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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Uma confissão

Oi, você aí que está lendo esse texto.

 devido a ausência e esporacidade de posts sei que não tenho nada que possa se chamar de público. Mas o registro de visitação continua, então sei que vez ou outra passa alguém por aqui.

Eu criei esse blog num momento de solidão, mas no qual eu queria encontrar pessoas com quem eu pudesse compartilhar minhas ideias, mudanças... minha fé. Era 2013 e para mim foi um gesto de grande ousadia me expor. Eu não tinha nenhuma audiência, mas me sentia falando para o mundo.

Lembro a euforia de fazer o primeiro post e ao voltar no blog dois dias depois ver que ele tinha 9 visualizações. Isso mesmo, nove! Diante dos números dos grandes blogs e afins parece até ridículo; mas pensar que nove pessoas leram o que escrevi foi emocionante.

Naquela época eu sentia que tinha tanto a aprender. Eu estava noiva, organizando sozinha meu próprio casamento. Eu tinha me convertido ao catolicismo a pouco tempo. Eu não sabia quase nada sobre como cuidar de uma casa, ou mesmo ter uma família. Eu queria muito aprender e achei que compartilhar novas descobertas era a melhorar maneira de fazer essa experiência interessante.

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Os dois primeiros anos de casada foram particularmente difíceis - por vários motivos. Adaptar-se um ao outro, nova rotina, problemas financeiros, profissionais, de saúde e até espirituais. Sentia que estava tudo acontecendo de uma vez. E nesse momento eu quis me fechar, me guardar. Pois só assim poderia ser forte e adquirir sabedoria para lidar com meus problemas. Compartilhar problemas geralmente os aumenta e não resolve-os.

Me afastei do blog. Ensaiei um retorno, mas fiquei apenas postando poesias esporádicas. Criei outro blog (www.diasradiantes.blogspot.com.br) que fala sobre livros. E acho que agora me sinto realmente pronta para voltar.

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Agora quero retomar esse blog e acho interessante porque estou novamente passando por uma transformação em minha vida. Estou com 30 anos e decidi mudar de profissão. Sou psicóloga e quero fazer letras. Quero ser professora e o que mais a área tiver para oferecer. Eu amo a psicologia, mas eu e ela não combinamos.

Estou estudando para fazer Enem esse ano e, se Deus quiser!, entrar na faculdade ano que vem. Se for compartilhar algo sobre estudo será no outro blog.

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Aqui vou falar de mim. Voltarei com os posts sobre casa, família, vida doméstica; também sobre santos, orações e religião. As poesias vão continuar na medida em que a inspiração deixar.

Não vou prometer frequência, porque como disse minha vida está mudando. Estou tentando criar e me adaptar a uma nova rotina.

A você que passou por aqui: seja bem-vindo! E volte sempre! Vou ficar aqui esperando.


sábado, 13 de maio de 2017

Luz e trevas



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Quisera eu saber o que se passa. O que está acontecendo comigo. Julgo que angústia seja isso. Pensei que fosse mais forte, mais gigantesco, cheio de estardalhaço. Um sentimento euforicamente enlouquecedor. Como num surto maníaco, onde tudo se quer, tudo se espera, mas nada se tem. Não. É tão diferente; é como um carrapicho que gruda em sua roupa sem que você se dê conta, e um pequeno espinho entra sobre a pele e promove uma dor tamanha que lhe impede de ser. E não há como se atribuir à ínfima causa tamanha dor.

Assim a angústia chegou e se instalou no meio do peito, no centro da alma, cindindo a vida.

Me intrigo quando volto-me para dentro. Como pode doer tanto? Como pode parar o ar? E sugar as forças?

Instalou-se aqui e cresce. Consome.

Sobe-me do peito até o cérebro o sopro frio e quente, como se um demônio pretendesse me congelar de medo; como se buscasse nas entranhas da mente o alimento para as paixões desmedidas que querem gritar e que eu tão custosamente tranquei, apaguei as luzes, mas não consegui jogar as chaves fora. Porque tenho que admitir, afinal, também me alimento deles.

Ou, o que seria da luz que há em mim se não guardasse minha escuridão?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O bom amor



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Estar na vida e saber que quando ninguém mais se importa - quando ninguém mais cuida de você - há Alguém que lhe ama muito, muito. Esse Alguém criou o mundo inteiro para você desfrutar dele; lhe deu sapiência para, caso queira, tentar entendê-lo; criou seres mais perfeitos que nós para nos guardar, guiar, proteger e interceder quando padecemos.



Esse Alguém que você nega, despreza, ignora - esse Alguém para quem você deu as costas - continua lhe amando, nem um pouco menos; não lhe tirou o que lhe foi dado; e não lhe negará perdão se você o quiser de verdade.

domingo, 15 de maio de 2016

Flores e Estrelas

Eu nunca verei as flores
Não estarei em seu jardim
Não terei seu toque aveludado
Ou seu perfume inebriante

Eu nunca terei as flores
Nem sua beleza efêmera
A qual se quer agarrar com a ponta dos olhas

Nunca serei pássaro
Nunca terei passado
Ou seria nado?

Serei estrela que leve brilha
E despois de cair oscila
No breve momento do ser.


