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sábado, 24 de maio de 2014

Meu casamento: a igreja

P.S.: Esse post foi originalmente escrito em agosto de 2013. Vi que a foto que usei no post tinha sumido e quis atualizar colocando outra foto. Aí o post veio para o dia de hoje como se tivesse sido postado agora. Não tem como desfazer. Desculpem a confusão. =]




Essa é a igreja onde assisto a Santa Missa todos os domingos e onde irei me casar (e se Deus quiser batizar e crismar meus filhos!).

Eu e meu meu noivo temos um carinho muito especial por ela - tanto pela sua estrutura física e História como pessoas pessoas que conhecemos e nos relacionamos lá.

Eu sei que muitas enfrentam situações ruins nas suas paróquias como fofocas ou coisas assim, mas aqui nos sentimos em casa e acredito que é um sentimento geral. Claro, que onde há pessoas, por mais semelhanças que hajam, é necessário diplomacia e respeito. Só que no final das contas o que prevalece é um sentimento de união e fraternidade. Não vou dizer que as pessoas de lá são como família, porque família é família. As pessoas de lá são para nós como irmão na Fé. Se sentir irmanado a alguém pelo Pai do Céu que nos une é algo que se você viveu vai saber exatamente do que estou falando, se você não viveu, acredito que não vale muito á pena explicar.

E a construção em si, tem uma história toda especial.
Ao longo do período colonial a Igreja Católica no Brasil  também se voltou aos escravos brasileiro, principalmente em estados que tinham grande número de escravizados (como Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro), onde se difundiam irmandades e devoções.
No Rio grande do Norte, apesar do pequeno número de escravos essas devoções também se fizeram presentes.

Entre 1713 e 1714 foi finalizada a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Nossa Senhora do Rosário era a padroeira protetora dos escravos). Eu gosto sempre de frisar o fato de que a igreja foi construída por escravos no período escravocrata (ou seja, ainda não existira a abolição da escravatura). E me comove muito pensar o que a fé, o que a Igreja é capaz de fazer. Escravos, pessoas que nem eram vistas como pessoas construíram uma igreja! Para isso precisaram de tempo livre para dedicar a obra, de dinheiro para comprar material... Vez ou outra me pego pensando em como será que que fizeram isso. E me pergunto: E o preconceito? E o racismo? Provavelmente era deixado de lado porque era uma igreja que se estava construído! Penso num negro, escravo, no século XVIII entrando em uma loja cheia de homens brancos, com vendedores brancos e comprando tijolos, e saído da loja com os tijolos. Bom, isso não é História, são apenas devaneios da minha cabeça. Posso dizer que ele saiu com tijolos porque a igreja está lá de pé, mas o resto é especulação. Mas penso nisso sempre... Primeiro uma situação de desconforto e mal-estar, até que um nome irrompe o ar "Nossa Senhora do Rosário", "Igreja", as caras sisudas se desfazem (pelo menos em sua maioria) e surge aquele ar de fraternidade (o mesmo que falei um pouco acima).

E o que me deixa mais abismada é que Natal era uma cidade tão pequenina, quase uma vila de pescadores. Não tinha muitos escravos, porque também, na verdade, não tinha muita gente. E mesmo assim, a segunda igreja a ser construída foi a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
A igreja foi tombada em 1988, quando também foi reformada assumindo sua arquitetura original.


Na frente da igreja há também um cruzeiro (construído junto com a igreja) e um mirante (construído na reforma) que fornece uma bela vista para o rio Potengi, a ponte Nilton Navarro e o mar.

Escolhi um ótimo cenário para meu casamento, não?

Ah! Uma outra coisa muito legal sobre a minha igreja (porque ela minha também, e gosto muito de chamá-la assim) é que foi nela que abrigou-se num primeiro momento a imagem de Nossa Senhora da Apresentação (imagem que apareceu nas água dos rio Potengi). Mas essa é outra história, que vai ficar para depois.


Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Meu casamento: Liturgia





Eu e o meu noivo frequentamos a Santa Missa no Rito Gregoriano (mais conhecido como Missa Tridentina). E não poderia ser diferente, nosso casamento, que será casamento com Missa, será celebrado na Forma Extraordinária.

Embora essa decisão parece muito natural, apenas nós dois de toda a nossa família somos tradicionais. Há pessoas que são simpáticas (bem poucas), há pessoas indiferente e há pessoas hostis ao rito antigo. Então, mesmo sendo essa a nossa vontade desde o princípio tivemos que pesar e ponderar muitas coisa antes de bater o pé perante toda a família.

Sei que muitas pessoas dizem (embora nem sempre sigam) que o casamento é dos noivos, que ninguém deve se meter e que eles devem fazer da maneira que quiser (especialmente quando são eles próprio que pagam tudo). Bom, eu não penso assim.

O casamento é dos noivos, mas é também das família, que agora iram se unir, que também celebrará junto, que sonhou com esse dia desde o nosso nascimento. Além disso, que vale convidar pessoas queridas para um grande dia se elas comparecerão contrariadas?

Como isso era algo muito importante para nós, decidimos conversar com a família sobre o valor que tinha para nós casar no rito antigo. Claro que não com toda família, na verdade, com nossos pais, irmão e avós.

Passada essa etapa, firmado o compromisso. Agora era ver toda a questão litúrgica.

A igreja que frequentamos [no final do texto há informações detalhadas] possui a Missa Tridentina desde 2007, mas até hoje nunca houve um sacramento ministrado nesse rito. Um rapaz lá da igreja viajou a Portugal e a gentileza de trazer para nós um Missal de 62 (numa versão para leigos, o que seria o equivalente as folhinhas da Missa, mas apenas com a parte que os fiéis acompanham, não é como o Missal do sacerdote), que também continha uma parte referente aos sacramentos para fazer a folhinha do dia. E o padre precisou consultar o Missal e ver como o casamento precisava ser celebrado.

Depois de visto isso, precisávamos escolher as músicas e os músicos. A música nem foi tão difícil, pois decidimos utilizar as que já eram cantadas comumente na igreja [mas se você que uma ajudinha ou inspiração, dê uma olhada nesse link]. O problema maior foram acha músicos dispostos a aprender músicas com letras em latim e estilo gregoriano (digo estilo, porque não precisava ser o gregorianos mesmo, mas apenas seguir os arranjos e melodias das músicas), quando era possível custava um valor muito (mas muito) acima do nosso orçamento. Já estávamos desanimados e sem saber o que fazer.

Foi aí que descobrimos o Grupo Tróveres. Pessoas legais, atenciosas, disponíveis e com um preço super acessível. Como só no Céu há perfeição, queríamos muito que fosse piano e voz masculina; mas o grupo é de cordas com voz feminina. Tivemos que lidar com essa frustração, mas ficamos confiantes ao ver a disponibilidade deles de pegar todas as músicas, de estudar canto gregoriano... Ficamos realmente felizes com a escolha (dentro do que foi possível fazermos).

Quanto a Liturgia, foi mais ou menos isso que passamos. Depois posto aqui o nosso missal de casamento (a folhinha da Missa). Os textos são belíssimos!



Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos


Informações:
A igreja onde assistimos Missa e onde será o nosso casamento é a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos; localizada na Travessa Gonçalves Dias, s/n - Cidade Alta (próximo ao TRE), na cidade de Natal/RN.

O Celebrante (da Missa Tridentina e do casamento) é Monsenhor Lucilo Alves Machado.