Há poucos dias completei três meses de casada. A meu ver até parece
mais. Embora realmente sinta como se estivesse casada a mais tempo, ainda me
pego sem acreditar que meu noivo é meu marido (!). Tantas coisas aconteceram até
agora que gostaria de dividir algumas coisas que aprendi sobre o casamente
neste tão breve período de tempo, apenas porque relatos assim me foram tão
uteis.
I.
Não
há fórmulas mesmo. Sempre relativize concelhos.
Gostaria de começar lhe dizendo isso. Por mais bem sucedido
que seja um casamento não há fórmulas que possam ser dadas. Cada pessoa é de um
jeito e cada casal tem a sua história. Sei que é um pouco clichê, mas mesmo
sabendo disso tão bem, muitas vezes me peguei querendo fazer meu casamento
funcionar conforme “dicas”. Isso nunca é bom, porque, primeiro gera uma
artificialidade na relação, uma vez que
tira a naturalidade e espontaneidade das pessoas, e segundo porque aquela
“dica” pode realmente não servir para vocês. Então quero que inclusive o que
vou dizer seja relativizado, e visto como um compartilhamento de experiências e
não “dicas” de como ter um bom casamento, ou algo assim.
II.
Não queira conversar demais sobre tudo. Isso é
querer fazer de cada pequena coisa um problema relevante.
Todos sabem que homens e mulheres são diferentes, e que
mulher ama conversar. De fato, ter um bom fluxo de diálogo entre os cônjuges é
necessário e saudável. Mas não queira conversar sobre cada coisinha que lhe
aborrece com o seu marido, os homens se cansam disso. Se conforme com o fato de que haverão dias em que seu marido não estará com a menor paciência de lhe ouvir, enquanto você
procura entender as causas de ele deixar a toalha molhada em cima da cama ou os
sapatos jogados no meio da sala. Ele pode conviver com o fato de você sempre pedir
para ele arrumar essas coisas, mas não de você querer analisar o porquê
disso – com ele!
III.
Não
queira ter razão, queira ser feliz.
Discussões acontecem. Faz parte da vida a dois. Mas quando a
discussão é séria, normalmente os dois se chateiam e os dois se magoam. Então
não fique esperando o outro lhe procurar e lhe agradar buscando o perdão; mesmo
que para você haja mil motivos para se considerar certa, e assim ser obrigação
do outro que errou buscar a reconciliação. Não queira estar certa queira ser
feliz! Sei que é uma coisa difícil de fazer, mas certamente tem efeitos enormes
no dia-a-dia de vocês. É melhor passar meia hora brigado do que o dia todo.
IV.
Se
humilhe. Isso mesmo! Se você conseguir amar mais a outra pessoa que a si mesmo,
você será conforme a vontade de Deus.
Isso tem relação com o ponto anterior. Quase todos nós somos
muito orgulhosos. Se você pensa estar certo durante uma discussão, será
certamente uma humilhação buscar a reconciliação, pedir desculpas. Se você
pensa merecer reconhecimento por algo que fez e não recebe, se sente humilhado,
como por exemplo, se arrumar toda e não ouvir uma palavra de elogio do seu marido. Nessas
horas lembre-se de Nosso Senhor Jesus, que tantos nos amou e se humilhou por
nós; morreu por nós, para nos dar o Céu, que é a maior alegria que existe, e
quantas e quantas vezes somos ingratos, não O louvamos e até O ofendemos. Se
você pensa assim, não será tão difícil se humilhar e pedir perdão primeiro, mesmo que o erro do
outro seja mais grave que o seu.
V.
Suporte
os defeitos, veja que você também erra.
Às vezes quando vemos o defeito do outro nos esquecemos dos
nossos. Por isso, Nosso Senhor disse que olhamos o cisco no olho do outro e
esquecemos a trava que está no nosso. Eu sempre reclamava de pequenas coisas
que o meu marido fazia e que me irritavam (como deixar coisas jogadas em cima
do sofá), até que um dia ele sem paciência disse: você também faz um monte de
coisas que me irritam e não encho o seu saco por isso. É comum nós mulheres
pensarmos que o homem tem mais defeitos que nós simplesmente porque nós falamos
mais sobre o defeito deles enquanto que eles se calam em relação aos nossos. O
que eu fiz à respeito? Pedi desculpa, e disse que ele poderia sim, me dizer
coisas que eu fazia e o incomodava, e iria procurar melhorar em relação a isso,
do mesmo modo que esperava que ele melhorasse; e também que deixaria de falar
tanto sobre isso (que tem haver com o que eu falei no tópico II).
