, em ti, magnificência, em ti se reúne tudo quanto na criatura há de bondade!']

Magníficos e verazes versos de um poeta que nem sempre foi veraz, porque mantinha uma ‘dottrina nascosta sotto il velame delli versi strani ‘ (Dante, Divina Comedia, Inferno, IX, 63).


Em seu Comentário ao Evangelho de São João , São Tomás nos diz que, a Virgem Maria, pedindo o milagre a Cristo em Caná, ‘representa nisto a Sinagoga, que é a mãe de Cristo: com efeito, os judeus têm o hábito de pedir milagres, como o diz São Paulo: ‘Os judeus pedem sinais’ (I Cor. I, 22).
Se Nossa Senhora pediu o milagre por caridade material, ela imediatamente dá aos servos do noivo um conselho que serve para todos nós: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Por este motivo também, não é então sem razão que a Igreja a chama de Mãe do Bom Conselho. Não só ela foi Mãe do Conselho de Deus Altíssimo, como é mãe que continuamente só nos comunica bons conselhos e aspirações.

Mostra então o Evangelho que Nossa Senhora pediu o milagre. Cristo o realizou, Os Apóstolos o testemunharam.
Prossegue o relato do evangelista dizendo que havia lá seis talhas de pedra preparadas para as purificações dos judeus, cada uma delas com duas ou três medidas, e que Cristo ordenou que as enchessem de água. É essa água que Jesus vai transformar em vinho.

São Tomás indaga por que Cristo quis usar água para fazer o milagre. Não poderia Ele ter feito o vinho do nada ? Claro que sim.
Portanto, se Ele usou a água foi por alguma sábia razão.
São Tomás excogita as seguintes razões para isso:
1ª Para demonstrar que a matéria é boa, ao contrário do que ensinariam os hereges gnósticos de todos os tempos ( maniqueus, cátaros e budistas); 2ª Para nos mostrar que, assim como Ele tinha poder de transformar a água em vinho, tinha também poder de transubstanciar o pão e o vinho em seu corpo, sangue, alma e divindade; 3ª Para nos fazer entender que Ele não vinha trazer uma doutrina nova, mas que o seu ensinamento era apenas o aperfeiçoamento do que Deus ensinara no Antigo Testamento. ( Cfr. São Tomás, Comentário…, Cap. II , Lição I, nº 358, ed. Cit. Vol. I, p.339).

Que símbolos contém a água ?

É certo que a água, de um lado simboliza a humildade, pois assim como a água escorre procurando sempre o lugar mais baixo, assim também quem é humilde busca sempre as posições mais baixas e nunca as mais altas. Se a água sobe aos céus é apenas em forma de vapor aquecida pelo Sol. Pois assim também, quem é humilde e busca os lugares mais baixos, é exaltado pelo ardor do amor de Deus que eleva os humildes acima das nuvens.
Por outro lado a água se adapta a todos os recipientes, simbolizando por isso as pessoas cordatas e mansas que não procuram impor-se mas que aceitam tudo o que lhes acontece como vontade de Deus.
E nossa irmã água – como poeticamente a chama São Francisco – ‘è umile ed utile, et pretiosa et casta’ (S. Francisco, Cântico das criaturas).

Todo símbolo, porém, é ambíguo. E São Tomás nos aponta outro símbolos postos por Deus na água. O Aquinate nos lembra que a água é um elemento frio e instável que, de si, corre sempre para os lugares mais baixos, até chegar no abismo do mar amargo. Ela representa, assim, os pecadores que friamente caem de pecado em pecado, de abismo em abismo, até se precipitarem, afinal, no amargo abismo do inferno.
As águas das talhas de Caná representam ainda os sacrifícios dos judeus no Antigo Testamento, que eram apenas imagens do Sacrifício do Novo Testamento. Os sacrifícios judaicos, eram ofertados por um povo que deixara a reta via, que matara os profetas e ia matar cristo o filho herdeiro da vinha. Essas águas representam então os pecados dos judeus que encheram até a borda os seus corações de pedra. Pois está dito que os servos dos noivos encheram as hidras até as bordas.

Por outro lado, foi Cristo que mandou encher as talhas. Portanto, elas estavam vazias. E essas hidras eram usadas, como dissemos, para as purificações judaicas. Elas estavam vazias, porque os judeus tinham seus corações de pedra vazios de qualquer arrependimento. Eram hidras vazias, porque as águas da purificação judaica eram mero símbolo das futuras águas do batismo que, elas sim, trazem a verdadeira e inteira purificação da culpa original.

