A adolescência é a fase em que os piores e os melhores impulsos da alma humana lutam entre si para ganhar terreno (G. Stanley Hall)
Isso que a ciência psicológica ensina, a Igreja já conhece há dois mil anos, de modo que até para o senso comum não é difícil perceber a veracidade da afirmação.
A juventude, ou adolescência - para usar um termo mais atual, é uma fase de experiências intensas; de mudanças físicas, psicológicas e sociais. A criança tem essa fase de aproximadamente dez anos para sair da infância à fase adulta. E nesse caminho consolidar ou rejeitar os ensinamentos que recebeu dos pais.
É bem verdade que a entrada na vida adulta não é o ponto final; mas mudanças, principalmente de caráter, nessa fase são mais difíceis, mais sofridas, por assim dizer.
Não é por acaso que correntes ideológicas revolucionárias sempre dão especial atenção aos jovens. Não porque historicamente essa tenha sido uma fatia da população que tivesse grande poder de decisão na sociedade, mas porque aderindo a elas na juventude, uma adesão na vida adulta era quase certa.
Como disse, historicamente essa não era uma parte tão relevante na sociedade - eu disse "era". Cada vez mais nossa sociedade entra numa idolatria da juventude, e os sacerdotes desse deus são os jovens, com suas gírias, suas roupas, seu comportamento, etc. (Esse assunto vai longe e fica para outro dia)
O que estive pensando (e o que quero falar aqui) é que muitas vezes esses jovens se veem sozinhos, sem algum adulto que os ensine e direcione; e jogados à própria sorte, muitas vezes tomam os piores caminhos. E quando digo adulto, não me refiro a uma referência cronológica, mas alguém com responsabilidade e maturidade.
A Igreja ensina:
O que se costuma chamar de permissividade dos costumes se apóia na concepção errônea da liberdade humana; para se edificar, esta última tem necessidade de se deixar educar previamente pela lei moral. Convém exigir dos responsáveis pela educação que deem à juventude um ensino respeitoso da verdade, das qualidades do coração e da dignidade moral e espiritual do homem (CIC, 2526)
Infelizmente, o mais comum é pais que não respeitam nem a sua própria autoridade de pais, preferindo agirem e serem tratados como "amiguinhos". E olhe que falo isso do ponto de vista meramente humano, pois se levarmos em consideração o plano espiritual a situação é ainda pior!
E antes que se pensem em escusas e justificativas diante da religiosidade de cada um, fato é que nenhuma, eu disse nenhuma criança nasce sem que seja esse o desejo do coração do próprio Deus. E Ele confia essa criança a um pai e uma mãe, que ao menos por uma única noite se fizeram uma só carne para que essa criança pudesse existir.
Eu desconheço o projeto de Deus para a vida de cada um, mas sei três coisas:
1. Deus quer que sejamos felizes. E mais felizes seremos quanto mais próximos da vontade de Deus estivermos.
2. Cada criança é um bem precioso! E foi o próprio Jesus Cristo quem disse: "Deixai as criancinhas e não as impeçais de vir a mim, pois delas é o reino do Céus". (Mt 19, 14)
3. Cada pai e mãe terá que no dia do juízo prestar conta de suas faltas, em especial para com seus filhos. Pois foi Jesus também que disse: "Caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em mim, melhor seria que lhe pendurassem ao pescoço uma pesada mó e fosse precipitado nas profundezas do mar". (Mt 18, 6)
Quantas crianças e jovens não tem sua inocência, sua pureza, sua fé, roubadas por negligências, descuidos e até mesmo incentivo dos seus responsáveis. Nosso Senhor disse o que espera de nós, se o amor e o zêlo não os anima, que anime o medo do juízo.
Nos animemos! Não só aqueles que são pais, mas todo aquele que convive com crianças a ser um exemplo, um testemunho de adulto responsável, com princípios morais e virtudes. E quando possível sigamos o conselho da Santa Madre Igreja para uma catequese mais clara, mais viva, mais próxima.
A catequese das crianças, jovens e adultos procura fazer com que a palavra de Deus seja meditada na oração pessoal, atualizada na oração litúrgica e interiorizada em todo tempo, a fim de produzir seu fruto numa vida nova. A catequese é também o momento em que a piedade pode ser avaliada e educada. A memorização de oração fundamentais oferece um apoio indispensável à vida de oração, mas importa grandemente fazer com que saboreie o sentido das mesmas. (CIC, 2588)
Como ensina a ciência psicológica, a adolescência é a fase em que os piores e os melhores impulsos da alma humana lutam entre si para ganhar terreno. Quais impulsos vamos deixar ganhar espaço no coração dos nossos jovens?
Fontes: Bíblia de Jerusalém
O Livro da Psicologia
Catecismo da Igreja Católica (CIC)
Imagens: busca Google.
