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terça-feira, 22 de julho de 2014

As coisas nunca são como se pensa







Lembro quando noivei, uma senhora (já quase idosa), amiga minha, mãe de cinco filhos, casada a vida inteira com o mesmo marido, veio me parabenizar e dirigir alguns palavras. Ela me perguntou se eu estava preparada e prontamente respondi que sim; já sabia o que enfrentaríamos, mas que mesmo assim desejava ter uma família, que essa era a vontade de Deus para nós, etc. E ela me disse, pois bem, case. Mas gostaria de lhe dizer duas coisas: primeiro que nunca deixe de rezar e colocar Deus como o alicerce de sua família, pois se não for assim ela não durará; e, saiba, o casamento nunca é difícil pelos motivos que a gente pensa.

O primeiro conselho eu já sabia e era isso mesmo que pretendia fazer, mas o segundo me deixou especialmente intrigada. Por que jovem tem a mania de achar que sabe tudo, né?A gente sempre acha que está pronto, maduro, preparado. Considero que o primeiro passo para a verdadeira maturidade e sabedria é reconhecer humildimente nossa inesperiência e ignorância. Por isso, coloquei em suspenso o meu "estou pronta" e busqueiaproveitar cada momento antes do casamento para me melhorar, aprender, rezar... Claro que nem sempre esse era meu estado de espírito, mas era um esforço constante.

Casei.Lua-de-mel. Primeiros meses. Me aproximo do primeiro ano.
Sei que ainda somos recém-casados, e um ano perto de uma vida interia que queremos passar juntos não é nada, mas acho que começo a enteder a pofundidade daquele conselho.

Nada no casamento é como você pensa que será. Nem os afazeres domésticos, nem sua relação com sua sogra, nem sua relação com o seu marido... Certamente porque cada casamento é único, pois é a junção de duas pessoas únicas; e os exemplos que vemos por aí são apenas uma vaga ideia. E talvez por isso mesmo é algo que só se sabe vivendo.

Uma das coisas mais elucidativas sobre isso é a solidão.Talvez porque para mim foi a mais surpreendente. Pois tanto para mim quanto para Luís, quando falavamos em casar era o mesmo que falar "vamos estar sempre juntinhos" (fisicamente, espiritualmente...)

É importante dizer que eu sempre gostei de passar um tempo sozinha, para meditar, ler, escrever, etc. Pensava que ao casar iríamos ter dificuldade quanto a isso, posto que agora sempre estaria acompanhada do meu marido. Mas desde que casei, com frequência experimento a solidão do lar enquanto meu marido está fora. Nunca passou pela minha cabeça me sentir sozinha. Isso também porque já morei só, e quando passava grande parte do dia sozinha esse tipo de sentimento não me acometia.

Pensando sobre isso, acho que me sinto só porque na verdade não estou de fato sozinha. Durante todo o  meu dia lembro do meu marido, e quase tudo o que faço é orientado para ele. Na hora que escolho o que vou cozinhar, penso no que ele gostaria de comer; quando limpo a casa, penso em como ele se sentirá confortável de chegar e encontrar tudo limpo, quando encontro algo que ele deixou fora do lugar, lembro dele com raiva por ter feito isso (rsrs); quando leio algo legal em uma livro, gostaria que ele estivesse perto para dividir isso com ele; quando tomo banho e me arrumo porque está perto da hora dele chegar. Em tudo ele se faz presente no meu dia, e talvez por isso mesmo eu me sinta só, porque ele se faz presente sem de fato estar, e aí acabo sentindo a falta dele.

Claro que acho ruim me sentir sozinha, mas fico feliz que as coisas sejam assim. Acho que foi o tempero especial que Deus deixou para os recém-casados. Pois isso faz  com que cada momento juntos tenha seu interesse, faz a gente querer aproveitar, mesmo já estando casado.

Penso nessa horas como é difícil para mulher moderna (e aqui me refiro a todas nós que recebemos a educação padrão de nosso tempo) lidar com isso, porque além de de ser um trabalho doméstico árduo e escondido exige muito crescimento interior. Assim, varias vezes me peguei pensando em como seria mais facil trabalhar fora. E aqui o primeiro conselho volta a gritar na minha mente: "DEUS NO CENTRO DE TODAS AS COISAS!", que prevaleça a vontade de Deus, que é todo Amor e Sabedoria, e não a minha vontade humana cheia de orgulho e vaidade. O caminho mais santo nunca é o mais fácil. Não se deixe abaater e não queira desistir se nada sair como o esperado, porque mesmo o inusitado faz parte dos planos de Deus.