Cristo mandou, então, encher as talhas de água, isto é, que os pecadores — de coração duro como pedra – enchessem esses corações , até a borda, com as lágrimas do arrependimento. E os servos seguiram o conselho da Virgem Maria e obedeceram a ordem do Verbo encarnado, e, por isso, lhes foi dado beberem o vinho excelente do milagre de nosso Senhor Jesus Cristo.
Eles eram servos, porque eram judeus, filhos da escrava, filhos da Sinagoga. Mas os aceitam serem purificados nas águas do batismo e nas lágrimas de um arrependimento sincero, estes serão chamados filhos, e eles beberão o sangue do Cordeiro celestial. Eles tomarão o cálice do sangue de Cristo, vinho da Nova Lei, vinho que aquece e que traz a alegria e o fervor do perdão, da graça e o ardor do amor de Deus, e o zelo pela virtude.

Eram seis as hidras de pedra em Caná. Seis, porque, ao criar o mundo, Deus usou seis dias e ao cabo desses seis dias, estabeleceu sua primeira aliança com os homens, e instituiu o primeiro casamento, ordenado a Adão e Eva que se multiplicassem.
Eram seis as hidras de pedra em Caná, e, comenta Hugo de São Victor que eram seis para representar também as seis idades do mundo, desde a origem até Cristo. E o grande São Tomás repete essa explicação do abade de São Victor, relacionando as seis talhas com as seis idades da história do homem.

Essa divisão da História em seis idades, desde Adão até o fim dos tempos — e que daremos a seguir – teve uma aplicação errônea nos escritos de Joaquim de Fiore, pai de tantas heresias milenaristas e escatológicas. Feitas, porém, as prudentes e necessárias ressalvas, de si, ela não é condenável, e, por isso, as citaremos na ordem e correspondência das idades do homem, conforme a exposição de Hugo de São Victor.

IDADES DO MUNDO
IDADES DO HOMEM
1ª De Adão até Noé
1ª Idade pueril do homem
2ª De Noé até Abraão
2ª Infância
3ª De Abraão a Daví
3ª Adolescência
4ª De Daví ao cativeiro de Babilônia
4ª Juventude
5ª Do cativeiro de Babilônia até Cristo
5ª Maturidade
6ª De Cristo até o fim do mundo
6ª Velhice
7ª A vida eterna
7ª O Reino dos Céus.

Foi no sexto dia que Deus criou Adão e Eva, revelou-se a eles, e ordenou que se multiplicassem, dando-lhes a lei que proibia comer o fruta da árvore do conhecimento do bem e do mal. Assim também, na sexta idade, o Filho de Deus se tornou homem, instituiu o matrimônio como sacramento, fundou a Igreja, dando-lhe a lei evangélica. Na sexta idade se deu a Redenção.
Convém salientar que, segundo esse esquema das idades da História – ao contrário do esquema joaquimita que era milenarista – a sétima idade, a do repouso, está além deste mundo, além da História. O Abade De San Giovanni in Fiore com todos os eus seguidores quiliásticos, pelo contrário, esperam um reino de Deus, religiosos político e social, ainda neste mundo . Hugo de São Victor afirma que a sexta idade vai até o fim do mundo, e que, portanto, não haverá um Reino de Deus neste mundo, porque Cristo afirmou: ‘Meu Reino não é deste mundo’ (Jo. XVIII, 36).

Conforme diz Hugo de São Victor, as seis hidras de pedra das bodas de Caná representam ainda os cinco sentidos corporais e o senso interior que unifica as informações dos cinco sentidos. As seis hidras da purificação continham as águas que purificavam os pecados de nossos seis sentidos.

Enfim, convém fazer referência ao fato de que as hidras eram seis porque, além do sacramento do matrimônio instituído então por Cristo, em Caná, Ele ia nos dar mais seis sacramentos, que conteriam o vinho da graça, capaz de nos dar o vigor, o calor e a doçura, para enfrentarmos as dificuldades morais nas várias situações e dificuldades de nossa vida espiritual. É possível interpretar também as seis hidras como seis sacramentos, sendo o sétimo, a Eucaristia, aquele que nos dá o próprio Cristo com seu corpo, sangue, alma e divindade, representado pela próprio Jesus Cristo, presente em Caná.