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Há quanto tempo!

Olá,

passou-se mais de um ano desde a última vez que postei. E mesmo antes daquele post eu já vinha postando de forma batante esporádica.
Muita coisa aconteceu nesse tempo. Inlusive tenho outro blog e um cana no Youtube também.  =]

A ausência aqui do blog se deu iniciamente por uma falta de tempo. Depois fiquei sem ispiração para escrever, entao veio o desinteresse. Até qe chegui mesmo a pensar em excluí-lo.

Decidi não excluir o blog porque acho que ele tem coisas mutio legais. E também marca um período específico da minha vida. Mas o que realmente fez eu não só decidir deixá-lo no ar, como vir aqui de novo foi perceber que esse e um cantinho meu onde me coloco de forma particular.

O único lugar da internet onde falo da minha fé, dos meus versinhos e do me casamento.

Por isso, decidi que esse blog continuará a existir  até que a morte nos separe.

No entanto, como disse anteriormente, muita coisa mudou. E para manter a sua existência esse blog terá um novo funcionamento. Que sera: um dia, de repente eu apareço por aqui.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sobre liberdade

Sou livre, nada me prende.
Se reterem o meu corpo, sou livre.
Se livremente salto, sou livre.
E se de repente calo, sou livre.
E se livremente fico, sou livre.
Livre para ter, livre para ser
Livre para ter e querer você.
A intensão revela o que o lábio oculta
Que minha liberdade quer se unir a sua.



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Um discurso

Parênteses:
eu sei que faz muito tempo que não escrevo. Mas a vida estar corrida. Então, se tem alguém que acompanha o blog e ficou esperando, me desculpe. Volto hoje com esse texto, no entanto não sei quando será o próximo; e com isso quero dizer que as postagens serão mesmo esporádicas.






Oi gente,

quis dividir essa experiência com quem está aí do outro lado para evar um mensagem de esperança.
Eu queria muito que no dia do casamento eu e meu marido tivéssemos feito aqueles votos pessoais, em que a pessoa escreve um teto lindo. Como casamos na igreja, que já possui votos no rito (lindíssimos por sinal), decidi que faríamos na pequena recepção que fizemos na sequencia, no lugar do discurso.

O que aconteceu foi que na hora meu marido virou e falou no meu ouvido que não ía fazer porque estava com vergonha. Eu insisti um pouco, mas aquele dia foi um turbilhão e nem pensei muito no assunto. Como não ía ler meu votos sozinha agradeci a presença das pessoas e falei algumas poucas palavras.

Onde está a mensagem de esperança?

Se você tem um sonho, não desista! Porque ele pode acontecer mesmo que não seja do jeito que você tinha pensado.

Quando fizemos um ano de casados fiz um lancha aqui em casa para poucas pessoas. e na hora de cortármos o bolo meu marido fez um discurso para me homenagear.

Como o texto é lindo  vem a seguir, e também para servir de inspiração.




Boa tarde meus amigos,

Hoje faz exatamente um ano que deu meu sim a uma das muitas coisas na vida que não há volta, decidi dizer sim a minha mulher e às minhas novas responsabilidades.

Não foi das decisões mais fáceis ou mais seguras, mas sempre me pareceu a mais correta, e hoje posso me certificar que ao menos nisso acertei!

Em todos esses 365 dias surgiram desafios, tristezaas, conflitos e dificuldades que pareciam que o mundo ía desabar e tudo ser em vão; mas também foram constantes as alegrias, a superação e o perdão, que me possibilitou vencer todos esses medos.

Posso dizer sem sombra de dúvidaque deste ano saí com saldo positivo; de desempregado a trabalhador que cresce na empresa; de gastador incontrolado a poupador focado; de jovem irresponsável a homem provedor.

A tudo isso tenho muito que agradecer a Deus e todas as suas benésses, pois sempre que algo pareceia irremediávelmente sem solução, Ele nos provia. Mas além do óbvio, devo minha gratidão a uma pessoa muito especial: minha esposa.

Durante esse ano nosso carinho e dedicação evoluíram e amadureeram, por mais dedicação dela que minha... Sempre esforçada em seu trabalho, em casa ou no consultório; ela me inspiraa seguir em frente, mesmo quando as coisas não parecem correr como gostaria.

Este dia eu dedico a você, meu amor, a fundação de nossa família, e se minhas breves palavras não lhe podem fazer jús, que ao menos o velho ditado possa, pois "por trás de todo grande homem há sempre uma grande mulher."


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Paciência







Qual é então o verdadeiro rosto da paciência, se não consiste em suportar o mal?

A paciência leva-nos a suportar o erro, a contradição, os aborrecimentos e, de maneira geral, todas as contrariedadesque nos vem das pessoas e das coisas. Ser paciente é conservaar  domínio de si. As pessoas sucetíveis ou violêntas não são capazes disso. A não ser que os seus destemperos e arrebatamentos sejam ocasionados por uma deficiência física, são indícios de fraqueza de vontade. A força manifesta-se no auto-domínio. Mas o audomínio não é inato; é preciso aprendê-lo. A paciência adiquire-se de duas maneiras: através das convicções e através do execício.