VI.
Se
doe sempre. Procure sempre pensar em como fazer o seu cônjuge mais feliz.
Casamento é entrega e doação. Procure não entrar na lógica,
“você não me faz feliz!”. Pense sempre no que você poderia fazer pelo seu
cônjuge. Agindo assim você dá um testemunho cristão, realiza verdadeiramente o
objetivo do matrimônio e incentiva seu marido a fazer o mesmo, pois se ele
estiver feliz certamente vai querer que o mesmo aconteça para você. Já se a
relação se baseia em acusações e cobranças a tendência é vocês se tornarem cada
vez mais distantes.
VII.
Sempre
que for criticar algo tente ser verdadeiramente sincero e gentil.
Certamente haverão momentos que se fazem necessárias as
críticas. Ninguém é perfeito, e quando um cônjuge erra (de maneira grave) cabe
ao outro corrigi-lo e incentivá-lo a fazer o correto. Mas o faça com verdade,
não faça drama. Não diga coisa do tipo “Você nunca faz isso!”, “Jamais será
capaz!”, “Impossível!”, etc. O mais comum é que frases desse tipo venham
carregadas de emoções do que realmente de fatos. Procure dizer a verdade e não
carregar a crítica de hipérboles. Além disso, tecer uma crítica não é gritar
nem ofender. Procure sempre ser gentil.
VIII.
Não
se fechem em si mesmos. A presença de bons amigos é sempre tão proveitosa.
Eu costumo ver casais que se fecham em si mesmos e se afastam
dos amigos. Claro que devemos selecionar nossas amizades, especialmente as mais
próximas, que participarão da intimidade do nosso lar. Mas a presença de bons
amigos traz grande proveito. São pessoas que, além da nossa família, nos ajudam
nas dificuldades, aconselham e nos fazer ver que não é só a gente. Penso sempre
quando ao conversar com algumas amigas minhas que são casadas vejo que não é
que eu tenho um marido desligado e insensível, é apenas que eu tenho um marido
que é homem, igual a todos os homens.
IX.
Aceite
o amor que a pessoa pode lhe dar. Não espere que as pessoas lhe amem a seu
modo.
É tão libertador entender que cada pessoa ama a seu modo!
Muitas vezes nos entristecemos ao pensar que alguém não nos ama, no entanto o
que ocorre é que esperamos que uma pessoa demonstre amor de uma determinada
maneira e ela não o faz; mas não porque não nos ama, mas porque seu modo de
demonstrar é diferente. E perdemos tanto tempo querendo que a pessoa faça isso
ou aquilo que deixamos de aprender a enxergar as provas de amor que ela nos tem
a oferecer. Quando choro, por qualquer motivo, meu marido nunca me consola. E
isso me entristecia tanto, pois pensava que ele não se importava e assim, não
me amava. Perguntava a ele o porquê, ao que dizia que quando acontecia de eu
chorar (que realmente não é coisa comum) ele ficava sem saber o que fazer e
acabava por não fazer nada. A mim custava a acreditar, pois como você pode ver
alguém que você ama chorando e não fazer nada!? Até que entendi que EU amo
assim, ele não. Então tive que aprender a ver como ele me amava, e vi que às
vezes meu marido para e fica me olhando um tempão sem que eu esteja vendo, só
percebo muito tempo depois. E é por isso que sei que ele me ama.
X.
Pense
em Deus. Se possível reze.
Por fim, gostaria de lhe dizer que pense sempre em Deus, na
Virgem Maria e nos santos. O testemunho de suas vidas vão lhe dar foças para
fazer sempre mais e melhor seus afazeres, a superar as dificuldades e a perdoar
(esta última tão importante na vida a dois). Não vou dizer reze sempre. Porque
sei que essa não é a realidade de muita gente (inclusive minha, que rezo muito
pouco). Para ter uma vida de oração digna é preciso vontade e disciplina, o que
muitas vezes não temos. Por isso lhe peço (e exijo de mim) algo mais simples:
lembre-se Deus, do quanto Ele lhe ama; de como Ele gostaria que fosse a sua
vida, a sua família; das bênçãos que Ele derrama sobre você; e de que o menor
gesto feito com amor não ficará sem recompensa. Se Deus estiver sempre presente
em sua mente, uma hora ou outra você vai querer uma conversa mais demorada, um
momento a sós – e aí sim, será oração.