Está dito ainda no Evangelho que cada hidra continha duas ou três medidas, porque cada sacramento nos dá uma graça sacramental, própria de cada sacramento, além do aumento da vida da graça em nós, o que perfaz duas medidas. Mas, três sacramentos – Batismo, Crisma e Ordem – além da graça sacramental própria e do aumento da vida da graça santificaste, imprimem caráter em nossas almas, o que perfaz a terceira medida.

Hugo de São Victor ensina que as hidras tinham duas ou três medidas, porque elas estavam destinadas a conter as águas da purificação. Ora, nas tentações que nos podem levar a pecado, pode-se distinguir:
1º — A deleitação, na sugestão pecaminosa; 2º — O pleno conhecimento e pleno consentimento da vontade; 3º — A própria obra pecaminosa.

Ora, conforme falte gravidade da matéria de pecado, ou pleno conhecimento e pleno consentimento, o pecado será venial e não mortal. Por isso, o arrependimento deve também conter duas ou três medidas.
E as seis hidras eram de pedra, porque nossos sentidos são empedernidos por nossas culpas, e nós só as lavamos quando as enchemos com as lágrimas de nosso arrependimento e de compunção. E as águas são convertidas em vinho, porque o pranto da culpa é convertido pelo perdão na alegria trazida pelo vinho da graça.
Hidras de pedra – porque a Igreja é de Pedro e contém firmemente as graças do Vinho Eucarístico.

São Tomás de Aquino faz outro comentário ainda, e muito curioso, sobre o significado das seis urnas dos judeus, que Cristo ordenou que fossem cheias de água. Diz ele que ‘no sentido místico [ é preciso compreender que] nas núpcias espirituais, a Mãe de Jesus, a Virgem bem-aventurada, está presente na qualidade de conselheira das núpcias, porque é por sua intercessão que somos unidos a Cristo pela graça’ (Op. Cit. Cap. II , Lição I, , nº 343; ed. Cit. Vol I, p.328).

De outro lado, a pedra das hidras representaria os judeus enquanto as águas seriam os gentios. O vazio das hidras e seu preenchimento pela águas significaria a substituição dos judeus pelos gentios , no Novo Testamento.
E por que as águas, elemento líquido, seriam os gentios, e a pedra – ou a terra, o elemento sólido, os judeus ?

Várias passagens da Escritura indicam isto. Por exemplo, o nome de Moisés, significa ‘Salvo das águas’, não só porque ele foi salvo das águas do rio Nilo, como também porque ele foi salvo do egípcios que eram gentios.
Também, durante o êxodo, ao chegarem a Mara, os judeus só encontraram águas amargas, isto é, salobras e impróprias para saciarem a sede. Porém, quando Moisés lançou nelas o seu bastão de madeira, elas ficaram doces e potáveis. Por que isto ? Porque as águas – os gentios – que não eram ‘potáveis’ para Deus por causa de sua idolatria, tornaram-se doces e potáveis, quando nelas foi lançado o madeiro da cruz de Cristo. Por isso também, Cristo caminhou sobre as águas e ordenou a Pedro que fizesse o mesmo. E Pedro duvidou e começou a afundar, para representar que, em certo momento, ele duvidou da legitimidade do apostolado com os gentios e ‘judaizou’ na questão das carnes proibidas, e , por isso, foi repreendido por São Paulo.

O arquitriclínio experimentou o vinho miraculoso de Cristo e o julgou excelente. Não conhecendo ainda a sua origem miraculosa, falou de sua estranheza ao noivo, dizendo-lhe que, normalmente, os homens servem primeiro o vinho melhor, e depois que os convidados já estão satisfeitos, servem então o pior.

Evidentemente, servir o vinho pior no final da festa não pode ser a norma de Deus., porque envolve falta de generosidade e uma certa astúcia. A cias de Deus não são as vias dos homens. Deus nos dá primeiramente o vinho pior – as agruras e as cruzes da vida – para, depois, nos dar o vinho generoso e perfeito da festa celestial, por toda a eternidade. Antes, temos que tomar o caminho estreito e pedregoso, para, depois, recebermos nossa recompensa imensamente grande, que será o próprio Cristo. Antes, Ele deu aos judeus o vinho do Antigo Testamento, que era apenas um prenúncio do ‘vinho’ eucarístico, que é o próprio sangue de Cristo.