Fonte: As pequenas virtudes do lar. Georges Chevrot. Ed. Quadrante, 1990.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Meu aniversário






É coisa comum hoje em dia não se dar muita importância aos aniversários. Um parabéns formal via facebook e um agradecimento geral, pronto! Tudo resolvido.
Ou ainda, o casual "ah, é seu aniversário? Parabéns!", e em resposta: "obrigada!".

E agora todos se perguntam: - Oxi! E o que mais você queria?

O que mais eu poderia querer? Afinal, no aniversário acordamos do mesmo jeito; trabalhamos/estudamos do mesmo jeito; pegamos trânsito do mesmo jeito; e vemos as mesmas pessoas de sempre.O máximo que podemos fazer por nós mesmos é nos dar o direito de comer aquela bela fatia de bolo.

Para ilustrar a ideia que quero passar, gostaria que você pensasse no dia 31 de dezembro. O ano novo é uma espécie de aniversário do tempo, podemos assim dizer. No dia 31 de dezembro acordamos do mesmo jeito; trabalhamos/estudamos do mesmo jeito; pegamos trânsito do mesmo jeito; e vemos as mesmas pessoas de sempre. Mas esse é um dia especial. A diferença é que nós o fazemos assim. Nenhum dia é especial por si mesmo, a menos que nós o façamos.

Muitas pessoas que não comemoram seu aniversário e não dão importãncia nenhuma a esse dia (eu era uma delas) alegam que isso se deve ao fato de não precisarem de ninguém as aplaudindo, mesmo que seja seu aniversário; e que isso é uma frivolidade que beira a falsidade, afinal, para quê mesmo serve esse "parabéns"?

Parabéns por ficar mais velho, mais gordo e com mais cabelo branco? Parabéns por ter aguentado a humanidade por mais 365 dias? Ou parabéns por ter pagado um bolo para gente comer? (se bem que esse último é digno de parabéns)

E assim estou fazendo 27 anos sem comemorar verdadeiramente meu aniversário (minha mãe fez aniversário para mim até os 10 anos, mas nunca tive aniversário festão, que chama todos os amigos, ou mesmo na escola). Houveram anos com bolo, anos com saídas com os amigos, e anos que não fiz absolutamente nada, ou melhor, fiz do meu aniversário um dia igualzinho a todos os outros.

Para mim era muito claro que eu não precisava disso. E sinceramente o ritual de aniversário não fazia realmente sentido para mim.

Depois de dizer tanto que eu não precisava das pessoas percebi que, na verdade eu precisava desesperadamente delas. Precisava que todos a minha volta festejassem esse dia para que eu aprendesse a apreciá-lo, o que por mim mesma não conseguia fazer. Precisava ver alguém feliz com aquela data, porque eu mesma não estava. Precisava de alguém que me mostrasse que aniversário não era a data oportunista para estorquir presentes.Mas isso não aconteceu.

Quando não se dá muita importância ao próprio aniversário, consequentemente não se dá muita importância ao aniversário alheio. MAS, este ano algo mudou.

Me casei no final do ano passado e o meu marido fez aniversário no início do ano. E eu estava tão feliz por isso! Tão feliz porque ele existia, e ainda por cima fazia parte da minha vida. Puxa! Isso é um motivo e tanto para festejar. E pensei o quanto gostaria de passar muitos e muitos aniversários fazendo bolo para ele soprar as velinhas até termos netinhos para soprar a velinha no lugar dele.

E tantas outras coisas mudaram em mim. Tanto amor (verdaeiro amor) pode florecer em meu coração, que de tanto amar aos outros aprendi a me amar também. Um amor sicero, autêntico, que conhece e suporta os defeitos e que se alegra com as virtudes.

Então, esse ano, tenho muito a comemorar! Vou comemorar no meu dia a pessoa que sou, o que tenho de bom, e a esperança de melhorar o que tenho de ruim; comemorar todas as pessoas maravilhosa que tocaram a minha vida e que pude tocar a delas; comemorar os sorrisos e as lágrimas da experiência; comemorar todos os meus bens: ter uma casa com conforto, ter saúde,ter sempre uma pia cheia de louça para lavar, ter lindos olhos verdes, ter amor a todas as pessoas, ter o sol para me aquecer e iluminar, ter o frio para aliviar, ter as plantas nas suas diferentes formas, ter passarinhos cantando, ter a habilidade de amar a arte mesmo sem conseguir me expressar em nenhuma delas,ter muitos muitos lápis para escrever, ter alguém para dizer eu te amo, ter estrelas no céu da noite, ter um sangue Ferreira, nordestino, brasileiro... tantas tantas coisas... E uma comemoração especial este ano é ter podido enxegar tantas coisas especias para comemorar.