Talvez quando passarem-se muitos e muitos anos as coisas mudem, e tudo isso nçao tenha uma dimensão relevante ou que talvez lembre com carinho pelo crescimento pelo qual passei. Mas por hora, estou na batalha para ser um esposa melhor, uma cristã melhor, uma pessoa melhor; e que dividindo essa experiências possa ajudar alguém pelo menos a saber que não está nessa batalha sozinha.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Orações do cristão VII: Sinal da Cruz e Glória



Essas são duas orações bem simples, que todo cristão faz com frequência. Mas infelizmente muitos não fazem da meneira correta. Então, como nunca é tarde para aprender segue-se as orações. =)


Sinal da Cruz

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

O sinal deve ser feito com a mão direita. As mãos devem tocar a testa, o centro das costelas (logo abaixo do peito), o ombro esquerdo e depois o direito; de modo que você traça uma cruz sobre você. Não há nenhum gesto para o amém. ALgumas pessoas costumam tocar a boca, mas não há necessidade. A excessão é para caso de você estar fazendo o sinal da cruz com um objeto religioso, como por exemplo o terço ou um crucifixo, que ao realizar o sinal da cruz com o objeto na mão direita você pode no amém beijar o objeto.


Signum crucis

In nómine Patris et Fílii et Spíritus Sancti. Amen.



Glória

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre pelos séculos dos séculos. Amém.

Ao dizer "Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo" deve-se fazer uma vênia. É comum se omitir o "pelos séculos dos séculos", mas de qualquer forma a oração completa é assim.


Gloria Patri


Gloria Patri et Filio et Spirítui Sancto, sicut erat in princípio, et nunc et semper et in saecula saeculórum. Amen.



domingo, 13 de julho de 2014

Os católicos e o futebol





A copa no Brasil acabou. Copa essa que despestou sentimentos fortes extremos em muitos brasileiros.E um católico embora não seja do mundo está no mundo, sendo afetado por tudo que compõe a nossa realidade.

Vi um excelênte texto do Papa emérito Bento XVI sobre o futebol que nos permite uma boa e propícia reflexão. Abaixo coloco um trecho que gostei bastante e o link para o texto completo.

O jogo vai muito além da vida cotidiana. Mas, sobretudo nas crianças, tem também o caráter de um exercício para a vida. Ele simboliza a própria vida, e a antecipa, por assim dizer, de um modo livremente estruturado. Parece-me que o fascínio pelo futebol está essencialmente no fato de que ele conecta esses dois aspectos de uma forma muito convincente. (...) Claro que tudo isso pode ser contaminado por um espírito comercial, submetido à seriedade sombria do dinheiro, que converte o jogo em uma  indústria e cria um mundo fictício de proporções assustadoras.
Talvez ao refletirmos sobre essas coisas, poderemos novamente aprender com o jogo uma lição de vida, porque nele está evidente algo fundamental: o homem não vive só de pão, o mundo do pão é apenas o prelúdio da verdadeira humanidade no mundo da liberdade. A liberdade por sua vez se nutre da regra, da disciplina, que ensina a harmonia e a rivalidade leal, a independência do sucesso exterior e da arbitrariedade, e torna-se assim realmente livre. O jogo, uma vida. Se formos mais fundo, o fenômeno de um mundo apaixonado por futebol pode nos dar muito mais do que só um pouco de diversão.

Fonte: Frates in unum


quinta-feira, 3 de julho de 2014

O efeito protetor de ser um casal







O efeito protetor do casal é avaliado pela expectativa de vida mais longa dos casados, a quantidade de doenças físicas e de depressões bem menor nos casais estáveis. Entrevistas estruturadas e testes psicológicos mostram que a higiene de vida é melhor e que as angústias se apaziguam rapidamente nesses canais.

Pode-se detalhar essa contribuição dizendo que a estabilidade do casal cria um sentimento de familiaridade tranquilizador, que a confiabilidade do outro dá autoconfiança: ”Posso contar com ela.”; “Ele sempre esteve presente quando precisei dele.”. Esse entendimento alivia a angústia e permite que esforços sejam dedicados à aventura social. O ferido recupera com seu cônjuge a figura de apego primária que, na sua infância, deu-lhe segurança e o fortaleceu. Quando essa base de segurança falhou, o carente ganha uma segunda chance e, na sua relação de casal, adquire a força e a tranquilidade que até então lhe faltaram.

Com a ressalva de que “estabilidade do casal” nem sempre quer dizer “qualidade de vínculo”. Sentindo-se melhor perto do cônjuge confiável, o ferido se apega a ele, ainda que a relação seja difícil e custosa: “É verdade que ele quer que eu desista de uma parte de minha aventura social. Gostaria de ser jornalista, mas essa é uma profissão que exige muitas viagens, o que poderia estragar a vida em família de que preciso. Por tanto, vou desistir dessa vida de aventuras e aceitar entrar numa rotina com ele. Essa renúncia me custa caro, mas sem meu marido desmorono”.

Nos casais estáveis é comum ver se instalar lentamente o vínculo de apego seguro que tinha sido destroçado (...). Em geral, o cônjuge bem desenvolvido sente prazer em ajudar o ferido, sente-se bem ao fazer o bem. Em contato implícito cria um casal estável, apaziguador, fortalecedor, em que o desenvolvimento de um apego segura cria um vínculo leve (o que não quer dizer superficial) em que um fortalece o outro sem encerrá-lo num prisão afetiva.



Fonte: Dizer é morrer: A vergonha - Boris Cyrulnik [Ed. Wmfmartinsfontes, 2012]


P.S.: Quando o autor usa a expressão "ferido" ele quer se referir a qualquer tipo de problema que gere sofrimente, seja ele físico, psicológico e social.