Desse ‘vinho’ melhor, o arquitriclínio não compreendeu a origem, pois não vira o milagre. Assim também, do Messias, os judeus ignoravam a sua origem, e, por isso, lhe perguntavam : ‘De onde vens Tu ? ‘ 
E Cristo lhes dizia: ‘Vós não sabeis de onde Eu venho’ ( Jo. VIII,14).

Desse modo os judeus não conheciam a origem divina do Verbo, por sua geração eterna no seio de Deus Pai, nem sua encarnação no seio virginal de Maria Santíssima. E, quando Ele a exprimiu, eles recusaram aceitá-la, e tomaram pedras para matá-Lo (Jo. 8, 59 ). Por isso os judeus, desconhecendo a origem divina do Messias não receberam, porque não quiseram, o vinho de sua graça.
Também os noivos de Caná não sabiam explicar ao arquitriclínio a origem do vinho superior, e porque ele fora servido só no final da festa.

Estes noivos representam a Sinagoga, que desconheceu a Cristo e o crucificou, porque inebriada pelo vinho inferior, desejou com zelo apenas o reino neste mundo, e preferiu permanecer no exílio da ‘Galiléia’ , que significa, como vimos, transmigração ou exílio acabado. A Sinagoga amou apenas a letra da lei, e não espírito. E assim como no vinho inferior só se busca o inebriamento do álcool, sem ter nenhuma doçura superior, assim também, a letra da lei mata, impedindo que o espírito das Escrituras seja conhecido e vivifique e inebrie a alma pela doçura da sua Sabedoria.

Pois Cristo veio ao mundo para que tivéssemos vida e saúde em abundância. Para isto, Ele veio fundar a Igreja, geradora dos filhos de Deus com Cristo, para a vida eterna. Igreja fundada na pedra, e na qual Cristo faz jorrar o vinho excelente de suas graças, enchendo até a borda os corações dos fiéis.

Finalmente, convém lembrar que as hidras eram de pedra e estavam vazias, porque o homem é feito de barro, e que a pedra é ‘barro’, isto é, mineral endurecido. Era Adão, o homem pecador que estava petrificado pelo pecado original, e vazio de graça e vida espiritual. Como já vimos, eram seis as hidras vazias, porque seis eram as idades do mundo, que haviam passado até Cristo vir para realizar suas núpcias com a sua Igreja.

A hidra vazia é, então, o homem morto pelo pecado ao qual Cristo devolveu a graça. A hidra vazia é também o homem santo e que morreu materialmente, para quem, no fim do mundo, Cristo ressuscitará com um corpo glorioso e tendo um nova vida, superior a que perdera.
A hidra vazia é, enfim, Cristo morto para pagar os nossos pecados, e que pela ressurreição, venceu a morte, e tornou a encher nossas almas de vida. ‘Et ressurrexit tertia die’. E, por isso, tudo isto que se fez em Caná aconteceu ‘in die tertia’

‘Tal foi o primeiro dos milagres de Cristo ‘, diz São João, a fim de condenar os falsos milagre atribuídos a Cristo, quando ainda menino, conforme contam mentirosamente os Evangelhos Apócrifos ( Cfr. São Tomás, op. Cit Cap. II Lição I, nº 364; ed. Cit. Vol I, p.343).
O milagre de Caná foi o início dos milagres de Cristo que culminaram com a sua gloriosa Ressurreição. Depois disto, Ele se manifestou gloriosamente a seus Apóstolos, que creram nEle. Por isso está escrito: ‘Por este modo deu Jesus princípio aos seus milagres em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nEle’.

Depois da Ressurreição e da Ascensão aos céus, os Apóstolos se espalharam pelo mundo, pregando a Cristo crucificado que ressuscitou dos mortos. A Igreja Católica – cuja cabeça é Cristo – iniciou sua trajetória de missões, martírios, de polêmicas e de cruzadas, levando o nome de Cristo Jesus até os confins da terra, sempre assistida pela Virgem Maria e pelas preces da Igreja triunfante, no céu.

Por isso, a narração do milagre de Caná conclui com as seguintes palavras:
‘Depois disto, foi para Cafarnaum, Ele e sua Mãe, seus irmãos e seus discípulos – toda a Igreja – mas não demoraram lá muitos dias’ ( Jo II,12).
Comparados com a eternidade, poucos são os dias da História entre a Ressurreição e o Juízo, entre ‘Tertia die’ ‘et novissima die’

Amen . Veni, Domine Jesu !