Eu sei que esse texto é superfulo, porque quem comemora o aniversário já sabe disso e quem não comemora não vai ver sentido nisso, pois, essas são coisas para serem sentidas e não sabidas. Bom, o que tenho a dizer é que EU estou feliz por VOCÊ existir,afinal, Deus não ía gastar a matéria das almas e das pessoas colocando você no mundo à toa. Hoje, no meu aniversário, estou feliz pelo mundo, agradecida pelo mundo, e verdadeiramente de parabéns, porque Deus me concedeu mais um ano para aproveitar tudo isso.



terça-feira, 22 de julho de 2014

As coisas nunca são como se pensa







Lembro quando noivei, uma senhora (já quase idosa), amiga minha, mãe de cinco filhos, casada a vida inteira com o mesmo marido, veio me parabenizar e dirigir alguns palavras. Ela me perguntou se eu estava preparada e prontamente respondi que sim; já sabia o que enfrentaríamos, mas que mesmo assim desejava ter uma família, que essa era a vontade de Deus para nós, etc. E ela me disse, pois bem, case. Mas gostaria de lhe dizer duas coisas: primeiro que nunca deixe de rezar e colocar Deus como o alicerce de sua família, pois se não for assim ela não durará; e, saiba, o casamento nunca é difícil pelos motivos que a gente pensa.

O primeiro conselho eu já sabia e era isso mesmo que pretendia fazer, mas o segundo me deixou especialmente intrigada. Por que jovem tem a mania de achar que sabe tudo, né?A gente sempre acha que está pronto, maduro, preparado. Considero que o primeiro passo para a verdadeira maturidade e sabedria é reconhecer humildimente nossa inesperiência e ignorância. Por isso, coloquei em suspenso o meu "estou pronta" e busqueiaproveitar cada momento antes do casamento para me melhorar, aprender, rezar... Claro que nem sempre esse era meu estado de espírito, mas era um esforço constante.

Casei.Lua-de-mel. Primeiros meses. Me aproximo do primeiro ano.
Sei que ainda somos recém-casados, e um ano perto de uma vida interia que queremos passar juntos não é nada, mas acho que começo a enteder a pofundidade daquele conselho.

Nada no casamento é como você pensa que será. Nem os afazeres domésticos, nem sua relação com sua sogra, nem sua relação com o seu marido... Certamente porque cada casamento é único, pois é a junção de duas pessoas únicas; e os exemplos que vemos por aí são apenas uma vaga ideia. E talvez por isso mesmo é algo que só se sabe vivendo.

Uma das coisas mais elucidativas sobre isso é a solidão.Talvez porque para mim foi a mais surpreendente. Pois tanto para mim quanto para Luís, quando falavamos em casar era o mesmo que falar "vamos estar sempre juntinhos" (fisicamente, espiritualmente...)

É importante dizer que eu sempre gostei de passar um tempo sozinha, para meditar, ler, escrever, etc. Pensava que ao casar iríamos ter dificuldade quanto a isso, posto que agora sempre estaria acompanhada do meu marido. Mas desde que casei, com frequência experimento a solidão do lar enquanto meu marido está fora. Nunca passou pela minha cabeça me sentir sozinha. Isso também porque já morei só, e quando passava grande parte do dia sozinha esse tipo de sentimento não me acometia.

Pensando sobre isso, acho que me sinto só porque na verdade não estou de fato sozinha. Durante todo o  meu dia lembro do meu marido, e quase tudo o que faço é orientado para ele. Na hora que escolho o que vou cozinhar, penso no que ele gostaria de comer; quando limpo a casa, penso em como ele se sentirá confortável de chegar e encontrar tudo limpo, quando encontro algo que ele deixou fora do lugar, lembro dele com raiva por ter feito isso (rsrs); quando leio algo legal em uma livro, gostaria que ele estivesse perto para dividir isso com ele; quando tomo banho e me arrumo porque está perto da hora dele chegar. Em tudo ele se faz presente no meu dia, e talvez por isso mesmo eu me sinta só, porque ele se faz presente sem de fato estar, e aí acabo sentindo a falta dele.

Claro que acho ruim me sentir sozinha, mas fico feliz que as coisas sejam assim. Acho que foi o tempero especial que Deus deixou para os recém-casados. Pois isso faz  com que cada momento juntos tenha seu interesse, faz a gente querer aproveitar, mesmo já estando casado.

Penso nessa horas como é difícil para mulher moderna (e aqui me refiro a todas nós que recebemos a educação padrão de nosso tempo) lidar com isso, porque além de de ser um trabalho doméstico árduo e escondido exige muito crescimento interior. Assim, varias vezes me peguei pensando em como seria mais facil trabalhar fora. E aqui o primeiro conselho volta a gritar na minha mente: "DEUS NO CENTRO DE TODAS AS COISAS!", que prevaleça a vontade de Deus, que é todo Amor e Sabedoria, e não a minha vontade humana cheia de orgulho e vaidade. O caminho mais santo nunca é o mais fácil. Não se deixe abaater e não queira desistir se nada sair como o esperado, porque mesmo o inusitado faz parte dos planos de Deus.

Talvez quando passarem-se muitos e muitos anos as coisas mudem, e tudo isso nçao tenha uma dimensão relevante ou que talvez lembre com carinho pelo crescimento pelo qual passei. Mas por hora, estou na batalha para ser um esposa melhor, uma cristã melhor, uma pessoa melhor; e que dividindo essa experiências possa ajudar alguém pelo menos a saber que não está nessa batalha sozinha.

domingo, 13 de julho de 2014

Os católicos e o futebol





A copa no Brasil acabou. Copa essa que despestou sentimentos fortes extremos em muitos brasileiros.E um católico embora não seja do mundo está no mundo, sendo afetado por tudo que compõe a nossa realidade.

Vi um excelênte texto do Papa emérito Bento XVI sobre o futebol que nos permite uma boa e propícia reflexão. Abaixo coloco um trecho que gostei bastante e o link para o texto completo.

O jogo vai muito além da vida cotidiana. Mas, sobretudo nas crianças, tem também o caráter de um exercício para a vida. Ele simboliza a própria vida, e a antecipa, por assim dizer, de um modo livremente estruturado. Parece-me que o fascínio pelo futebol está essencialmente no fato de que ele conecta esses dois aspectos de uma forma muito convincente. (...) Claro que tudo isso pode ser contaminado por um espírito comercial, submetido à seriedade sombria do dinheiro, que converte o jogo em uma  indústria e cria um mundo fictício de proporções assustadoras.
Talvez ao refletirmos sobre essas coisas, poderemos novamente aprender com o jogo uma lição de vida, porque nele está evidente algo fundamental: o homem não vive só de pão, o mundo do pão é apenas o prelúdio da verdadeira humanidade no mundo da liberdade. A liberdade por sua vez se nutre da regra, da disciplina, que ensina a harmonia e a rivalidade leal, a independência do sucesso exterior e da arbitrariedade, e torna-se assim realmente livre. O jogo, uma vida. Se formos mais fundo, o fenômeno de um mundo apaixonado por futebol pode nos dar muito mais do que só um pouco de diversão.

Fonte: Frates in unum


sábado, 28 de junho de 2014

Deus está morto?






"Deus está morto?". Eu diria que Deus não está morto, mas silencioso. Isso, contudo, Ele sempre foi. O Deus "vivo" sempre foi o Deus "oculto". Você não deve esperar que Ele atenda seu chamado. Para medir a profundidade dos oceans, emite-se um sinal sonoro através da água e aguarda-se que este, ao atingir o fundo, retorne como eco. Se Deus existe, contudo, Ele é infinito e você esperará pelo eco em vão, pois a "onda sonora" nunca atingirá o fundo. O fato de não receber resposta alguma é a prova de que seu chamado atinguiu o destinatário: o infinito.
Se você olhar para o céu, de fato, não poderá ver o céu em si, porque o que quer que você veja no céu não será o céu, mas algo que aparece "no" céu, bloqueando a visão deste, como por exemplo, uma nuvem.Das alturas infinitas do que chamamos de céu ( e diz-se que os caminhos de Deus estão muito acima da terra), das alturas infinitas, nenhuma luz se reflete; e das profundezas infinitas, nenhum som ecoa."
Viktor Frankl 


Fonte: A vontade de sentido - Viktor E. Frankl (ed. Paulus, 2ªed., 2013)

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Amor e consciência







A autotranscendência se manifesta, principalmente, em dois fenômenos essencialmente humanos: amor e consciência.
Sendo o amor a capacidade de apreender outro ser humano na sua genuína singularidade. E  a consciência a capacidade de apreender o sentido de uma situação em sua total unicidade. Sendo o sentido sempre único, assim como também o é a pessoa; assim, a pessoa é insubstituível, se não por outros, ao menos para quem a ama.

O caráter da unicidade do amor, refere-se às possibilidades singulares que a pessoa amada venha a ter. A unicidade relativa a consciência refere-se a um caráter singular de necessidade, a uma demanda única que alguém venha a enfrentar.





Fonte: A Vontade de Sentido - Viktor E. Frankl (Ed. Paulus, 2º ed. 2013)

quinta-feira, 20 de março de 2014






"Pouco se pode esperar de alguém que só se esforça quando tem a certeza de vir a ser recompensado"
José Ortega y Gasset


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Considerações sobre o casamento


Há poucos dias completei três meses de casada. A meu ver até parece mais. Embora realmente sinta como se estivesse casada a mais tempo, ainda me pego sem acreditar que meu noivo é meu marido (!). Tantas coisas aconteceram até agora que gostaria de dividir algumas coisas que aprendi sobre o casamente neste tão breve período de tempo, apenas porque relatos assim me foram tão uteis.






I.                 Não há fórmulas mesmo. Sempre relativize concelhos.
Gostaria de começar lhe dizendo isso. Por mais bem sucedido que seja um casamento não há fórmulas que possam ser dadas. Cada pessoa é de um jeito e cada casal tem a sua história. Sei que é um pouco clichê, mas mesmo sabendo disso tão bem, muitas vezes me peguei querendo fazer meu casamento funcionar conforme “dicas”. Isso nunca é bom, porque, primeiro gera uma artificialidade na relação,  uma vez que tira a naturalidade e espontaneidade das pessoas, e segundo porque aquela “dica” pode realmente não servir para vocês. Então quero que inclusive o que vou dizer seja relativizado, e visto como um compartilhamento de experiências e não “dicas” de como ter um bom casamento, ou algo assim.


II.                Não queira conversar demais sobre tudo. Isso é querer fazer de cada pequena coisa um problema relevante.
Todos sabem que homens e mulheres são diferentes, e que mulher ama conversar. De fato, ter um bom fluxo de diálogo entre os cônjuges é necessário e saudável. Mas não queira conversar sobre cada coisinha que lhe aborrece com o seu marido, os homens se cansam disso. Se conforme com o fato de que haverão dias em que seu marido não estará com a menor paciência de lhe ouvir, enquanto você procura entender as causas de ele deixar a toalha molhada em cima da cama ou os sapatos jogados no meio da sala. Ele pode conviver com o fato de você sempre pedir para ele arrumar essas coisas, mas não de você querer analisar o porquê disso – com ele!


III.              Não queira ter razão, queira ser feliz.
Discussões acontecem. Faz parte da vida a dois. Mas quando a discussão é séria, normalmente os dois se chateiam e os dois se magoam. Então não fique esperando o outro lhe procurar e lhe agradar buscando o perdão; mesmo que para você haja mil motivos para se considerar certa, e assim ser obrigação do outro que errou buscar a reconciliação. Não queira estar certa queira ser feliz! Sei que é uma coisa difícil de fazer, mas certamente tem efeitos enormes no dia-a-dia de vocês. É melhor passar meia hora brigado do que o dia todo.



IV.             Se humilhe. Isso mesmo! Se você conseguir amar mais a outra pessoa que a si mesmo, você será conforme a vontade de Deus.
Isso tem relação com o ponto anterior. Quase todos nós somos muito orgulhosos. Se você pensa estar certo durante uma discussão, será certamente uma humilhação buscar a reconciliação, pedir desculpas. Se você pensa merecer reconhecimento por algo que fez e não recebe, se sente humilhado, como por exemplo, se arrumar toda e não ouvir uma palavra de elogio do seu marido. Nessas horas lembre-se de Nosso Senhor Jesus, que tantos nos amou e se humilhou por nós; morreu por nós, para nos dar o Céu, que é a maior alegria que existe, e quantas e quantas vezes somos ingratos, não O louvamos e até O ofendemos. Se você pensa assim, não será tão difícil se humilhar  e pedir perdão primeiro, mesmo que o erro do outro seja mais grave que o seu.



V.               Suporte os defeitos, veja que você também erra.
Às vezes quando vemos o defeito do outro nos esquecemos dos nossos. Por isso, Nosso Senhor disse que olhamos o cisco no olho do outro e esquecemos a trava que está no nosso. Eu sempre reclamava de pequenas coisas que o meu marido fazia e que me irritavam (como deixar coisas jogadas em cima do sofá), até que um dia ele sem paciência disse: você também faz um monte de coisas que me irritam e não encho o seu saco por isso. É comum nós mulheres pensarmos que o homem tem mais defeitos que nós simplesmente porque nós falamos mais sobre o defeito deles enquanto que eles se calam em relação aos nossos. O que eu fiz à respeito? Pedi desculpa, e disse que ele poderia sim, me dizer coisas que eu fazia e o incomodava, e iria procurar melhorar em relação a isso, do mesmo modo que esperava que ele melhorasse; e também que deixaria de falar tanto sobre isso (que tem haver com o que eu falei no tópico II).



VI.             Se doe sempre. Procure sempre pensar em como fazer o seu cônjuge mais feliz.
Casamento é entrega e doação. Procure não entrar na lógica, “você não me faz feliz!”. Pense sempre no que você poderia fazer pelo seu cônjuge. Agindo assim você dá um testemunho cristão, realiza verdadeiramente o objetivo do matrimônio e incentiva seu marido a fazer o mesmo, pois se ele estiver feliz certamente vai querer que o mesmo aconteça para você. Já se a relação se baseia em acusações e cobranças a tendência é vocês se tornarem cada vez mais distantes.



VII.            Sempre que for criticar algo tente ser verdadeiramente sincero e gentil.
Certamente haverão momentos que se fazem necessárias as críticas. Ninguém é perfeito, e quando um cônjuge erra (de maneira grave) cabe ao outro corrigi-lo e incentivá-lo a fazer o correto. Mas o faça com verdade, não faça drama. Não diga coisa do tipo “Você nunca faz isso!”, “Jamais será capaz!”, “Impossível!”, etc. O mais comum é que frases desse tipo venham carregadas de emoções do que realmente de fatos. Procure dizer a verdade e não carregar a crítica de hipérboles. Além disso, tecer uma crítica não é gritar nem ofender. Procure sempre ser gentil.



VIII.          Não se fechem em si mesmos. A presença de bons amigos é sempre tão proveitosa.
Eu costumo ver casais que se fecham em si mesmos e se afastam dos amigos. Claro que devemos selecionar nossas amizades, especialmente as mais próximas, que participarão da intimidade do nosso lar. Mas a presença de bons amigos traz grande proveito. São pessoas que, além da nossa família, nos ajudam nas dificuldades, aconselham e nos fazer ver que não é só a gente. Penso sempre quando ao conversar com algumas amigas minhas que são casadas vejo que não é que eu tenho um marido desligado e insensível, é apenas que eu tenho um marido que é homem, igual a todos os homens.



IX.              Aceite o amor que a pessoa pode lhe dar. Não espere que as pessoas lhe amem a seu modo.
É tão libertador entender que cada pessoa ama a seu modo! Muitas vezes nos entristecemos ao pensar que alguém não nos ama, no entanto o que ocorre é que esperamos que uma pessoa demonstre amor de uma determinada maneira e ela não o faz; mas não porque não nos ama, mas porque seu modo de demonstrar é diferente. E perdemos tanto tempo querendo que a pessoa faça isso ou aquilo que deixamos de aprender a enxergar as provas de amor que ela nos tem a oferecer. Quando choro, por qualquer motivo, meu marido nunca me consola. E isso me entristecia tanto, pois pensava que ele não se importava e assim, não me amava. Perguntava a ele o porquê, ao que dizia que quando acontecia de eu chorar (que realmente não é coisa comum) ele ficava sem saber o que fazer e acabava por não fazer nada. A mim custava a acreditar, pois como você pode ver alguém que você ama chorando e não fazer nada!? Até que entendi que EU amo assim, ele não. Então tive que aprender a ver como ele me amava, e vi que às vezes meu marido para e fica me olhando um tempão sem que eu esteja vendo, só percebo muito tempo depois. E é por isso que sei que ele me ama.



X.               Pense em Deus. Se possível reze.
Por fim, gostaria de lhe dizer que pense sempre em Deus, na Virgem Maria e nos santos. O testemunho de suas vidas vão lhe dar foças para fazer sempre mais e melhor seus afazeres, a superar as dificuldades e a perdoar (esta última tão importante na vida a dois). Não vou dizer reze sempre. Porque sei que essa não é a realidade de muita gente (inclusive minha, que rezo muito pouco). Para ter uma vida de oração digna é preciso vontade e disciplina, o que muitas vezes não temos. Por isso lhe peço (e exijo de mim) algo mais simples: lembre-se Deus, do quanto Ele lhe ama; de como Ele gostaria que fosse a sua vida, a sua família; das bênçãos que Ele derrama sobre você; e de que o menor gesto feito com amor não ficará sem recompensa. Se Deus estiver sempre presente em sua mente, uma hora ou outra você vai querer uma conversa mais demorada, um momento a sós – e aí sim, será oração.







sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Nossos pais

Eu não sei se vocês sabem do que vou falar: mas, alguns de nós ao entrar na adolescência começamos a perceber que eles não eram aquelas “superpessoas” que imaginávamos; e começamos a ver os erros que eles cometeram (e cometem) na vida, as falhas na educação que recebemos. E ainda assim são nossos pais, que em meio a decepção amamos. E isso é o tipo de coisa que sempre será difícil de lidar.

Então, começamos a olhar para nossos pais como pessoas que não tem nada a ver conosco – é engraçado como até apontar semelhanças físicas é uma espécie de ofensa –, porque sempre pensamos “são meus pais, mas não tenho nada deles! Nada!”. Você passa a admirar outras pessoas e a pensar como seus pais não são nada daquilo.  Assim, nos tornamos distantes, frios uns com os outros, e a vida deixa de ser dividida, passando a ser quase que estranhos.

Acho que exagero?
Um dia, há alguns anos quis dar um presente ao meu pai com algo que ele realmente gostasse; não uma agenda, ou uma camisa, mas algo realmente legal. E vi que não sabia que tipo de música ele gostava de ouvir, se ele tinha bandas preferidas; nem se ele tinha um estilo de livro preferido, ou autor que admirasse; não sabia que era o melhor amigo dele, ou o que ele fazia quando não tinha nada para fazer; não sabia qual o foi o melhor lugar para onde ele viajou; nem qual era o seu maior arrependimento na vida; não sabia nem o que ele esperava de mim, o que gostaria que fizesse da minha vida (claro que poderia dizer: que estude, tenha um bom emprego e seja feliz. Mas isso é tão vazio quanto não dizer nada).
E ele não sabia nada disso sobre mim também.

Depois você cresce mais um pouco e vê que talvez, um dia, você seja pai também. E pelo menos para mim, isso impôs uma carga de generosidade quanto ao que penso sobre meus pais. E ao imaginar-me do modo que sou, com meus defeitos, minhas limitações, meus medos e tendo em meus braços uma criança que é minha, e que em tudo depende de mim; pela qual eu dedique tudo, tudo, tudo, e ainda assim sei que vou falhar muitas e muitas vezes; e que um dia ela pode lançar sobre mim o mesmo olhar severo que lancei sobre meus pais, o olhar de quem fez 18 anos e acha que sabe tudo da vida, porque viu alguns filmes e livros e chorou no travesseiro algumas dezenas de vezes.

Certamente ainda sou jovem, e continuo não sabendo de muita coisa. Não sei o que é dizer não para um filho, não sei o que é vê-lo doente, não sei o que é não ter dinheiro para pagar as contas, não sei o que ter amigos que morreram, eu não sei o que é ter pais que morreram... Nesses 26 anos de vida, sei muito pouca coisa, sei apenas que não sei quase nada. Esse poucos anos (que é o que meus sogros tem de casamento) me impõe a humildade, pois sou ignorante da vida. E a humildade obriga a perdoar meus pais.


Não só pelo que fizeram, mas pelo muito que ainda farão que exigirá de mim perdão. Para perdoar meus filhos (que se Deus permitir um dia terei) quando eles não se encaixarem no que sonhei para eles, e para pedir perdão quando eu falhar, e falhar exatamente como meus pais.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Véspera

Como vocês devem ter notado, tenho estado muito por aqui nos últimos dias. 
Tenho sentido tanta coisa, e o desejo de se expressar é grande.
No blog, ao mesmo tempo em que posso estar falando para um milhão de pessoas, não estou falando com ninguém - o que para mim é a forma ideal de comunicar meus sentimentos, pois falo com um interlocutor real que pode ser do modo que queira; e também me isenta das críticas (a não ser que deixe um comentário rsrs).

Além disso tive mais tempo esses dias. Tempo que criei para esse momento, pois queria viver os últimos de que falei no outro post bem calmamente. No entanto, mesmo passando esse dias calmamente sou tomada pelo desejo de que passe logo. 



Quando eu era criança meu avô tinha uma casa na praia, e quando íamos chegando próximo a essa praia tinha uma grande ladeira que o carro precisava subir, e lá do alto da ladeira a gente podia ver uma pequena faixa de mar, quando ainda faltava poucos quilômetros para de fato chegarmos à praia. Sempre meu avô puxava a brincadeira de quem iria ver o mar primeiro. Só meu avô fazia isso, então eu e minha irmã sempre pedíamos para ir no carro com ele. Ao se aproximar da ladeira já nos preparávamos: primeiro corria o aviso geral, em seguida eretas no banco nos esticávamos ao máximo, e então irropia o grito de alguém "Eu vi! Eu vi primeiro!". Se houvesse controvérsias, ou se dizia, "Viram juntas" ou "Então, a outra tomará banho de mar primeiro".

Parece uma grande bobagem, no entanto eu cresci, a brincadeira acabou (porque eu já era grande de mais, madura demais, chata demais para brincar com o meu vovô) e ainda levaram-se anos para perceber que todos só poderíamos ver ao mesmo tempo, já que estávamos no mesmo ponto. Meu avô me fez uma criança feliz, me fez uma criança sábia, me fez uma criança ingênua e pura o quanto pode (Obrigado, vô!); pena que só vi esse tesouro agora.
Isso tudo para amenizar a ansiedade de chegar o veraneio e ir para a casa de praia com todos os meus primos e tios, sem dever de casa, como banho de mar e muita areia.

Como eu queria uma ladeira antes do casamento! Para dar uma espiada no que virar. Uma espiada com meus próprios olhos.

O casamento está logo ali. Mas esse será um veraneio sem volta; e isso me assusta um pouco. Eu sei que essa não é uma coisa muito "bonita" de dizer. Ninguém espera ouvir uma noiva dizer que tem medo - não ao menos se ela ama o noivo e desejou por longos quatro anos e seis meses de namoro ficar com ele definitivamente (tá, tudo bem, foi menos que isso. Porque afinal levou um tempo para eu saber se era ele mesmo).

Mas é que eu estou entre a ansiedade para o grande dia e já com saudade da minha casa, da minha família, da minha rotina (de solteira). Minha mãe se consola dizendo que nada vai mudar, que eu vou só me mudar para logo ali. Mas não é verdade! Tudo vai mudar, inclusive eu. E não tem ladeira do casamento. O que há é uma montanha de expectativas e uma esquina a dobrar.


Essa não era a praia que eu ía, mas a visão era mais ou menos assim.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Para olhos dispersos


Se por princípio se faz a união
Deus interpela se vem do coração
Corre rio, gira mundo
Eis que revelo o sentimento mais profundo.

Se o coração palpita
A pena se agita
Para o coração falar.

O amor é verdadeiro tesouro
Mas, cuidado! ele pode queimar
E todo ouro tem um preço a pagar.

Amor e dor de uma mesma moeda são
e com moeda alguma se paga.

Sofro e permaneço, não atoa
É que de olhos fechado a alma voa
E o melhor de você sempre está lá.

Não me espere ver sempre contente
Que às vezes suas palavras cravam dente
sangue e choro despertam a jorrar

Por você entreguei-me em tudo
Se nego, saiba, lá no fundo
É você que faz o sol brilhar

Um último desejo peço
Entenda se difícil lhe confesso
Mas é que para olhos tão dispersos
É difícil de falar.



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Natureza da União Conjugal




A união conjugal é, pois, acima de tudo, um acordo mais estreito que o dos corpos; não é um atrativo sensível nem uma inclinação dos corações o que a determina, mas uma decisão deliberada e firme das vontades: e desta conjunção dos espíritos, por determinação de Deus, nasce um vínculo sagrado e inviolável.
Esta natureza própria e especial do contrato o torna irredutivelmente diferente das relações que têm entre si os simples animais, sob o único impulso de um cego instinto natural, em que não existe nenhuma razão nem vontade deliberada; torna-o totalmente diferente, também, dessas uniões humanas irregulares, realizadas fora de qualquer vinculo verdadeiro e honesto por vontades destituídas de qualquer direito de convívio doméstico.


Fonte: Encíclica Casti Connubii (Papa Pio XI)